MARIA ESTELA GUEDES
Foto: Ed. Guimarães
Música: http://triplov.com/letras/mario_montaut/Estela/index.htm

Lição de Mestre Aprendiz
In: Ana Maria Haddad Baptista, Rosemary Roggero & Jason Mafra (org.) - Tempo-Memória. Perspetivas em Educação. São Paulo, BT Acadêmica, 2015

À Mãe Mestra Ângela Battu

 

e encerrar-me todo num poema,
não em língua plana mas em língua plena

Herberto Helder, A morte sem mestre

Pedem que fale do ensino na minha qualidade de escritora, ora a mais profunda experiência que tenho dele é a de aprendiz, e em terra brasileira. Foi na mata curitibana, e entenda-se literalmente a informação, que a Aprendiz recebeu também o grau de Mestre. Ensaiemos assim uma lição, os brasileiros hão de gostar de ver o que fiz com o conhecimento que me transmitiram e agora lhes repasso em testemunho.

O ensino é um tema fascinante, dadas as suas múltiplas faces, de transmissão de conhecimento e de aprendizagem, com o correlato funcionamento dialogal, seja o interlocutor explícito ou implícito, presente ou ausente, singular ou plural. Mais fascinante ainda é o seu exercício, o poder de congregar na palma da mão a mente de alguém ou de uma multidão, cativada pelo que expomos e com isso lhe permitimos descobrir. A grande aventura de quem se encontra sob magistério é a descoberta, o poder tirar os véus que cobrem algo que se não conhecia. Num ponto muito alto do empenho nessa descoberta, fala-se mesmo de “revelação”, termo de que a técnica fotográfica se apropriou, pertencendo ele ao domínio da experiência religiosa. Isto nos tempos em que a revelação se fazia em câmara escura, mergulhando papel sensível à luz num banho de substâncias químicas: as imagens iam aparecendo muito lentamente e tornavam-se cada vez mais a representação nítida da paisagem ou pessoa retratadas.

Palavras veladas costumam ser as de certos textos, não apenas sagrados mas também poéticos, caso dos surrealistas e  de autores como Dante, Herberto Helder ou Fernando Pessoa: o nosso magistério sobre eles consiste em tirar-lhes os véus para mostrar o significado oculto das palavras. Já o termo “hermenêutica” é revelador, ele forma-se a partir do nome do deus Hermes / Mercúrio, mensageiro dos deuses. Hermes Trismegisto é considerado o fundador da Alquimia, também chamada Arte Hermética. Se pensarmos em expressões quotidianas como “fechar hermeticamente”, logo vemos por que motivo os textos poéticos precisam de descodificação – o seu significado está fechado a sete chaves, o autor velou as palavras. Chegam a nós veladas pelo tempo, veladas pelo segredo, veladas pelo nosso desconhecimento, ou veladas até pela nossa falta de imaginação.

Um dos grandes especialistas dos textos herméticos é Richard Khaitzine, cujos títulos são em geral esclarecedores, traduzo: Da palavra velada à palavra perdida, A língua das aves, e tantos outros textos sobre o simbolismo maçónico e alquímico em contos tradicionais e na obra de escritores surrealistas.  

O ensino envolve uma grande responsabilidade, quanto ao mestre, a de não dever transmitir como facto o que é do domínio da hipótese  e do ensaio, estando o ensinamento sujeito a reviravoltas antes mesmo do final do ano letivo, como acontece na vertiginosa mudança de saberes em alguns campos da ciência. Noutros casos, o da fábula, do mito, da religião, das lendas, e até da propaganda comercial e política, é preciso distinguir da realidade em que vivemos as coisas relatadas, isto é, precisamos de distinguir o que é do domínio da realidade daquilo que é fruto da nossa crença. Porém, não é nítida a fronteira entre o mundo da ilusão e o da realidade, e a nossa sabedoria consiste em conviver sem conflitos com os habitantes de um e outro.

Entretanto, a sala de aula não é o único local apropriado para o magistério. Há laboratórios onde nunca esperaríamos aprender o que aprendemos, onde nunca esperaríamos sofrer o que sofremos, e a dor ensina mais fundo que outros sentimentos, como a euforia, cuja risada é em geral frívola. O conhecimento que mais magoa vem dos próximos, daqueles com quem vivemos, dos que pensávamos incapazes de nos fazer mal. Os estranhos deixam-nos indiferentes; porque não são próximos, não têm capacidade para nos tornar diferentes – o conhecimento muda-nos, com ele passamos a ser outros. O tratamento dos iniciados em algum rito, seja religioso seja maçónico, vai à família buscar as fórmulas de tratamento, para indicar a proximidade entre os confrades. O termo “confrade” (de frater, frade, irmão) reforça a ideia de parentesco instituído: Pai, Filhos, Irmãos, Pai Mestre, Mãe Mestra, Bons Irmãos, Bons Primos. Algumas destas sociedades designam-se precisamente por “irmandades”. O seu funcionamento interno é o de escola, em que sempre existe Mestre a iniciar discípulos em graus progressivamente mais elevados.

