Floriano Martins
ABISMO ACIDENTAL

A morte se ri com a preocupação de um leito ou um túmulo

Eu beijo a tua noite sem repouso

Tuas lágrimas riem da tempestade de meus anseios

A noite não exige para si nenhum poder

Eu não sei por onde passas com tua queda desatada em sorte

Não conheço senão o infortúnio e sua falsa glória

Os versos com que cobres o olhar

A miserável alegria com que te renovas

Cair por um momento

Rezar além das forças

Tomar armas

Meter-se no cultivo mesquinho de piedades

Desfigurar a ingenuidade

Nenhum de nós sabe quantas noites pode morrer esta noite

Temos esta dificuldade milenar

Jamais eliminaremos todos os inimigos

O homem está composto pelo que sabe e o que não sabe de si

Não há outra ciência

 
poema & imagem: floriano martins
 
 
 

 

 




 



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