INDICEIII - A Fundação do Grande Oriente do Brasil IV - Atuação e Personalidades da Maçonaria V - A Reinstalação do Grande Oriente do Brasil VI - A Maçonaria e a Colonização Alemã no Vale dos Sinos MAÇONS ILUSTRES NO BRASIL, COM GRANDES SERVIÇOS PRESTADOS À PÁTRIA ANEXOS -> TABELA I TABELA II TABELA III |
VI - A Maçonaria e a Colonização Alemã no Vale dos Sinos |
Este ano comemora os 180 anos da imigração alemã, certamente muitos perguntam quem foram os responsáveis por trazer colonizadores alemães para o Estado. Esta resposta é dada por Carlos H. Oberacker, o classificou como "Criador da Primeira Corrente Imigratória Alemã para o Brasil". O homem chamava-se "Jorge Antônio von Schaeffer" era maçom e como tal trabalhou para uma causa, a qual ele mesmo dizia ser para o bem de milhares de pessoas que estavam em más condições na época na Alemanha. Não encontramos onde Shaeffer foi iniciado na Ordem, o que pode ter ocorrido quando ainda estava na Europa, antes de vir para o Brasil, ou ainda logo que chegou em abril de 1818. Oberacker confirma em seu livro (Anotações bibliográficas nº 4 ), que ele era maçom, baseado na prova do panfleto de autoria de Ivan Ivanowitsch onde afirma, "Der brasilianische Major von Schaeffer als Maurer Betrachtet mit Ruecksicht auf Kühls Schrift" e no panfleto do capitão Johann Joaquim Kühl, " Welche Hoffnungen erwarte der Deutschen in Brasilian" (1825) Ambos atacam Schaeffer de ter traído os princípios da maçonaria, exigindo inclusive a sua expulsão da Ordem. Schaeffer nasceu na cidade de Münnerstadt na Franconia, hoje Baviera, no dia 7 de janeiro de 1779, sendo o nono filho de Nikolaus e Margareth Schaeffer, e como toda a família Jorge recebeu uma boa educação, cursando uma escola latina e depois em Würzburg estudou farmacologia, profissão que passou a exercer na Hungria e na Galícia. Em 1804 passou a trabalhar como médico auxiliar no hospital de Würzburg, quando em 4 de Janeiro de 1808 recebeu sua licença para exercer a profissão. Por motivos políticos emigrou para a Rússia, onde na cidade de São Petersburgo exerceu a profissão de médico militar até 1812, quando passou para a polícia de Moscou. Pelo seu trabalho foi enobrecido pelo Czar, com o titulo de Barão von Schaeffer. No ano de 1813, passou a participar como medico e naturalista na expedição de exploração que a companhia Russo-Americana de Comercio, empreendeu no Alasca, obtendo grandes sucessos nas Ilhas do Havaí. Depois esteve na Áustria e na China e daí por um navio português veio ao Rio de Janeiro, aonde chegou em abril de 1814. Logo que aqui chegou ofereceu para a Princesa Leopoldina, sementes de plantas exóticas que trousse da China e do Alasca, conquistando a amizade da Princesa, conforme ela diz na carta que enviou para sua irmã Maria Luiza, onde diz ser Schaeffer pessoa de inteira confiança da Corte, carta essa de 01/08/1823, da qual Schaeffer foi portador, quando voltou para a Europa com o fim de iniciar sua missão de arregimentar colonos e militares para a formação do Batalhão de Estrangeiros inspirado por D. Pedro. Por esta carta conclui-se que Schaeffer estava bem por dentro da situação do país, porque nela escreve a Princesa a sua irmã de que Schaeffer a colocaria a par dos acontecimentos no Brasil. Quando o maçom José Bonifácio recomendou a D. Pedro I, o nome de Schaeffer para dar cumprimento a missão de angariar mercenários e militares, já o conhecia bem e tinha total confiança nele. Ambos tinham realizado trabalhos como naturalistas e com idéias de colonização e povoamento do interior do Brasil. O Documento dando as instruções a Schaeffer está no fim deste trabalho. Curioso é que Schaeffer em um relatório que encaminhou para José Bonifácio recomendou que transferisse a capital para o interior de Minas Gerais, e indicou como o melhor local entre os 15º e 16º de latitude meridional, e 47º e 48º de latitude ocidental. Local este exatamente onde esta hoje localizada a cidade de Brasília. Até hoje muito pouco foi pesquisado em torno da vida de Schaeffer, inclusive como maçom, mas