O magistério dá forma, daí o termo “formação”. A formação modela, cultiva e civiliza, e por isso transforma-nos. O aprendizado que fazemos desde a infância tem esse fim, mudar-nos de bichinhos em cidadãos responsáveis. Muito pouco em nós é inato, e aquilo que é inato cumpre muitas vezes ao ensino mudá-lo, inibi-lo, substituí-lo pelo adquirido. Querem um exemplo? Básico como as mais básicas funções fisiológicas, tudo o que diz respeito ao corpo, no banheiro, é resultado de aprendizagem desde tenra idade. Até os animais se educam: as cegonhas ensinam as crias a projetar as fezes para fora dos ninhos e estão sempre a limpá-los. Duvido é que, como nós, se controlem para não se aliviarem em qualquer lugar, sempre que têm vontade. Esta moldagem do natural ao civilizado por força de obediência a normas é a cultura. Então pergunta-se: o que é que no homem é natural e o que é que nele é cultural? Cada filósofo defende a sua teoria e alguns, mais extremistas, chegam ao ponto de dizer que já não existe Natureza, porque tudo na Terra está hoje moldado pelo Homem. Ora o ensino é a ferramenta mais importante para a transformação do natural em cultural.

O magistério ministra-se em lugares próprios e também segundo modos privilegiados: vemos na ideia uma sala de aula com os jovens assisadamente sentados, mas eles podiam estar num templo, a loja das sociedades iniciáticas, ou ir andando pelo campo a ouvir as sábias palavras do Mestre, como foi o caso da Escola Peripatética, a de Aristóteles. Nos anos 30 do século IV, o filósofo fundou em Atenas o Liceu, com casa, jardins e passeio empedrado. A escola de Aristóteles ficou conhecida como peripatética porque o filósofo ia falando aos discípulos enquanto caminhavam ao longo do passeio, em grego chamado peripatos.

Pergunto a mim mesma, neste instante em que me encontro sentada na esplanada de um café, vendo os automóveis passar a grande velocidade para um lado e para o outro, se a expressão “curso” não terá sido aplicada a um conjunto de matérias ministrado ao longo de alguns meses numa escola, por influência do modo como eram ensinadas – cursando, discursando, discorrendo – isto é, andando, ou mesmo correndo, para eventualmente fugir à chuva… A palavra “curso” significa movimento, por isso se aplica a coisas tão móveis como o andamento das águas de um rio ou das palavras e frases no discurso. E como o aprendiz vai mudando à medida que aprende, também ele cursa, também ele está em evolução.

É curioso, o movimento excita as ideias e a imaginação. Eu quase só escrevo poesia durante as minhas viagens, e um meio de transporte em especial me estimula mais que todos os outros: o trem. Existe uma relação forte entre o movimento e a linguagem; a agitação do corpo e a passagem rápida da realidade pela janela provocam uma descarga de ideias e imagens que podemos fixar nas palavras. O problema é – era – o de decifrar a caligrafia… Uma vez escrevi o esboço de um livro viajando de ônibus de Belo Horizonte para São Paulo. Fiquei inspiradíssima pelos letreiros dos camiões e automóveis: “Só sou fiel a Jesus”, dizia um, outro coisas bem mais agressivas. Mas depois perdi a paciência, quando se tratou de passar o manuscrito para Word, porque não consegui decifrar o que tinha rabiscado entre solavancos, travagens e arranques. Não senti necessidade de recorrer aos dons de hermeneuta para tão profana tarefa… O tablet facilita-a, mas mesmo assim sucedem-se dois momentos muito diferentes na elaboração de um poema: o do entusiamo da criação original, às vezes umas linhas sem grande sentido, mas carregadas de emoção – algo como um coágulo de sangue na mão – e depois o da escrita cuidada, pensada, calculada, muito maçador. O primeiro momento é tão excitante que falamos até de musas, de inspiração (que evoca o poder mágico do “sopro”) e de entusiasmo – na origem etimológica, a palavra “entusiasmo” inclui a palavra theos – estar possuído por Deus. Depois disto, claro que as fases seguintes na elaboração de uma obra de arte são entediantes, enfim, depois da revelação chegam o suor e as lágrimas.

