Mayte Bayon
Mayte Bayon ou as radiografias da vida
NICOLAU SAIÃO

É possível fotografar a alma? Parece que, no mundo da Ciência, as opiniões se dividem: uns asseguram-nos que isso de alma é só mera convenção para  comparticipativas efabulações simbólicas, ao passo que outros, mais desempoeirados no que diz parte a afirmativas religações, navegando pelos mares onde as ilhas fabulosas têm a obstinação de gostar de aparecer, nos dizem com soma de pormenores que essa substância etérea é mais consistente que a realidade real dos séculos.

Pode, portanto, fotografar-se a alma? Não o iria jurar. No entanto tenho para mim que, embora duma forma muito própria, inconvencional e matérica, há frequentações pelo menos aproximativas. No continente, está de ver, onde cobram existência civil os mitos, as lendas, as deambulações comezinhas de gente com uma forma muito peculiar e espiritual de se deslocar através do espaço e do tempo – aqueles que, sendo pintores e poetas das mais desvairadas congeminações, exercem no quotidiano o seu múnus inquietante ou sedutor.

Mayte Bayon, através das obras onde se inscreve, até mediante as cores com que as constrói, uma aparente estranheza que, no fundo, aponta para os dias e as horas de quem se interroga sob o firmamento do quotidiano mais habitual, se não nos dá a foto reconhecível da alma, das almas do mundo, patenteia-nos indubitavelmente as radiografias de seres inventados, de seres inteiramente fantasiados - ou seja: mais reais que as figuras fortuitas que passam por nós numa megalópole ou num terrain vague e, em questão de horas, desaparecem para sempre e apenas deixam um resíduo nos nossos olhos interiores, lugares onde os símbolos e as realidades se encontram como num universo absoluta e simplesmente imaginário.

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