foi uma pessoa que esteve em evidencia na época da Proclamação da Independência do Brasil, estando assim aberta uma janela para a pesquisa e esclarecimentos sobre os fatos que marcaram a História da Colonização Alemã no Rio Grande do Sul, e a influência da Maçonaria na mesma. A história da colonização alemã no Vale dos Sinos, uma região que era formada por mais de uma dezena dos municípios hoje existentes e que na ocasião era só um município tendo como berço inicial a cidade de São Leopoldo, onde no dia 25 de julho de 1824, desembarcaram os primeiros imigrantes alemães, vindos de Hamburgo, no navio "Anna Louise", até o Rio de Janeiro, a daí até Porto Alegre aonde chegaram em 18 de julho. Vieram para São Leopoldo somente 38 pessoas, das 326 que embarcaram na Alemanha no inicio da viagem. Baseado em uma divergência tão grande dos que lá embarcaram, com os que aqui chegaram, foi o que nos levou a perguntar, onde ficaram os demais? A resposta é, ficaram no Rio de Janeiro, pois eram militares e foram incorporados no exército, no Batalhão de Estrangeiros, conforme podemos verificar que a colonização alemã teve como marco inicial os acontecimentos que marcaram a declaração da Independência do Brasil. Tudo teve inicio quando D. Pedro I, nosso irmão Guatimozin, em junho de 1822, atuando ainda como Príncipe Regente, isto dois meses antes de ingressar na Ordem, o que ocorreu em 02 de agosto de 1822, junto com José Bonifácio, que então já fora aclamado Grão Mestre do Grande Oriente Brasileirense, resolveram que havia necessidade da formação de um exército, no qual os seus integrantes não fossem subordinados à coroa de Portugal, uma vez que a independência já estava sendo preparada e em fase de ser consolidada. Este exército deveria ser formado por soldados contratados para garantir a segurança nacional uma vez declarada a independência. Naquela época, contratar oficiais e soldados eram como hoje é feito com jogadores de futebol, ingressa-se para lutar pelo lado que pagasse mais. Mas também havia a necessidade de um empresário que tivesse condições de assumir tamanha tarefa, que conhecesse bem a Europa, principalmente a Alemanha, tivesse interesse em trabalhar pela imigração, que fosse de inteira confiança e naturalmente que também fosse maçom. Este homem existia, estava no Brasil, era alemão e já pertencia à guarda particular da Princesa Dona Leopoldina, já radicado no país desde o ano de 1818, e seu nome era Jorge Antônio von Schaeffer, que já havia passado no Brasil em 1814, quando a serviço de uma Companhia Russo-Americana, que estava incumbida de fazer uma exploração na costa do Alasca. Schaeffer atuava como médico e naturalista do corpo cientifico desta expedição. Resolveu radicar-se no Brasil, tendo inclusive lhe sido prometido uma concessão de terras para fazer uma pequena colônia a que deu o nome de Frankental, onde instalou quatro famílias no total de vinte pessoas, que trouxe consigo da Alemanha. Mais tarde em um livro que escreveu, Schaeffer disse que já no ano de 1824, na colônia que havia fundado haviam plantado mais de 16.000 pés de café, isto sem mão de obra de escravos africanos, o que sem dúvida foi algo de muita significação, quando até então as colônias de portugueses só usavam mão de obra escrava para este trabalho. Schaeffer permaneceu pouco tempo em Frankental, já que a pedido da Princesa Real, passou a atuar no seu serviço da guarda particular, ficando a colônia na direção de seu amigo que veio junto da Alemanha, Johann Philipp Hennlig, também influenciado na agricultura sem trabalho escravo. A importância deste fato é que só em 1866, portanto 45 anos após é que D. Pedro I dirigiu uma consulta ao Conselho de Estado, perguntando quais as medidas adequadas para abolir a escravidão, a qual somente foi executada em 13 de maio de 1888, (67 anos após), depois de muito trabalho da maçonaria e de irmãos maçons, ato que foi decretado pela Princesa Isabel. Escreveu Oberacker: "Como maçom, Schaeffer acreditava nos princípios da solidariedade humana" da mesma maneira como