Como se vai notando, não parece que esteja a falar de ensino em termos académicos, apesar de ter a vida toda como experiência, mais contudo como aprendiz do que como mestre, visto que não segui a carreira docente. Dei aulas de Português e Francês, sim, durante uns anos, numa instituição particular, a adultos, e episodicamente dou uma lição aqui e outra ali, em universidades e outras instituições, quando me convidam para fazer palestras ou conversar com os alunos. Não concebo a ideia de poesia pura, por exemplo, entendo que mesmo um poema contém conhecimento transmissível, por isso exerce um magistério. Ainda que o não queira, e muitos poetas não querem isso, mas o conhecimento é inerente às palavras, não as podemos esvaziar como quem come só a polpa das uvas e cospe a casca – a língua não é plana, é plena, como diria o grande poeta Herberto Helder. Por isso todos os meus textos ensinam alguma coisa, em todos no entanto eu aprendo, até porque não passo sem pesquisa – o Google tem-me levado a muitas escolas virtuais enquanto vou delineando esta lição, todos sabem que a mais frequentada de todas é a Wikipédia. Então, antes de me apresentar como Mestre, quem trabalha sempre é o Aprendiz.

Não é oculto – mas pode vir a ser ocultado, no futuro, por conveniências da fraternidade – o caminho que leva de Aprendiz a Mestre, e a mim levou de Portugal ao Brasil, Curitiba, seio da Mata Atlântica, com as suas árvores frágeis, de tronco pintalgado de branco, facilmente corruptíveis – as bracatingas (Mimosa scabrella), tão abundantes nas margens do rio Passaúna. Esse caminho, que é uma via florestal, foi uma espécie de atalho no ensino normativo, público, aberto e sem segredos. Porque também existe, no extremo oposto, como já vimos, um ensino secreto, de palavras veladas. Esse pode ser individualizado, para acentuar o segredo, e por isso se designa às vezes por “transmissão de boca a orelha”. Situa-se fora do domínio académico, muito embora o termo “academia” faça parte do seu léxico e das suas construções materiais. Já a expressão “de boca a orelha” define a singularidade do mestrado, que é precisamente o de ser singular: o Mestre transmite o conhecimento ao Aprendiz sigilosamente, só duas pessoas ficam envolvidas no processo. Discreto, e mesmo secreto, em certas circunstâncias, esse conhecimento não se refere às coisas públicas e vulgares, sim às obscuras e recônditas – a simbologia, aquilo que resta de antigas religiões, com os seus mistérios e símbolos. Os detentores destes conhecimentos têm a missão de os preservar, por isso eles vão passando como testemunho de geração em geração. A este movimento, pois trata-se de uma corrida contra o tempo em que tudo se esquece, dá-se o nome de traditio – passagem de testemunho. O que nas lojas se ensina e aprende e ensina é a Tradição. Se uma cultura, por hipótese, vivesse só a sua tradição, estagnava, como frequentemente estagnam as festas populares, que todos os anos repetem os mesmos atos, como num ritual. Para que a cultura se desenvolva e enriqueça, à tradição temos de aliar o novo, a criação contemporânea.

Se a Escola Peripatética se refere a Aristóteles, o termo “Academia” remonta à escola de filosofia assim chamada, fundada por Platão, igualmente em Atenas. No século XVIII, na Europa, com propagação ao Novo Mundo, proliferam as academias, algumas muito importantes, caso da Academia Real das Ciências de Lisboa. Mas havia outras, pequenas, a que pertenciam poetas e músicos, e essas, por coagularem em estereótipos, contribuíram para dar má fama à academia: a partir do século XX, passou a existir conflito entre arte académica (estagnada, passada) e arte da modernidade, com a aventura desencadeada pela paixão do novo.

Na generalidade, as academias, também chamadas grémios e ateneus, foram criações maçónicas. A Maçonaria, na sua linhagem mais pura, tem objetivos pedagógicos e culturais; deu-se por missão, nesses tempos, ensinar e educar, contrariando assim o forte impacto do analfabetismo que cobria de sombras as populações e as tornava vítimas dóceis dos regimes despóticos, com pavores como a escravatura e dispositivos de exploração dos recursos alheios como o colonialismo. Prioridade máxima foi assim a de alfabetizar. No caso brasileiro, é francamente curioso ver como os elementos populares implicados nos movimentos independentistas, caso da Revolta dos Alfaiates, em que, ao contrário da Inconfidência Mineira, aristocrática, só foram presas pessoas que se esperaria fossem analfabetas, essas pessoas sabiam ler e escrever. Sabiam porque tinham aprendido na lojas maçónicas, impulsionadoras das ideias republicanas e independentistas; nas lojas divulgavam-se os textos políticos fundamentais, uns originados pela Revolução Francesa, outros pela independência dos Estados Unidos da América.

A criação de academias com as suas respetivas iniciativas culturais e artísticas representam o lado público, profano e benemérito da ação maçónica, a ladear o seu lado discreto, reservado às coisas sagradas e misteriosas. Os mistérios, rituais de religiões antigas, como os de Orfeu e de Mitra, vieram a reaparecer como pequenas peças de teatro mais tarde, representadas nas igrejas católicas para educação do povo quanto às questões da Fé. Ilustravam também passos das Escrituras. O magistério ministrado na loja, durante a sessão de trabalhos, desenrola-se igualmente como representação dramática. Cada participante desempenha o seu papel, seguindo um guião, o texto do ritual adotado em cada caso. Aliás, a liturgia da missa, entre os católicos, também implica uma dramatização, se bem que mais discreta no lado dos fiéis. No caso do templo maçónico, só acessível aos iniciados, todos os participantes executam o rito.

