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FLORIANO MARTINS
Por onde cai a linguagem
Por donde cae el lenguaje
Traducción de Marta Spagnuolo

[ PRIMEIRA QUEDA ]

Em nada meu morto parece

com outros homens que tive

bem posto dentro de mim.

 

Talvez matá-lo seja um abuso.

Naquele apuro de máscaras,

sempre a confundir-me,

 

não separo o morto do vivo.

Ponho-me em seu lugar

a conhecer por onde andou.

 

O corpo cercado por curiosos

em muitos casos citado,

porém o morto em outra parte.

 

Ainda me excita esse homem

como um espelho a refazer-se.

Eu o mataria mil vezes.

 

Talvez o que falte à vida

seja o desejo de tê-la,

dela fazendo parte a morte.

 

Ouço-lhe o chamamento:

meu morto me quer assim,

a matá-lo sempre
 

Mi muerto en nada se parece

a otros hombres que tuve

bien puesto dentro de mí.

 

Tal vez matarlo sea un abuso.

En aquel recuento de máscaras,

siempre confundiéndome,

 

no distingo el muerto del vivo.

Me pongo en su lugar

sabiendo por dónde anduvo.

 

El cuerpo rodeado de curiosos

muchas veces mencionado,

pero el muerto en otra parte.

 

Todavía me excita ese hombre

como un espejo rehaciéndose.

Lo mataría mil veces.

 

Tal vez lo que falte a la vida

sea el deseo de tenerla,

incluyendo en ella la muerte.

 

Le oigo el llamado:

mi muerto me quiere así,

siempre matándolo.

 

[PRIMERA CAÍDA]

 
 
   

 

 

 


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