muitos outros brasileiros que estavam convencidos de que bastaria conseguir a autonomia política para que o país enveredasse no caminho de um maravilhoso progresso. Assim Schaeffer não vacilou, quando foi convidado e aceitou de imediato a missão, entusiasmado que era pela imigração em massa, conforme demonstrou em uma carta que escreveu a D. Pedro I, em junho de 1825, onde diz: "A imigração seria para um bem para milhares de alemães" e em outra carta, "O aumento de população seria de suma importância para o Brasil, pois só dela poderia resultar o rápido crescimento e prosperidade de país". Pelas correspondências existentes de Schaeffer para o Imperador, fica comprovado que sua inspiração maior era em termos de imigração de colonos, agricultores e artesãos, com a finalidade de eliminar aos poucos e trabalho escravo, como escreveu: "Com a imigração aos poucos os habitantes originários do país se chegarão aos colonos alemães, passando a tomar seus costumes, modos e artes e com um adequado tratamento humano far-se-ão em pouco tempo, homens cultos e fieis a Vossa Majestade Imperial". Hoje ao analisarmos atitudes como essa, de um irmão que já refletia em seus pensamentos, o que hoje é tão falado, como a defesa dos direitos humanos, o que outrora na maçonaria ou entre os maçons já empregavam, como os direitos de liberdade e igualdade, de pensamento e opinião, o que os homens não entendiam, mas a maçonaria já assim doutrinava, como escreveu Schaeffer, que, considerava a colonização como um meio de combater e vencer a anti-humanitária dos negros africanos, a qual seria eliminada com a instalação de colônias agrícolas. Oberacker escreveu que: "Schaeffer tinha uma nítida idéia humanitária da colonização, porque queria dar aos imigrantes melhores condições de vida, promover os habitantes originários, reprimir a escravidão e apressar o desenvolvimento do país". Mas as coisas não correram inteiramente como eram os seus planos, porque tão logo chegou à Alemanha, passou a receber ordens que só enviasse soldados e tropas para a formação da Guarda Nacional, o que foi obrigado a cumprir, mesmo não sendo esta a sua idéia, porque como sempre dizia nas cartas enviadas ao Imperador. "Sou um servo de sua Majestade, para o qual cumpro ordens". O interesse do novo Império não era de aliciar colonos, mas sim de soldados destinados a integrar o Corpo de Estrangeiros que estava em formação no Rio de Janeiro a partir de 1823, com a finalidade única de garantir militarmente a Independência que era reprimida por Lisboa no início, por pensarem ser somente uma simples rebelião, a qual logo seria derrubada. Grande dificuldade encontrou Schaeffer para angariar militares na Europa, onde existia nos meios oficiais, proibição para imigração de soldados. Isto foi proibido na Europa depois da derrota de Napoleão, quando Metternich defendia os sagrados interesses dos paises que não queriam que se formasse outro ditador no mundo. Em carta que escreveu de Hamburgo em 14/09/1824, Schaeffer fez ver as dificuldades de sua missão, onde escreveu: "Sou obrigado a fazer o recrutamento em caráter secreto e á guisa do agenciamento de agricultores" os que de certo modo lhe agradava, pois assim satisfazia seus anseios e os desejos de D. Leopoldina. Mas os jornais na Europa logo descobriram o embuste de que era obrigado a fazer, passando a combatê-lo, sem que pudesse defender-se a fim de não prejudicar ainda mais sua difícil missão. Alegando que não era permitida a remessa de militares e para camuflar os que o combatiam, usou como alternativa a inclusão de rapazes solteiros com as famílias dos agricultores e eram designados, aparecendo nas listas, como caçadores, como consta em muitas relações de imigração, a exemplo dos passageiros do navio Germânia, onde apareceram com a profissão de "caçador", 171 imigrantes. Na Alemanha não era somente proibida a propaganda de emigração de militares, como também civis, o que era considerado uma perda de mão de obra e um prejuízo para o Estado. Tão logo o movimento passou a crescer, as