| III - A Fundação do Grande Oriente do Brasil IV - Atuação e Personalidades da Maçonaria V - A Reinstalação do Grande Oriente do Brasil VI - A Maçonaria e a Colonização Alemã no Vale dos Sinos MAÇONS ILUSTRES NO BRASIL, COM GRANDES SERVIÇOS PRESTADOS À PÁTRIA ANEXOS -> TABELA I TABELA II TABELA III |
II - Desenvolvimento |
Acredita-se que as primeiras "Lojas Maçônicas" no Brasil datam da Conjuração Mineira (1786 - 1789) - História do Brasil Reino e Brasil Império (Dr. Alexandre José de Mello Moraes) (10): "Os conjurados eram não mais que dez ou doze, inclusive o denunciante deles (Joaquim Silvério), pretendendo formar uma república à imitação dos ingleses, se reuniam em assembléias e conventículos, nas casas de uns e outros, sem reserva nem cautela". Embora que alguns deles fossem maçons, não há características de lojas maçônicas e sim, apenas reuniões de elementos para uma conspiração. "Desde a vinda da Família Real portuguesa em 1808, o Brasil começou seu processo de independência do Reino de Portugal. A data da abertura dos portos do Brasil ao comércio direto com as nações amigas, em 28 de janeiro de 1808, em Carta-Régia assinada pelo Príncipe-Regente D. João, pode ser vista como o marco inicial nesse processo de independência; a elevação do Brasil a Reino Unido a Portugal e Algarves, com direito à bandeira e ao escudo, eliminando-se, o status colonial, devido à carta de lei de 13 de maio de 1816, assinada, já agora pelo rei D. João VI". (8) Grandes instituições são fundadas nessa época: Escola de Medicina, Real Teatro São João, Banco do Brasil, Escola de Belas-Artes, Academia de Marinha, Conselho Militar, Biblioteca Real, Jardim Botânico, Imprensa Régia, dando início o jornalismo na Terra de Santa Cruz. (9) A primeira Loja Maçônica Regular do Brasil foi a "REUNIÃO", fundada em 1801, no Rio de Janeiro, regularizada pelo Grande Oriente de Île de France, movida pela liturgia e com fins político-sociais. Representado pelo cavaleiro Laurent, que presidira a sua instalação, emitiu a "carta de reconhecimento e filiação". Teve como objetivo principal, acabar com o regime colonial português. A seguir foram criadas as Lojas "CONSTÂNCIA" e "FILANTRÓPICA", filiadas ao Gr\Or\Lusitano, que serviram de centro comum para todos os Maçons do Rio de Janeiro. Segundo Manoel Arão, em História da Maçonaria no Brasil (Recife-1926), diz haver aí um engano, já que, em 1803, ainda não existia o Grande Oriente Lusitano, o qual só viria a ser constituído em 1806, quando foi promulgada a constituição da Maçonaria portuguesa. Existia em 1804, uma Grande Loja, dirigida por Sebastião Sampaio, a qual não tinha legalidade constitucional, mas deveria ser Maçom ligado a outras Obediências e interessado em propagar as idéias maçônicas no Brasil. (1) As "Lojas" anteriores não eram regulares e funcionavam mais como clubes ou academias, como "Areópago de Itambé" na divisa das províncias de Pernambuco e Paraíba, fundada por Arruda Câmara - ex-frade carmelita e médico pela Faculdade de Montpellier, na França. O mesmo sucede com a ACADEMIA SUASSUNA, em Pernambuco, fundada, provavelmente, em 1802. A Loja "Cavaleiros da Luz", fundada na povoação da Barra na Bahia, teve suas primeiras Sessões (anteriores à fundação) a bordo da fragata "La Preneuse", ancorada na Bahia no início de julho de 1797, sob o comando de monsieur Larcher. Participaram dessas primeiras reuniões os homens mais esclarecidos da terra, como Cypriano Barata, José da Silva Lisboa, Francisco Muniz Barreto, padre Francisco Agostinho Gomes, Ignácio Bulcão, José Borges de Barros, Domingos da Silva Lisboa e tenente Hermógenes de Aguiar Pantoja. Em 14/07/1797 esses espíritos libertários, impregnados pelo ideário da Revolução Francesa, fundaram essa Loja. (1) A partir de 1797, depois do fracasso da conjuração mineira, as idéias libertárias voltaram a tomar força, principalmente na Bahia, através de José da Silva Lisboa, aliado a Francisco Agostinho Gomes, a Arruda Câmara (que acompanhara José Bonifácio em sua viagem à Europa), a Pereira Tinoco, a Mello Montenegro, a