O caso de na maçonaria se ensinar a ler e a escrever merece comentário, e de novo invoco o problema enorme do analfabetismo, entrave primeiro da democracia: na Idade Média, e aliás nos séculos seguintes, a bem dizer só o clero era alfabetizado, de maneira que uma das ferramentas de ensino era a imagem. As imagens podem ser complexas, contar histórias, como vemos na pintura, na escultura e na azulejaria. De tal modo que alguns painéis de azulejos, e estou a lembrar-me de uns no oratório do Senhor Roubado, à beira da estrada, quando se entra em Odivelas (Lisboa), são considerados precursores da banda desenhada, isso a que os brasileiros chamam histórias de quadrinhos, porque a história se desenrola numa sequência de quadros. Em geral, a pintura conta a história em um só quadro. Claro, respondo a quem pergunta: a outra ferramenta de ensino, ainda mais importante, era a oratória, os sermões e homilias que os padres, de boas cordas vocais, pronunciavam dos púlpitos, cadeirais elevados, a que se subia por escadas, de modo a que o orador beneficiasse das melhores condições acústicas. Quanto à literacia, bem sabemos que ainda hoje não é total em país nenhum, e este é um dos grandes elementos da pobreza. País pobre não é aquele a que faltam recursos naturais, é aquele cujos habitantes não têm recursos, a começar pela aptidão para exercer um cargo ou desempenhar tarefas, inexequíveis sem alfabetização.

As sociedades iniciáticas, no seu lado misterioso, preservam e transmitem a Tradição, sistema de conhecimentos religiosos pertencentes a várias culturas antigas. É neste campo que se situa o meu caminho de Aprendiz a Mestre, na mata paranaense. Acede-se a tais conhecimentos mediante a iniciação, que consiste em participar num ritual – num mistério, se quisermos. Se bem que os graus “académicos” possam ser 33 ou mesmo mais, os deveras importantes são os que todos conhecemos: Aprendiz e Mestre.

Quando comecei a dar aulas, ainda era estudante. Os meus primeiros alunos foram militares que precisavam de concluir o liceu para subirem os graus das suas carreiras, numa Guiné-Bissau então província portuguesa. Os militares pululavam na colónia porque se desencadeara a guerra pela independência. Dei explicações a vários, mas só me recordo do Acácio, que reencontrei muitos anos depois, em Lisboa,  a passear na Avenida da Liberdade. Contou que já alcançara o posto de inspetor da Polícia Judiciária. Lembro-me dele porque tinha um fraquinho por mim e de vez em quando me levava presentes. Ofereceu-me a minha primeira Parker, uma boa caneta, de tinta permanente. Quem usa tais ferramentas nos nossos dias? Só alguns poetas, como Herberto Helder, que se afeiçoam a dado tipo de instrumentos de escrita, o caderno de papel quadriculado e a bic preta de esfera fina, no caso, e os elevam à categoria mítica, quando afirmam que por eles trocaram a família. Opções destas conhecemo-las melhor na carreira das armas, quando o herói tudo troca pela espada.

Ultimamente tenho dado explicações a uma primita que anda no 7º Ano. Cheguei à conclusão de que o ensino vai muito mal, os garotos não conseguem bons resultados, em parte porque entre o aprendiz e a matéria a aprender se levanta um muro de lixo burocrático. Lido o texto, ninguém pergunta: “Onde foi a Carolina”? O teste começa por pedir: “No segundo parágrafo da alínea c), quinta linha do item 3), segunda coluna…” Enquanto o aluno tenta localizar sem GPS nem precisão o bocado de texto, vai perdendo a concentração, a paciência, a vontade, a alegria, e esgota-se na faina desorientadora o tempo para a realização do teste. Como estudante nunca fui assim “lidada”, e é mesmo este o termo que me ocorre como mais acertado – a lide é a técnica de subjugar o touro, de o levar a ser vencido. “Lide” pode ser sinónimo de “tourada”. Pelo contrário, a liberdade de movimentos, neles inclusa a imaginação, sempre foi grande, só assim se explica que tenha obtido em Filosofia a melhor das minhas notas. Mas liberdade excelsa, inultrapassável, foi a que se verificou depois da revolução do 25 de Abril, quando os alunos tratavam os professores por tu, se sentavam desenvoltamente em cima da secretária, voltados para os colegas, a exporem a sua lição, participavam nas votações de notas e até tinham delegados com assento na gestão do departamento e da Universidade – o que não era novo, diga-se, mas revolucionário não é o novo, sim o que volta com ares de novidade e de salvação do mundo... Por conseguinte, participação dos alunos na direção da Universidade era prática antiga. Em séculos transatos, os aprendizes também gozavam destes privilégios, acrescidos do de votarem as matérias dos cursos e poderem licenciar-se sem frequência das aulas. Em Portugal, a obrigatoriedade de frequentar as aulas só apareceu com a Universidade Reformada, no século XVIII, no ministério do Marquês de Pombal. Eu fiz parte do meu curso sem obrigatoriedade de frequentar todas as aulas, era aluna voluntária, porque de dia trabalhava no Museu de História Natural, onde era funcionária, e à noite dava aulas. Lembro-me de que aos sábados podia ir à Faculdade, mas entretanto, no Museu, tinha a meu cargo um ouriço-cacheiro vivo. Não o podia deixar abandonado durante dois dias, então levava-o comigo para casa, mas de caminho íamos ambos às aulas, sem ninguém saber, o bichinho calado e quieto no fundo de um saco, aterrado quem sabe com o que ouvia sem querer.