dificuldades também foram aumentando. Na Alemanha, onde surgiram pela primeira vez as expressões em que diversos autores passaram a usar, como sendo Schaeffer, "Vendedor de almas, ou aventureiro internacional, títulos que argumentou mais tarde a D. Pedro:"Que Vossa Majestade Imperial, se digne conservar minha honra e que não me abandone aos meus inimigos que criei no serviço de V.M.I. Mesmo com todas as dificuldades iniciais, a corrente de imigração começou a aumentar e o que de inicio era difícil, angariar pessoas dispostas a tamanha aventura, passou a inverter-se, não faltando mais gente desejosa de começar nova vida, passando a apresentar-se voluntariamente sem serem convocados, o que obrigava Schaeffer a hospedá-los, enquanto providenciava as viagens. Foi aí que começaram a aparecer os primeiros problemas financeiros, uma vez que tudo isto custava muito dinheiro, o que parece não era bem entendido pelas autoridades aqui no Brasil, onde achavam que bastava colocar as pessoas no navio e mandar embora. Os aborrecimentos passaram a aumentar pela falta de dinheiro, as expedições eram organizadas e o dinheiro custava a chegar, obrigando-o em contrair empréstimos e a fazer dívidas, como podemos ler no livro de Oberacker: "Quando isto ocorria, Schaeffer se socorria em seus amigos maçônicos," Entre eles menciona Schaeffer em suas cartas: "O comerciante de Hamburgo, Joham Wanzeslau Neumann, que lhe deu crédito necessário para despachar o navio Caroline, e do qual em seu Oficio ao Imperador em 22/09/1828, menciona que o cidadão Neumann", que o socorreu por diversas vezes em dinheiro, e com sua proteção como diz na carta: "Visto me ter achado abandonado pelo Brasil". Também faz referencia a outros amigos ou irmãos que o ajudaram, entre eles destaca: O conselheiro de Estado Dr Silierling von Swartendryk de Hamburgo, do qual diz: "Muitas vezes me socorreu com seus bens e o prestigio de sua pessoa para me por na possibilidade de mandar a V.M. a gente"" (referindo-se aos imigrantes). , e também cita o nome de sua irmã que empenhou todos os seus bens para salvar a honra do Brasil, fato comprovado em cartório, e ainda o Conde von Brücher de Altona, o Senador Dr. Albendroth, o Capitão de Cavalaria Hanfft, o Conselheiro Mecklenburg, os comerciantes de Hamburgo, os irmãos Brödermenn, o Conde Max von Eilking de Bremen, o Cavalheiro von Rumann, diretor da cidade de Hanover, o Conselheiro do Real Tribunal Superior de Munique, o Conde Max von Eilking de Bremen, o Cavalheiro von Rumann, diretor da cidade de Hanover, o Conselhgeiro do Real Tribunal Superior de Munique, Dr Aloísio von Seiling, o seu primo Michel Schaeffer, e outros. Carlos H. Hunsche, escreveu no "Biênio 1824/25" quando faz comparação do sucesso da imigração alemã no Rio Grande do Sul, em relação a outra tentativas mal sucedidas, o seguinte: "Todas estas causas, minifúndio, clima e terras cobertas de bosques, foram importantes e contribuíram, sem dúvida para o florescimento da colonização alemã no sul. Mas a maior e mais importante das causas foi uma especial constelação humana, única em seu gênero, que existiu no começo da colonização, não mais se repetindo em toda a história da colonização". Foi quando também comparou a máquina genial dos que trabalharam e se dedicaram pelo sucesso, citando os seguintes personagens, todos eles maçons: Major Jorge Antônio Von Schaeffer , o personagem deste trabalho, Monsenhor Pedro Machado Miranda Malheiro, inspetor da Colonização Estrangeira, nomeado por D. Pedro em 23 de dezembro de 1823, José Feliciano Fernandes Pinheiro, presidente da Província de São Pedro do RGS., mais tarde, Visconde de São Leopoldo, o Dr João Daniel Hillebrand, fundador da |Loja União e Fraternidade, que existiu em São Leopoldo e, até 1848, e que trabalhou toda sua vida em prol dos habitantes do Vale dos Sinos, e que após sua morte foi chamado pelo Irmão Karl von Koseritz, o Patriarca de São Leopoldo. A atuação de Schaeffer não foi só de angariar gente para imigração, outras funções importantes teve que desempenhar, com as