HÉLIO RÔLA
Quando é que a arte faz água?

PARQUE DAS ESCULTURAS
 
Recentemente, enviei para uma expressiva lista de endereços daqui e de outras paragens-paraartistas, pintores, poetas, intelectuais, cientistas,    jornalistas, donos de jornal, museólogos, galeristas, administradores, políticos, de direita, de  esquerda, a torto e a direito  e não sei mais o que --um e-mail, com uma observação sobre  o precário estado de conservação em que se encontrava,  e ainda se encontra,  o conjunto de esculturas  de 16 artistas cearenses cujos poucos  restos artísticos,   podem ainda ser vistos no Parque das Esculturas, inaugurado em 1997, na praça que fica   à altura do nº 882 na Rua 25 de Março. Em consequência A TV O Povo se comoveu e dedicou  "uma matéria" exaustiva e pertinente  sobre o assunto. Curioso como pode uma matéria nos revelar um espírito... uma fortaleza que é a nossa debilidade? Até agora, da parte dos artistas envolvidos, 16,  não veio para mim um único comentário, muito menos da parte das autoridades a quem esse "affaire artistique"  poderia dizer respeito. E nem era esse meu objetivo.    Além do que fiz nada mais fiz, nem vou fazer,  salvo esse rolanet agora, ou outros, para reativar o assunto. Afinal, de quem e do que seria a responsabilidade pelo atual estado de arte do parque das esculturas? O que fazer? O que sobrou depõe contra a imagem desejada da Fortaleza Bela. A primeira coisa, me parece, como a maioria das esculturas não mais seguram uma restauração ou reparo -- além daquela que foi feita para que fosse feito o excelente livro Arte Pública de Fortaleza -- seria remover a sucata, fazer uma casqueragem em regra de toda aquela arte decaída e substituí-la por novas réplicas? Não, pois com o tempo tudo aconteceria de novo, o melhor seria mesmo substituí-las por árvores frondosas que trariam muito mais aconchego e bem estar reflexivo aos usuários do parque, do que qualquer escultura trazendo em si a lei do seu decaimento, conceitual e material, bloqueando a paisagem... No lugar do meu cachorro melhor seria que plantássemos uma futura frondosa mangueira...ou um dadivoso pé de jambo. Uma mugumbeiria ou um pé de oití...
 
 
Parque das Esculturas
Lixo cultural?
Que arte é essa culpanheiro?
 
  
A democracia não é uma obra de arte. Muito menos uma árvore frondosa. A democracia é uma câmara escura onde revelamos nosso lado mais negro, toda a perversão que habita em nosso íntimo. Arte ruim também faz água? É a primeira a fazer. Mas a raiz de todo esgoto é mesmo o artista. Mais fácil um político, um padre, um popular, te escrever agradecendo o que fizeste, do que um artista. Daí que eu já saio atirando: se há culpa, a mais recente cabe aos artistas. Abraxas
 
Floriano Martins
Agulha - Revista de Cultura
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Saludos HeRo
 
Som Unicórnio Azul
Silvio Rodriguez
Promova a  a democracia
"A democracia é uma obra de arte" *
 
*Humberto Maturana
 
 
 
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