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Maria Estela Guedes
Cândidos animais transmutando-se
In: O Escritor, Revista da Associação Portuguesa de Escritores
Lisboa, nº 9, págs: 182-190, 1997

Criança à beira do ar. Caminha pelas cores prodigiosas, iluminações da água, esmeraldas
exasperadas, as púrpuras. E entra na clareira. Passa,
toda. Está coberta de pólen.
A convulsão de uma jóia quando roda
abruptamente acesa. A cicatriz do tórax é uma
arborescéncia
a sangue e ouro.
Nela se embebedam os enxames das
imagens
estelares, vermelhas,
extremas.
Os favos no escuro enlouquecem a infância.
Nas suas casas profundas Deus aguarda que se
demonstre
o teorema perfeito
e terrível.

Herberto Helder
"Última ciência": Poesia Toda, pp. 518-519 (1)

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Técnicas de cruzamento para obtenção de híbridos
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