instruções especiais e secretas que estão contidas em documento que recebeu de José Bonifácio em 21 de agosto de 1822, dezesseis dias antes da declaração da Independência, onde diz: "É tarefa de Vossa Mercê convencer com habilidade os governos da Europa, para que eles e mesmo a Santa Aliança, reconheçam para o seu próprio interesse em auxiliar a revolução do Príncipe Regente e enviar representantes diplomáticos, imediatamente". (Escreveu Oberacker). Schaeffer foi um grande colaborador de D. Pedro, trabalhou e procurou cumprir seus compromissos, perante as autoridades do Brasil e do Exterior, todas as dificuldades eram solucionadas com inteligência, não mediu dificuldades, lutou, organizou e conseguiu enviar as 24 expedições de soldados, colonos e rapazes solteiros para a formação do Batalhão de Estrangeiros. Algumas soluções não foram bem vistas, como o aliciamento de reclusos das casas de correção, o que não se repetiu, tão logo recebeu solicitação de Monsenhor Miranda, o inspetor da colonização, pedindo que não mais enviasse. Schaeffer imediatamente cumpriu. Nem todas as viagens correram sem contratempos. O caso mais dramático, da travessia pelo navio Germânia, em que veio o Coronel João Daniel Hillebrand que, por motivo provocado por elementos que foram recrutados de prisões, aos quais foram dadas oportunidades de começar vida nova, não souberam dar o devido valor a este ensejo, o que terminou com a execução de oito recrutas, durante a travessia para o Brasil. Este navio contou com 343 imigrantes, dos quais 177 eram soldados e destes 24 eram ex-reclusos, dos quais 5 foram os cabeças da rebelião. Dos passageiros do Germânia somente 66 pessoas chegaram à colônia de São Leopoldo, os restantes ficaram no Rio de Janeiro e incorporados ao exército, conforme escreveu Oberacker. Hunsche, em o "Biênio" conta assim a história dramática do navio Germânia: "O navio que havia partido de Hamburgo em princípios de junho de 1824, tinha entre seus passageiros um bom número de marginais entre os soldados angariados. Quando o veleiro ainda estava ancorado em Giückstadt, na emboscada do rio Elba, no norte de Hamburgo, um dos recrutas já pretendeu incendiar o barco. O comandante da tropa Tenente von Kiesewetter, natural de Meckiemburgo, um militar ríspido, que não gozava da simpatia da tropa e sem a necessária habilidade de tratamento dos recrutas, foi apontado como responsável". Durante a travessia houve muita discussão e até mesmo insultos e injúrias, sob o efeito de grandes doses de aguardente. Os soldados queixavam-se da comida, do tratamento demasiado severo e queriam ser livres como os colonos que, tendo pago, eram melhor tratados. Numa noite tempestuosa de sexta feira, quando o barco encontrava-se no Golfo de Biscaia, no dia 02 de abril de 1824 o descontentamento dos soldados tornou-se tão grande que acabou em revolta. A intenção do chefe dos revoltosos, o ex-guarda Rasch, era de liquidar os dirigentes do barco, jogando-os no mar para apoderar-se do navio. Mas graças à vigilância do caçador Bischoff, o motim foi descoberto. Ao verem o seu plano fracassado e os canos de espingarda dirigidos para eles, os rebeldes disseram manterem-se submissos, sendo desarmados e levados à prisão em um camarote do barco. Os presos foram interrogados e julgados, mas mesmo assim não conformados tentaram novamente em 05 de julho nova rebelião e novamente impedidos, pela atuação do cabo Eifers, foram pela segunda vez presos, e uma comissão de julgamento, organizada para garantir a ordem e segurança do barco, esta condenou os amotinados a morte por fuzilamento, o que foi executado, após ainda a concordância de todos os demais passageiros do navio. Schaeffer sofreu muitas controvérsias de ordens e instruções que recebia, o que o deixou muitas vezes, sem saber como proceder. A certa altura recebeu instruções do Ministro dos Negócios Estrangeiros do Rio de Janeiro, mandando suspender a remessa de mais soldados, para logo após receber uma ordem em contrário do Imperador, onde em carta afirma taxativamente. "Quero