Apesar de professora diversas vezes, é mais como aprendiz a minha experiência de ensino e é este também o estatuto que mais prezo. O fim dos estudos académicos não significa que não precisemos de estudar mais. Todos continuamos a aprender ao longo da vida – o ditado garante que a experiência é a grande mestra - , não é necessário que o Ministério da Educação determine, depois da fase de avaliação pelos colegas, que os professores contratados ainda tenham de ser submetidos a exames nacionais, para cúmulo apresentando os testes erros e perguntas ridículas, como está a acontecer agora, 23 de julho de 2014, em Portugal. Os professores revoltam-se, com manifestações nas ruas, petições para que o ministro se demita, e eu dou-lhes razão. Não só saem das universidades sem nenhuma perspetiva de emprego em Portugal, só lhes restando emigrar, como ainda por cima têm de ser torturados com testes de avaliação das aptidões, depois de os cursos já comportarem cadeiras de pedagógicas, seminários e estágios nas escolas.

Há pessoas que se recusam a aprender, creio que por se sentirem humilhadas na situação de instruendas, pois o saber dos outros as inferioriza. A relação Mestre-Aprendiz é hierárquica, a nossa cultura está muito cristalizada em modelos de superioridade e inferioridade, de maneira que precisamos de aprender a respeitar aqueles que sabem mais do que nós sem por isso sentirmos perdida a nossa própria autoridade. Aliás, o que hoje se verifica de mais perturbador nem é o muito saber de poucos e o pouco saber das multidões, sim a diversidade dos conhecimentos do próximo, a despeito da globalização, que tende a fornecer um mínimo de conhecimentos iguais a grande parte da população do planeta. É certo que existe essa padronização, evidente sobretudo na TV, com a música, programas de entretenimento, cinema, modas e léxico oriundos dos Estados Unidos da América. A globalização é indiscutível, corresponde a uma nova forma de colonização, mas a diversidade também existe e era dela que queria falar, pois pode erguer barreiras intransponíveis à comunicação. Já me aconteceu ficar sozinha com dois garotos brasileiros, entregues às suas brincadeiras, e não ter entendido nada do que diziam. Problemas de estereótipos verbais, sim, mas também de referências culturais muito distintas das minhas. No extremo, se pusermos uma centena de brasileiros, de franceses ou de indianos, sem muita  graduação académica, a ouvir uma palestra de Umberto Eco, é evidente que essas pessoas não entendem nada. José Saramago é contestado em Portugal por quem não compreende o que ele escreve, mas o problema só se levanta porque ele ganhou o Nobel de Literatura, isto é, porque alcançou um estatuto de celebridade que moveu os curiosos a lê-lo. Os que o criticam também não entenderiam Eça de Queirós, Machado de Assis, e nunca ouviram falar de Herberto Helder nem de Drumond de Andrade. Isso não invalida outro problema, o de que a ficção, em especial decorrente da ação do nouveau roman, ou da modernidade, em termos mais amplos, aprofundou o fosso entre escritores e leitores. Porquê? A principal razão, do meu ponto de vista, reside na perda de gozo – a literatura deixou de dar prazer, pôs de lado o entretenimento. O prazer é o grande incentivo da vida.

Na altura em que soubermos mais do que o mestre que nos ensinou, a Humanidade terá subido um degrau na escada da civilização. Essa é uma grande façanha, mas a razão pela qual subimos na escala não é essa: o que nos move é o prazer. Causa espanto certo tipo de pesquisa científica, em geral avançadíssima -  big big science! – que visa averiguar, verbi gratia, porque é que as mulheres também têm orgasmo. Antes do “também” depreende-se que a ciência encheu prateiras de biblioteca com teses sobre as razões fisiológicas do orgasmo masculino. Ignoro-as e dispenso o “também”. Digo apenas que a espécie humana sobrevive porque são boas as ações necessárias à sobrevivência: comer, beber, ler, etc.. Se o sexo, como os livros, não desse prazer, a espécie não se teria fixado no planeta. Faltariam estímulos para tão magnos sacrifícios.

