MARIA ESTELA GUEDES
Foto: Ed. Guimarães
Música: http://triplov.com/letras/mario_montaut/Estela/index.htm

Em que má altura chega o Prémio «Chamán» para o Triplov?
 

Umas centenas de professores, artistas, membros do clero, arquitetos, gente do teatro, poetas e outros escritores, comigo também na parte técnica, a construir o sítio, constituímos o portal Triplov. Ora o Triplov acaba de ser agraciado com o «Prémio Iberoamericano Extraordinário Chamán de Comunicação, Cultura, Oralidade e Difusão da Oralidade Cénica 2015», atribuído pela Cátedra Iberoamericana Itinerante de Narração Oral Cénica.

A resposta, pessoal, no FaceBook e por e-mail a esta notícia foi muito gratificante, exige que agradeça, que corrija a ideia de que o prémio foi para mim, porque isso está errado e, já agora, que mais uma vez explique o que é o Triplov.

O Triplov já foi um portal na Internet com maior audiência do que a maior parte dos sítios institucionais. Neste momento, não sei, já não me interessam certas questões e perdi até o rasto aos links para os dispositivos que permitem comparar sites.

O Triplov ganhou um valioso e merecido prémio, que lhe reforça a solidez intelectual, agradeço-o à associação de escritores e professores que o atribuíram, a Cátedra Iberoamericana Itinerante  de Narración Oral Escénica (CIINOE). Para mim, pessoalmente, foi uma alegria, o reconhecimento do trabalho, abriu a janela para Espanha e América Latina de um modo afetuoso, fraternal. Uma coisa é termos pessoas em carne e osso a olharem para nós, outra, fria e distante, os dados dos programas de estatísca que nos garantem que sim, o Brasil é o país que mais nos visita, a seguir Portugal, e depois aqueles que nos premiaram, e cito, sublinhando pessoas e países, do Boletín do Prémio:

«El Jurado ha estado integrado por Francisco Garzón Céspedes (Director General de la CIINOE) y Mayda Bustamante Fontes (Directora General Mayda B. Performance y de Ediciones Cumbres, los dos de Cuba/España), Concha de la Casa (España, Directora del Centro de Documentación de las Artes de los Títeres y del Festival Internacional del Títeres de Bilbao /CDTB/FTB/), María Amada Heras Herrera y José Víctor Martínez Gil (México, Asesora General y Director Ejecutivo, respectivamente, de la CIINOE). 

Em suma, o Prémio é um estímulo para que não deixe cair de todo o Triplov, e direi então o que se passa com ele.

Nós estamos em linha há dez anos, significando isto que o Triplov é um pioneiro na Internet enquanto veículo de difusão cultural sobretudo nas línguas portuguesa e castelhana. A audiência chegou a ser de dez mil visitantes, isto é, dez mil diferentes computadores por dia, o que me dava vontade de rir, quando um recém-criado site vinha anunciar ter chegado ao milhão de cliques ao fim de não sei quantas semanas ou meses, porque isso fazia o TriploV num piscar de olhos e número de cliques nunca os contei porque são inúteis.

Depois começámos a cair e hoje fazemos uma média de dois mil a dois mil e quinhentos visitantes por dia, média de dois distintos programas de estatística, o Awstats, muito avaro, e o Webalizer, mais mãos largas. Razões para a queda há-de haver muitas, menciono apenas aquelas de que quero dar notícia para correção futura.

O Triplov não é um blog, não é um pré fabricado em que baste carregar textos e imagens para tudo aparecer no céu como por milagre. É um portal em que tudo é feito por mim, página a página. Tive ajuda inicialmente do Magno Urbano para os moldes (templates), logotipos e consulta técnica. Hoje o Magno é apenas o hospedeiro a cujo conselho recorro em situação de emergência, o que vai sendo cada vez mais raro.

Num momento de desespero, porque isto de construir o portal página a página obriga muitas vezes a gastar quatro, cinco ou mais horas a compor um texto, enviei um S.O.S. para todos vós. Precisava de ajuda. Só apareceu o Luís Reis para dar uma mãozinha, ele tomou conta do blog, atualmente intitulado Triplov Blog, em https://triplovblog.wordpress.com/

O Luís Reis tem feito um extraordinário trabalho de captação de audiência – para o blog. O blog tem muito mais visitantes do que o Triplov, digo-o com vergonha, inveja e satisfação, claro. Mas atenção: o Triplov Blog não é o Triplov, não existe nenhum cordão umbilical  a relacioná-los; o blog é algo autónomo do ponto de vista técnico, a relação é apenas nominal e de conteúdos. O blog publica quase só as notícias que nós próprios criamos, as que nos são enviadas, e devo dizer que as mais importantes instituições culturais portuguesas, e algumas estrangeiras, nos enviam notícias, além daquelas que na origem eram as únicas que queríamos publicar: as relativas a iniciativas dos autores que publicam no Triplov.