que mande e por esta lhe encomendo, mais 3000 soldados, e faça de conta que não recebeu ordens para não mandar". "Mande, mande e mande, pois lhe ordeno que quem há de desculpar e premiar, é seu Imperador". Acontecia que o próprio Imperador não tinha uma total segurança para com os seus ministros, e só acreditava que sua total segurança estava na dependência dos batalhões, que não tivessem nenhum vinculo com a coroa de Portugal. De qualquer forma tanto a imigração de militares ou civis, veio trazer para o Brasil, vantagens idênticas. Os rapazes solteiros, os soldados e oficiais que foram incorporados no exército para garantir os princípios que nortearam a independência, os quais mais tarde, mesmo continuando ou não no exército, ficaram quase todos aqui, para tornarem-se cidadãos brasileiros, ou aqueles que imigraram como agricultores e a quem devemos a colonização deste Vale dos Sinos, que com suas famílias foram aumentando, depois se espalharam por outras regiões e até em outros Estados, para trazer o progresso e desenvolvimento no sul do Brasil. Devemos a Schaeffer pela idealização da colonização alemã, da qual foi pioneiro e que conseguiu realizar, pela sua imaginação de que na impossibilidade de enviar somente soldados, como era o desejo de D. Pedro e José Bonifácio, e assim realizar o seu sonho e a vontade da Princesa Leopoldina, pois não fosse isso não teria empenhado com tanta vontade, nesta missão de imigração. Para comprovar esta verdade, Oberacker transcreveu em seu livro a idéia colonizadora de Schaeffer, copiada das cartas que escreveu a D. Pedro, em 20 de agosto de 1825, como também a missão que deu ao irmão maçom Johann Hanfft, quando o enviou ao Brasil para tentar convencer D. Pedro da grande utilidade de seu projeto, no qual não menciona a remessa de soldados, mas sim de famílias que esperam encontrar uma nova oportunidade de vida, e para qual idealizava uma verdadeira imigração em grande escala e assim ajudar a povoar este imenso território com imigrantes europeus. Hoje, quando analisada a situação daquela ocasião, chegamos à conclusão de que a colonização alemã não foi nada mais do que uma conseqüência da necessidade de arregimentar soldados, para a formação de batalhões que fossem fiéis a Coroa e assim garantir a proclamação da Independência do Brasil. Portanto a colonização alemã no Vale dos Sinos, não foi nada mais do que a solução para a colocação dos imigrantes, aos quais não havendo onde instalar foram remetidos para o Rio Grande do Sul e alijados na antiga e fracassada Feitoria do Linho-Cânhego, extinta pelos altos prejuízos que vinha trazendo para a Coroa, principalmente após a morte de administrador, Padre Cruz. Assim no ano de 1822, com a transformação política do país, a Feitoria passou a denominar-se "Imperial do Linho Cânhamo" e não havendo mais esperanças pela sua recuperação, foi extinta em 31 /03/1824, por Tomaz de Lima, e os escravos ainda existentes remetidos para o Rio de Janeiro. Nos quatro anos, de 1824 a 1828, Schaeffer transferiu para o Brasil mais de 6000 pessoas, mais da metade, rapazes solteiros e soldados, que ao chegarem no Rio de Janeiro, foram recrutados. Poucos vierem para São Leopoldo, muitos ficaram no Rio ou em Porto Alegre, mesmo assim aqueles que se instalaram no Vale dos Sinos e que no inicio só preocuparam-se com as plantações, para depois passar á comercialização e mais tarde instalando indústrias, fizeram de uma região que não servia para nada, em uma das progressistas e atuantes regiões do Brasil. Quando começaram a chegar as embarcações, D. Pedro muito satisfeito com o trabalho de Schaeffer, agradeceu pelo que vinha realizando e como prova de seu reconhecimento, concedeu-lhe o titulo de "Oficial da Ordem do Cruzeiro", em 31/03/1825, e mais tarde promoveu-o como Encarregado dos Negócios do Império, junto à Confederação alemã em Frankfurt. Nesse seu exaustivo trabalho, em 1827, cansado e doente ainda não havia desanimado, Schaeffer depois de uma viagem pelos estados da Alemanha, convenceu-se mais uma vez de