A recusa de aprender é brutal, própria de brutos, de pessoas levianas. Por isso é tão estimável o amor ao conhecimento, não esqueçamos que ele é a base etimológica da palavra “filosofia”. Conheço casos desses, que não são evidentemente o dos professores que reclamam contra os exames.

Voltemos ao meu longo aprendizado. Depois da graduação universitária, fiz um monte de pequenos cursos, um, de fotografia, na Galeria Diferença, onde tive como professores, na parte teórica, dois importantes artistas de vanguarda: Ernesto de Sousa e Alberto Carneiro. Alberto Carneiro é o principal cultor da land art em Portugal, trabalha com materiais em bruto, oriundos da Natureza, como troncos de madeira, que instala em cenários humanizados de caráter primitivo. Aliás, na land art, é o próprio ambiente natural que passa a funcionar como arte. Por exemplo, no Museu do Côa, dedicado às gravuras paleolíticas da região (Douro/Côa, em Vila Nova de Foz Côa, Trás-os-Montes), existe uma sala com uma instalação de Alberto Carneiro, que é sobretudo uma estrutura de troncos em pirâmide. Parece o esqueleto de uma tenda num acampamento dos povos que riscaram as gravuras, há 25 ou 30 mil anos. Ernesto de Sousa é uma figura mais complexa, porque reuniu numa muitas vocações: foi mestre, cineasta, realizador de programas de televisão, videoplasta, crítico de arte, poeta, além de fotógrafo, pintor, performer, tanta modalidade mais que anima a cena artística desde os anos sessenta do século passado.

Eu sou uma pioneira do uso cultural da Internet, haja em vista o Triplov, em www.triplov.com. Por isso, a finalizar o rol de temas em que fui aprendiz, menciono cursos vários de Internet, de webdesign, e o American Language Institute – o francês, minha segunda língua, não resolve os problemas do virtual. Quem, nos nossos dias, dispensa o inglês?

O acesso ao conhecimento mudou muito nos últimos anos por causa da Internet, com a Wikipédia e diversos dispositivos que respondem às nossas perguntas. O que há vinte anos exigia um dia na biblioteca, a pesquisar em livros e revistas, hoje resolve-se em minutos, em casa ou no café, com o clique do mouse nuns links. A linguagem também mudou, com a expansão do vocabulário, devido à anexação de termos técnicos oriundos da língua inglesa. Porém a Internet não soluciona todos os problemas e nem vou dar exemplos objetivos, só falar do temor perante o sagrado, esses sentimentos às vezes difíceis de explicar diante de um livro antiquíssimo, numa sala de reservados de um lugar tão histórico como a Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, por exemplo. Há outras de diversíssima história, que conservam livros mágicos, esses livros que nos põem à prova, como a biblioteca do Convento de Mafra, em Portugal, onde se encontra a mais rica coleção portuguesa de livros de Alquimia. São os livros que são mágicos, é a sala onde se arrumam que palpita na penumbra das altas portadas das janelas meio cerradas, é o saber que à noite as janelas ficam abertas para os morcegos poderem entrar e alimentar-se com os insetos que danificam o papel. E aqui o pensamento dá um salto para a China, Pequim, Cidade Proibida, com o palácio de madeira, guardado pelas andorinhas. Animais protegidos porque a elas se deve a conservação do precioso edifício; sem andorinhas, os insetos destruiriam as madeiras.

Os saberes não se equivalem, valorizamos uns mais do que outros, a ponto de guardarmos para o mais valorizado designações transcendentes, como “luz”. E assim falamos da luz do conhecimento e usamos a imagem do sol radiante para simbolizar a sabedoria. Daí os deuses-sol, a representarem o conhecimento racional, desde Apolo – cujo logos se opõe ao mythos simbolizado por Dionísio, o deus do vinho – até Jesus Cristo, que se apresenta dizendo: “Eu sou a luz”. Os discípulos tratavam Jesus como “Mestre”, já que a sua vida se definiu pelos ensinamentos contidos na “Boa Nova”. Pese entretanto aos mestres da academia, aos deuses e ao Filho de Deus, o que de mais importante há para aprender não depende da atenção, das notas tiradas nas aulas, do que retemos da leitura dos livros, nem das cábulas depende. O que de mais essencial temos para saber só o aprendemos com a experiência, no sofrimento e no desconforto do nosso próprio esforço.