Velho Cardoso (fundador da "Areópago de Itambé" divisa de Pernambuco - Paraíba). Vale ressaltar a atuação do maçom Hipólito da Costa - Patriarca da Imprensa Brasileira - que partiu para Londres, em abril de 1802, com o propósito de negociar, com a Grande Loja inglesa, o reconhecimento de uma Grande Loja em Portugal, em face da existência de quatro Lojas já estruturadas numa Grande Loja. Em 25/04/1804, foi assinado um tratado entre os Grandes Orientes da França e de Portugal, embora rapidamente ratificada por Lisboa, teve a sua ratificação adiada por Paris. Em 1806 o processo foi arquivado, devido aos acontecimentos políticos - bloqueio continental da Inglaterra e na invasão de Portugal pelas tropas napoleônicas de Junot, com a conseqüente fuga da família real portuguesa para o Brasil. A Loja de São João "Comércio e Artes", instalada em novembro de 1815, foi obrigada a abater colunas devido às perseguições, tendo sido queimadas as suas atas. A sua reinstalação ocorreu em 24/06/1821, após um jantar na casa do Capitão-de-Mar-e-Guerra José Domingos de Ataíde Moncorvo, na Rua do Fogo (Andradas), entre a Rua das Violas (Teófilo Otoni) e Rua Estreita de São Joaquim (Marechal Floriano), Rio de Janeiro. Essa Loja se instalou sob os auspícios do Gr\Or\de Portugal, Brazil e Algarves, que tinha o nome de Grande Oriente Lusitano. (4) A Revolução Pernambucana de 1817 foi um movimento revolucionário, de caráter fortemente nacionalista, feito no sentido de implantar a República em Pernambuco. Contou com grande participação maçônica, a começar pelo seu líder, Domingos José Martins, proprietário de uma firma de importação e exportação, a qual o obrigava a constantes viagens à Inglaterra. Aí, acabaria entrando em contato com agrupamentos maçônicos e sendo iniciado na Maçonaria, levado por Hipólito da Costa e Francisco Miranda, o grande líder da emancipação da América espanhola, em 1812. A reação ao movimento revolucionário foi articulada pelo conde dos Arcos, então governador da Bahia, e o movimento terminaria com a execução de todos os principais ativistas, num total de quarenta e três, entre civis e militares, além de três eclesiásticos. (2) Após o fracasso da Revolução de 1817 e a expedição do alvará de 30 de março de 1818, que proibia o funcionamento das sociedades secretas, as Lojas resolveram cessar os seus trabalhos, até que pudessem ser reabertas sem perigo. Os maçons continuaram a trabalhar secretamente, no Clube da Resistência, fundado por José Joaquim da Rocha, em sua própria casa, na rua da Ajuda. Em 1821, alguns acontecimentos fariam com que a Maçonaria brasileira voltasse à atividade. O primeiro desses foi a sedição das tropas que impunham, ao rei D. João, o juramento à constituição portuguesa, a 26 de fevereiro, o que provocou o início de intensa conspiração dos brasileiros, entre os quais muitos maçons, visando a independência do Brasil. Culminou com o embarque da família real para Portugal em 21 de abril. Esses fatos atraíram a atenção policial contra os maçons, agora, com atividades secretas. (1) Aos vinte e cinco dias do segundo mês do ano V\L\5822 (calendário maçônico) o Ir\Diderot (Joaquim Gonçalves Ledo) propôs "nomear uma Comissão de sete membros, destinada a redigir a Constituição Brasílica Maçônica, para reger o Gr\Or\e Maç\Brasiliense". Propôs ainda "que na escolha dos indivíduos que houverem de ser elevados, se deverá atender às virtudes e fervor maçônico, e não à antigüidade" - em prol da independência do Brasil. Com essa proposta sobre "as honrarias" foi plantada a semente da eleição de José Bonifácio ao Grão Mestrado, tempos depois, a iniciação e rápida exaltação de D. Pedro, logo conduzido ao mesmo cargo. (4) Na mesma sessão, ele ainda propôs "se decorarem as Col\com GGr\maiores e darem-se estes por comunicação", o que pode ser uma indicação da mudança pretendida do Rito Adonhiramita para o Francês ou Moderno, adotado pelo Gr\Or\Brasílico (que Ledo chamou de Brasiliense). O Rito Escocês só foi introduzido no Brasil em 1832. |
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