que havia ainda milhares de alemães com desejo de emigrarem para o Brasil. Foi então que resolveu, conforme relata Oberacker, de que pessoalmente fazer uma nova tentativa junto a D. Pedro, para convencê-lo da utilidade de uma colonização em massa. Assim, pedindo licença para viajar ao Rio de Janeiro, desembarcou na Guanabara em 02/07/1828, ciente de que tinha argumentos suficientes para convencer D. Pedro. Sua sorte, porém, já estava decidida, porque D. Pedro levado pelos ministros, perdera o interesse pela contratação de mais soldados e em conseqüência pela imigração em geral. Estava assim decretado o fim de Schaeffer e, conforme seus relatos posteriores, desacreditado, chamado de embusteiro, vendedor de almas e sua honra destruída, junto aos Estados da Alemanha. Verificamos pelos seus dramáticos apelos que fez a D. Pedro, que a causa não estava boa para seu lado e assim disse: "Que sua V.M.I. se digne conservar a minha honra e não me abandone aos meus inimigos que criei no serviço de V.M.I". Pede que lhe dê condições de pagar os empréstimos que foi obrigado a fazer em nome da Coroa, e uma pensão para poder terminar seus últimos dias numa vida mais tranqüila. Em Petrópolis, no Rio de Janeiro, encontram-se no Arquivo Imperial, quase todos os documentos escritos por Schaeffer e D. Pedro. Consta uma carta pedindo a D.Pedro, que "se recompensasse a alguns de seus amigos que prestaram serviços ao Brasil" na sua missão de imigração. Chegou a pedir a mudança de seu nome, que como dizia, estava desmoralizado por atitudes que teve de tomar em prol do país, requereu ainda sua transferência da Guarda de Honra, para o Exército. Escreve Oberacker que a única "graça" que recebeu de D.Pedro, foi a "carta de honra" e o pagamento de seus credores, assim como dotação para não sofrer na velhice por falta de recursos, o que não está confirmado que realmente os recebeu. A última carta encontrada de Schaeffer a D. Pedro é datada de 12/11/1829, na qual roga um emprego diplomático na Baviera ou em Hanover, para como diz: "Aliviar um coração sofrendo e continuar os seus dias por mais uns dez anos". Oberacker escreveu que o verdadeiro fim de Schaeffer não é conhecido, teria terminado sua vida em Frankental, na colônia que fundou, ou na Alemanha. Por pior que pintaram este irmão, com todos os apelidos com que diversos escritores o trataram, devemos compreender que para a situação da época, o seu trabalho deve ser considerado meritório e talvez sua missão não foi mais longa, pela situação precária do país, onde o Imperador e seus Ministros não se entendiam. Este resumo da história da imigração alemã no Rio Grande do Sul, cujo criador foi um irmão maçom e que no final, solitário e abandonado sofreu as conseqüências da ingratidão humana, tem como fim esclarecer que pelas suas atitudes é que hoje devemos o desenvolvimento desta região. Seu nome não é lembrado nem sequer uma rua ou monumento em alguma das cidades da região. Oberacker e Hunche, de onde coletamos os dados deste relato afirmaram que Schaeffer foi o "Criador da primeira corrente imigratória alemã para o Brasil". Este irmão maçom que devemos grande parcela de criação de mais de 20 cidades colonizadas por alemães, iniciadas em 25 de julho de 1824, quando aqui chegaram os primeiros imigrantes. Ele foi o motor da imigração alemã no Estado, e por aqueles que ficaram no Rio de Janeiro que foram recrutados para o Batalhão de Estrangeiros, e depois ficaram dispersos pelo Brasil afora. O Primeiro documento do qual nasceu a Colonização Alemã no Vale dos Sinos. Correspondência arquivada no Ministério das Relações Exteriores, com as instruções dadas ao Sr. Jorge Antônio von Schaeffer, encarregado da remessa de imigrantes Alemães para o Brasil. Arquivo (vol.192- ano 1826) Escreveu: José Bonifácio de Andrada e Silva. 21 de agosto de 1822. Instruções particulares para servirem de regulamento ao Sr. Jorge Antônio von Schaefer, na missão com que parte desta Corte, para Viena na Áustria e outros Estados. |
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