MODELOS CRIMINAIS / O diabo da cabeça
Hélio Rôla (pintura) & Floriano Martins (textos)
19-01-2005
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1 O DIABO DA CABEÇA

O corpo da escrita se desfaz em minhas mãos.

Arte é decomposição? Quais as crenças do artista

em nossos dias? Que idéia faz de si, enquanto

cria como se devolvesse algo a seu dono?:

os corpos decepados da linguagem que fornece

os temores de primeira grandeza: poder, poder,

poder – em cópias sinistras de um medo clássico:

perder a razão. Mas se já se desfez do motivo,

da ciência, do argumento, que espécie de razão

ainda julga reter em suas entranhas? O princípio

dessa arte não passaria de uma moldura, em que

o real é deformado para caber em sua metragem?

Claro que não. Assim estaríamos devolvendo a ele

causa, enredo, juízo – tudo o que mais teme a arte.