O que é que fez cair o Triplov? Penso que a principal razão se relaciona com o que acabei de dizer que o Triplov é: um grande portal cujas páginas são construídas de raiz, sem automatismos de «clique e já está no ar». A seguir a este tipo de engenhos apareceram umas engenhocas mais leves e portáteis, que qualquer um pode usar e deitar fora a seguir, as plataformas dos blogues. Os blogues deram cabo do Triplov e de mim, na sequência. Há demasiados blogues, as pessoas preferem ter o seu blog a publicar num portal e a seguir aconteceu algo terrível: publicam primeiro no blog e depois é que mandam para o Triplov os textos já em 3ª e 4ª mão. Eu mesma, nos últimos tempos, para ajudar a Incomunidade – www.incomunidade.com – publico lá os meus artigos e só depois no Triplov. O Google só trata bem a publicação original.

Mais recentemente apareceu o FaceBook, vou pôr lá este artigo em primeira mão. Só a seguir vai para o Triplov. Adivinhe: quem estou a prejudicar com isso? É só um exemplo, é só para vermos como se vai liquidando o Triplov. Beneficia alguém que eu carregue o texto primeiro para o FaceBook?

Muito mais haveria a dizer, mas fico por aqui. Deixo à consideração de todos as minhas palavras. Muito obrigada a todos os colaboradores, eu incluída, somos nós a alma do Triplov e os agraciados com o Prémio «Chamán», mas somos nós também os que o estamos a destruir.

 

Odivelas. 2.10.2015

 
 
 
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Maria Estela Guedes (1947, Britiande / Portugal). Diretora do Triplov

Membro da Associação Portuguesa de Escritores, da Sociedade Portuguesa de Autores, do Centro Interdisciplinar da Universidade de Lisboa e do Instituto São Tomás de Aquino. Directora do TriploV.

LIVROS

“Herberto Helder, Poeta Obscuro”. Moraes Editores, Lisboa, 1979;  “SO2” . Guimarães Editores, Lisboa, 1980; “Eco, Pedras Rolantes”, Ler Editora, Lisboa, 1983; “Crime no Museu de Philosophia Natural”, Guimarães Editores, Lisboa, 1984; “Mário de Sá Carneiro”. Editorial Presença, Lisboa, 1985; “O Lagarto do Âmbar”. Rolim Editora, Lisboa, 1987; “Ernesto de Sousa – Itinerário dos Itinerários”. Galeria Almada Negreiros, Lisboa, 1987 (colaboração e co-organização); “À Sombra de Orpheu”. Guimarães Editores e Associação Portuguesa de Escritores, Lisboa, 1990; “Prof. G. F. Sacarrão”. Lisboa. Museu Nacional de História Natural-Museu Bocage, 1993; “Carbonários : Operação Salamandra: Chioglossa lusitanica Bocage, 1864”. Em colaboração com Nuno Marques Peiriço. Palmela, Contraponto Editora, 1998; “Lápis de Carvão”. Apenas Livros Editora, Lisboa, 2005; “A_maar_gato”. Lisboa, Editorial Minerva, 2005; “À la Carbonara”. Lisboa, Apenas Livros Lda, 2007. Em co-autoria com J.-C. Cabanel & Silvio Luis Benítez Lopez; “A Boba”. Apenas Livros Editora, Lisboa, 2007; “Tríptico a solo”. São Paulo, Editora Escrituras, 2007; “A poesia na Óptica da Óptica”. Lisboa, Apenas Livros Lda, 2008; “Chão de papel”. Apenas Livros Editora, Lisboa. 2009; “Geisers”. Bembibre, Ed. Incomunidade, 2009; “Quem, às portas de Tebas? – Três artistas modernos em Portugal”. Editora Arte-Livros, São Paulo, 2010. “Tango Sebastião”. Apenas Livros Editora, Lisboa. 2010. «A obra ao rubro de Herberto Helder», São Paulo, Editora Escrituras, 1010; "Arboreto». São Paulo, Arte-Livros, 2011; "Risco da terra", Lisboa, Apenas Livros, 2011; "Brasil", São Paulo, Arte-Livros, 2012; "Um bilhete para o Teatro do Céu", Lisboa, Apenas Livros, 2013; Folhas de Flandres,  Lisboa, Apenas Livros, 2014.

ALGUNS COLECTIVOS

"Poem'arte - nas margens da poesia". III Bienal de Poesia de Silves, 2008, Câmara Municipal de Silves. Inclui CDRom homónimo, com poemas ditos pelos elementos do grupo Experiment'arte. “O reverso do olhar”, Exposição Internacional de Surrealismo Actual. Coimbra, 2008; “Os dias do amor - Um poema para cada dia do ano”. Parede, Ministério dos Livros Editores, 2009. Entrada sobre a Carbonária no Dicionário Histórico das Ordens e Instituições Afins em Portugal, Lisboa, Gradiva Editora, 2010; «A minha vida vista do papel», in Ana Maria Haddad Baptista & Rosemary Roggero, Tempo-Memória na Educação. São Paulo, 2014.

TEATRO

Multimedia “O Lagarto do Âmbar, levado à cena em 1987, no ACARTE, Fundação Calouste Gulbenkian, com direcção de Alberto Lopes e interpretação de João Grosso, Ângela Pinto e Maria José Camecelha, e cenografia de Xana; “A Boba”, levado à cena em 2008 no Teatro Experimental de Cascais, com encenação de Carlos Avilez, cenografia de Fernando Alvarez  e interpretação de Maria Vieira. 

 

 




 



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