Também fiz cursos no CICTSUL (Centro Interdisciplinar de Ciência, Tecnologia  e Sociedade da Universidade de Lisboa), de que recordo um, ministrado por Ana Luísa Janeira, sobre Filosofia das Ciências, outro sobre jardins, e um outro ainda de Bioética. Do segundo ficou o conceito do jardim árabe, que me tornou sensível à presença dos ciprestes nas quintas do Douro. No jardim árabe, os elementos essenciais são o ponto de água (em lago, tanque ou repuxo), o jasmineiro, o pomar de espinho e o cipreste.  O pomar de espinho refere-se às árvores de citrinos, algumas introduzidas a partir de plantas trazidas da China pelos portugueses, caso das laranjas, por isso se chamadas “portukale” e nomes afins em vários países da Europa. A tangerineira evoca a antiga cidade portuguesa em Marrocos, Tânger, e pode ter sido introduzida pelos árabes, tantas vezes intermediários entre o Oriente e o Ocidente e que tanto deixaram na Europa relacionado com a agricultura.

O cipreste, na mente portuguesa, está associado aos cemitérios, por isso não é muito usado como árvore de jardim. As pessoas são supersticiosas, os seus conceitos estéticos decorrem do magistério da Igreja, a mais universal e forte das escolas, para bem ou mal dos nossos pecados. Já a vimos ensinar através das imagens artísticas, mas ela também ensina mediante a utilização simbólica dos elementos da Natureza, e em locais tão distantes da nossa rotina pedagógica como os cemitérios. Já por duas ou três vezes fiz pesquisa em jazigos e sepulturas, para obter informações biográficas e até artísticas. Por isso causa alguma estranheza ver os ciprestes apontados para o céu nas quintas do Douro, e também noutras regiões vinícolas, frente às moradias ou a delinear as fronteiras dos vinhedos.

Na culturas clássica, o cipreste era considerado eixo de ligação entre o céu e a terra, por isso associaram-no a Plutão, deus das zonas ínferas. Mas relaciona-se mais com o céu, pelas virtudes que fazem dele símbolo do espírito e da vida eterna: figura fusiforme, perfume e incorruptibilidade da madeira. O cipreste dura séculos, há mesmo notícia de alguns milenares, daí que a tradição o tenha investido na categoria de símbolo da eternidade.

Fernando Pessoa escreveu um poema intitulado “Na quinta entre ciprestes”, vamos ver se nos ajuda a decifrar o enigma da presença dessa conífera nas vinhas portuguesas: 

Na quinta entre ciprestes

Secaram todas as fontes,

As rosas brancas agrestes

Trazidas do fim dos montes

 

Vós mas tirastes, que as destes...

 

No rio ao pé de salgueiros

Passaram as águas em vão,

Com tristezas de estrangeiros

Passaram pelos salgueiros

As ondas, sem ter razão.  

Poema secreto como um túmulo. Não se relaciona a sua paisagem com a das quintas do Douro, mas oferece-nos o típico cenário de morte a culminar na enigmática árvore. O cipreste é misterioso como os monges de vestido negro. No poema, o segredo vem da falta de referências a uma realidade objetiva: não sabemos a quê ou a quem se referem circunstâncias como a de dar e tirar, e dar e tirar o quê, exatamente, visto que as rosas são apenas máscaras, símbolos do bem oferecido. Então o poema é de luto, porque as rosas foram tiradas a alguém, deixando as ondas a chorar as suas tristezas. Os ciprestes testemunham o caso, enroupados na sua sotaina preta, a ligarem a terra ao céu. Tudo isto é triste e tumular, adapta-se à imagem da necrópole, mas não responde à pergunta: porquê os ciprestes nos vinhedos?

Henrique Dória, poeta, Mestre, viticultor, interpelado sobre o assunto, ensinou algo precioso para a nossa lição: os ciprestes e as roseiras são mais sensíveis que as videiras ao arejo, nome popular de uma série de fungos e outras doenças que atacam as videiras. Então, quando os viticultores dão conta do arejo nos ciprestes, sabem que é o momento de sulfatar.

Esta explicação satisfaz as nossas necessidades práticas de raciocínio mas deixa-nos água na boca da imaginação. Aproveitemos assim a ocasião para fazer um pouco de magistério sobre os privilégios do Mestre: nas escolas públicas, ele tem autoridade sobre o que diz, quer se trate de repetir o que vem nos livros quer de criar informação; do mesmo modo, o Mestre, nas sociedades iniciáticas. A sua principal autoridade diz respeito às coisas do ritual e respetiva simbologia: o Mestre pode e deve interpretar e reinterpretar os símbolos; se tal acontecer, pode receber a luz em sonho, de maneira a esclarecer algum significado perdido ou ignorado. Com diversos objetivos, os poetas surrealistas também recorriam a práticas de adivinhação, à escrita automática e ao sonho – Freud foi um dos seus grandes aliados. Em suma, o Mestre detém autoridade não só para passar a outrem o testemunho do conhecimento, como para criar conhecimento.

Direi então, e nada garante que crie a partir do zero, apenas que estou a revelar o que estava velado, que o cipreste figura nas quintas vinhateiras por ser um símbolo do espírito. Já vimos que ele é alto, esguio, de folha persistente, que é longeva a sua madeira – usa-se muito o termo “incorruptível” no discurso simbólico -, que toca o céu, que liga este à terra pelas raízes, até já apreciámos a sua figura monacal. Cupressus sempervirens, alusão à eterna verdura das folhas, é o nome cientifico dos ciprestes comuns, os que vemos nas vinhas e nos cemitérios.

