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REVISTA TRIPLOV
de Artes, Religiões e Ciências

ISSN 2182-147X
NOVA SÉRIE

 

 







Maria Estela Guedes
Foto: Ed. Guimarães

António Ramos Rosa, adeus
 
Morreu hoje, dia 23 de setembro, um dos poetas mais carismáticos da nossa contemporaneidade. Tive a oportunidade de me redimir de discursos mais ligeiros sobre a sua poesia com o texto «António Ramos Rosa: a obra ao verde» (1), conferência proferida na Câmara Municipal de Silves, por ocasião de uma homenagem que lhe foi prestada, inserida na II Bienal de Poesia de Silves, em 2005. Esse texto está em linha no Triplov e também foi publicado na Apenas de Cordel, no caderno «A poesia na óptica da óptica», em 2008. Outros poetas que estudei na óptica da cor foram Fernando Botto Semedo, Henrique Dória, Herberto Helder e Carlos de Oliveira. Ramos Rosa correspondia-se com Botto Semedo, a quem ia dando alento, tal como no Triplov também sempre o acarinhámos, não que a sua poesia precise de bengalas, mas porque o Fernando, agora, por exemplo, e este agora já dura talvez há um ano, recolheu a casa, não atende o telefone, depois de ter declarado aos amigos que ia deixar de ser poeta.

A Henrique Dória não conheço qualquer relacionamento com Ramos Rosa. Herberto Helder e Carlos de Oliveira, sim. Poetas da mesma geração, lutadores anti-ditadura, de forma mais ou menos declarada, politicamente, foram referências literárias e de cidadania muito importantes nas últimas décadas do século XX. Ainda hoje, de resto, Herberto Helder se mantém, pela renúncia à frivolidade da fama e do dinheiro, um exemplo de honorabilidade para muitos de nós.

O meu conhecimento pessoal do poeta é ténue. Estive com ele em algumas ocasiões proporcionadas pela atribuição de prémios da Associação Portuguesa de Escritores, e em alguma delas hei de ter sido membro do júri. Porém o contacto mais privado, por isso mais afetuoso, verificou-se na altura em que fiz a palestra já mencionada, que por isso deixo em link (1), a quem a pretenda conhecer. Em agradecimento, Ramos Rosa mandou-me um dos seus conhecidos desenhos, que tem desde então olhado para mim da parede da sala, e usei na capa de «A poesia na óptica da óptica».

Morreu o cidadão António Ramos Rosa, caso para nos solidarizarmos com a perda sofrida pela família e amigos mais íntimos. O poeta, não. Os poetas não morrem. Ramos Rosa deixou muita poesia, que vai alimentar corações, mentes e teses universitárias durante muito tempo.


Maria Estela Guedes . Casa dos Banhos, 23 de setembro de 2013

Maria Estela Guedes (1947, Britiande / Portugal). Diretora do Triplov

Membro da Associação Portuguesa de Escritores, da Sociedade Portuguesa de Autores, do Centro Interdisciplinar da Universidade de Lisboa e do Instituto São Tomás de Aquino. Directora do TriploV.

LIVROS

“Herberto Helder, Poeta Obscuro”. Moraes Editores, Lisboa, 1979;  “SO2” . Guimarães Editores, Lisboa, 1980; “Eco, Pedras Rolantes”, Ler Editora, Lisboa, 1983; “Crime no Museu de Philosophia Natural”, Guimarães Editores, Lisboa, 1984; “Mário de Sá Carneiro”. Editorial Presença, Lisboa, 1985; “O Lagarto do Âmbar”. Rolim Editora, Lisboa, 1987; “Ernesto de Sousa – Itinerário dos Itinerários”. Galeria Almada Negreiros, Lisboa, 1987 (colaboração e co-organização); “À Sombra de Orpheu”. Guimarães Editores e Associação Portuguesa de Escritores, Lisboa, 1990; “Prof. G. F. Sacarrão”. Lisboa. Museu Nacional de História Natural-Museu Bocage, 1993; “Carbonários : Operação Salamandra: Chioglossa lusitanica Bocage, 1864”. Em colaboração com Nuno Marques Peiriço. Palmela, Contraponto Editora, 1998; “Lápis de Carvão”. Apenas Livros Editora, Lisboa, 2005; “A_maar_gato”. Lisboa, Editorial Minerva, 2005; “À la Carbonara”. Lisboa, Apenas Livros Lda, 2007. Em co-autoria com J.-C. Cabanel & Silvio Luis Benítez Lopez; “A Boba”. Apenas Livros Editora, Lisboa, 2007; “Tríptico a solo”. São Paulo, Editora Escrituras, 2007; “A poesia na Óptica da Óptica”. Lisboa, Apenas Livros Lda, 2008; “Chão de papel”. Apenas Livros Editora, Lisboa. 2009; “Geisers”. Bembibre, Ed. Incomunidade, 2009; “Quem, às portas de Tebas? – Três artistas modernos em Portugal”. Editora Arte-Livros, São Paulo, 2010. “Tango Sebastião”. Apenas Livros Editora, Lisboa. 2010. «A obra ao rubro de Herberto Helder», São Paulo, Editora Escrituras, 1010; "Arboreto». São Paulo, Arte-Livros, 2011; "Risco da terra", Lisboa, Apenas Livros, 2011; Trabalhos da Maçonaria Florestal Carbonária. Lisboa, Apenas Livros, 2012; Brasil, São Paulo, Arte-Livros, 2012. "As Rosas do Freixo", Apenas Livros, Lisboa, 2012; "Brasil", São Paulo, Arte-Livros, 2012; "Um bilhete para o Teatro do Céu", Lisboa, Apenas Livros, 2013.

ALGUNS COLECTIVOS

"Poem'arte - nas margens da poesia". III Bienal de Poesia de Silves, 2008, Câmara Municipal de Silves. Inclui CDRom homónimo, com poemas ditos pelos elementos do grupo Experiment'arte. “O reverso do olhar”, Exposição Internacional de Surrealismo Actual. Coimbra, 2008; “Os dias do amor - Um poema para cada dia do ano”. Parede, Ministério dos Livros Editores, 2009. Entrada sobre a Carbonária no Dicionário Histórico das Ordens e Instituições Afins em Portugal, Lisboa, Gradiva Editora, 2010. "Munditações", de Carlos Silva, 2011. "Se lo dijo a la noche", de Juan Carlos Garcia Hoyuelos, 2011; "O corpo do coração - Horizontes de Amato Lusitano", 2011.

TEATRO

Multimedia “O Lagarto do Âmbar, levado à cena em 1987, no ACARTE, Fundação Calouste Gulbenkian, com direcção de Alberto Lopes e interpretação de João Grosso, Ângela Pinto e Maria José Camecelha, e cenografia de Xana; “A Boba”, levado à cena em 2008 no Teatro Experimental de Cascais, com encenação de Carlos Avilez, cenografia de Fernando Alvarez  e interpretação de Maria Vieira. 

 
 

 

 

 

 

 

 


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