Tudo isto faz do cipreste um dos mais conhecidos e fortes símbolos do espírito e da vida eterna. Pensemos no espírito, pensemos nas uvas: é com elas que fabricamos as bebidas espirituosas. Os ciprestes protegem e abençoam o fruto que nos dá o espírito de vinho, isto é, o álcool. Nada de mais alquímico para instruir o Aprendiz…

Ana Maria Haddad Baptista, Rosemary Roggero & Jason Mafra (org.)
TEMPO-MEMÓRIA
Perspetivas em Educação
São Paulo, BT Acadêmica, 2015
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Maria Estela Guedes (1947, Britiande / Portugal). Diretora do Triplov

Membro da Associação Portuguesa de Escritores, da Sociedade Portuguesa de Autores, do Centro Interdisciplinar da Universidade de Lisboa e do Instituto São Tomás de Aquino. Directora do TriploV.

LIVROS

“Herberto Helder, Poeta Obscuro”. Moraes Editores, Lisboa, 1979;  “SO2” . Guimarães Editores, Lisboa, 1980; “Eco, Pedras Rolantes”, Ler Editora, Lisboa, 1983; “Crime no Museu de Philosophia Natural”, Guimarães Editores, Lisboa, 1984; “Mário de Sá Carneiro”. Editorial Presença, Lisboa, 1985; “O Lagarto do Âmbar”. Rolim Editora, Lisboa, 1987; “Ernesto de Sousa – Itinerário dos Itinerários”. Galeria Almada Negreiros, Lisboa, 1987 (colaboração e co-organização); “À Sombra de Orpheu”. Guimarães Editores e Associação Portuguesa de Escritores, Lisboa, 1990; “Prof. G. F. Sacarrão”. Lisboa. Museu Nacional de História Natural-Museu Bocage, 1993; “Carbonários : Operação Salamandra: Chioglossa lusitanica Bocage, 1864”. Em colaboração com Nuno Marques Peiriço. Palmela, Contraponto Editora, 1998; “Lápis de Carvão”. Apenas Livros Editora, Lisboa, 2005; “A_maar_gato”. Lisboa, Editorial Minerva, 2005; “À la Carbonara”. Lisboa, Apenas Livros Lda, 2007. Em co-autoria com J.-C. Cabanel & Silvio Luis Benítez Lopez; “A Boba”. Apenas Livros Editora, Lisboa, 2007; “Tríptico a solo”. São Paulo, Editora Escrituras, 2007; “A poesia na Óptica da Óptica”. Lisboa, Apenas Livros Lda, 2008; “Chão de papel”. Apenas Livros Editora, Lisboa. 2009; “Geisers”. Bembibre, Ed. Incomunidade, 2009; “Quem, às portas de Tebas? – Três artistas modernos em Portugal”. Editora Arte-Livros, São Paulo, 2010. “Tango Sebastião”. Apenas Livros Editora, Lisboa. 2010. «A obra ao rubro de Herberto Helder», São Paulo, Editora Escrituras, 1010; "Arboreto». São Paulo, Arte-Livros, 2011; "Risco da terra", Lisboa, Apenas Livros, 2011; "Brasil", São Paulo, Arte-Livros, 2012; "Um bilhete para o Teatro do Céu", Lisboa, Apenas Livros, 2013; Folhas de Flandres,  Lisboa, Apenas Livros, 2014.

ALGUNS COLECTIVOS

"Poem'arte - nas margens da poesia". III Bienal de Poesia de Silves, 2008, Câmara Municipal de Silves. Inclui CDRom homónimo, com poemas ditos pelos elementos do grupo Experiment'arte. “O reverso do olhar”, Exposição Internacional de Surrealismo Actual. Coimbra, 2008; “Os dias do amor - Um poema para cada dia do ano”. Parede, Ministério dos Livros Editores, 2009. Entrada sobre a Carbonária no Dicionário Histórico das Ordens e Instituições Afins em Portugal, Lisboa, Gradiva Editora, 2010; «A minha vida vista do papel», in Ana Maria Haddad Baptista & Rosemary Roggero, Tempo-Memória na Educação. São Paulo, 2014.

TEATRO

Multimedia “O Lagarto do Âmbar, levado à cena em 1987, no ACARTE, Fundação Calouste Gulbenkian, com direcção de Alberto Lopes e interpretação de João Grosso, Ângela Pinto e Maria José Camecelha, e cenografia de Xana; “A Boba”, levado à cena em 2008 no Teatro Experimental de Cascais, com encenação de Carlos Avilez, cenografia de Fernando Alvarez  e interpretação de Maria Vieira. 

 

 




 



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