INDICEIII - A Fundação do Grande Oriente do Brasil IV - Atuação e Personalidades da Maçonaria V - A Reinstalação do Grande Oriente do Brasil VI - A Maçonaria e a Colonização Alemã no Vale dos Sinos MAÇONS ILUSTRES NO BRASIL, COM GRANDES SERVIÇOS PRESTADOS À PÁTRIA ANEXOS -> TABELA I TABELA II TABELA III |
III - A Fundação do Grande Oriente do Brasil |
A independência do Brasil era a meta específica dos fundadores do Grande Oriente e logo todos eles dedicaram-se a consegui-la, embora o processo emancipador nos meios maçônicos iniciara antes de 17 de junho de 1822. O primeiro passo dos maçons nesse sentido, foi o FICO, de 09 de janeiro, o qual representou uma desobediência aos decretos 124 e 125, emanados das Cortes Gerais portuguesas e que exigiam o imediato retorno do príncipe a Portugal e a reversão do Brasil à sua condição colonial, com a dissolução da união brasílico-lusa, complementando a lei de 24/04/1821, emitida após o retorno de D. João VI ao seu país. O episódio do Fico foi feito sob a liderança dos maçons José Joaquim da Rocha e José Clemente Pereira, com representação de diversas províncias ao príncipe, no sentido de que desobedecesse aos decretos, permanecendo no país. Em 24 de dezembro de 1821 José Bonifácio redigiu a seguinte mensagem: "É impossível que os habitantes do Brasil, que forem honrados e se prezarem de ser homens - e, mormente os paulistas - possam consentir em tais absurdos e despotismos... V. Alteza Real deve ficar no Brasil, quaisquer que sejam os projetos das Cortes Constituintes, não só para o nosso bem geral, mas até para a independência e prosperidade futura do mesmo. Se V. A. Real estiver (o que não é crível) deslumbrado pelo indecoroso decreto de 29 de setembro, além de perder para o mundo a dignidade de homem e de príncipe, tornando-se escravo de um pequeno grupo de desorganizadores, terá que responder, perante o céu, pelo rio de sangue que, decerto, vai correr pelo Brasil com a sua ausência...". A nove de janeiro de 1822, o maçom José Clemente Pereira, presidente do Senado da Câmara, pronunciou inflamado discurso: "Ah, Senhor! E será possível que estas verdades, sendo tão públicas, estejam fora do conhecimento de Vossa Alteza Real? Será possível que V. A. Real ignore que um partido republicano, mais ou menos forte, existe, semeado aqui e ali, em muitas das províncias do Brasil, por não dizer em todas elas? Acaso os cabeças que intervieram na explosão de 1817 expiraram já? E se existem e se são espíritos fortes e poderosos, como se crê que tenham mudado de opinião?". D. Pedro, entendendo o recado, e recordando as palavras do pai no instante das despedidas (Pedro, se o Brasil se separar de Portugal, antes que seja para ti, que me hás de respeitar, do que para algum desses aventureiros), permaneceu no Brasil, contribuindo decisivamente para a Independência. Os maçons fluminenses, sob a liderança de Ledo, resolviam, a 13 de maio de 1822, por proposta do brigadeiro Domingos Alves Branco Muniz Barreto, outorgar-lhe o título de Defensor Perpétuo do Brasil, numa cartada política que pretendiam melhorar o seu prestígio político junto ao regente e até suplantar o prestígio de que José Bonifácio, ministro todo-poderoso das pastas do Reino e de Estrangeiros, desfrutava junto a ele. As escaramuças entre os grupos de Ledo e de Bonifácio começavam aí. Com o grande número de adesões à Loja "Comércio e Artes", foi então fundado o GRANDE ORIENTE, a 17 de junho de 1822, que no calendário maçônico correspondia ao 28º dia do 3º mês maçônico do Ano da Verdadeira Luz de 5822. (2) O calendário gregoriano-maçônico, que assume o ano maçônico iniciado a 21 de março (no equinócio, e não na primeira lua nova após o equinócio, como reza a tradição judaica), e a duração dos meses maçônicos iguais às dos meses de mesma ordem do calendário gregoriano (sem se deter, por exemplo, na análise do caso de anos bissextos), a Loja de Mesa teria sido realizada no dia 21 e não, como efetivamente ocorreu, a 24 de junho de 1822. A Loja de Mesa foi o tradicional jantar maçônico do dia de São João, na data magna do 1º aniversário da reinstalação da "Comércio e Artes", que se deu a 24 de junho de 1821, e da fundação da Grande Loja de Londres, a 24 de junho de 1717. (4) Equinócios (5) 1º - Pontos da órbita da Terra ao redor do Sol, em que a inclinação polar forma ângulo reto com uma linha traçada entre o Sol e a Terra. Resultando, nessa ocasião, ser igual à extensão do dia e da noite em todas as regiões terrestres. 2º - Isto ocorre em dois pontos da eclíptica terrestre, chamado no hemisfério norte, respectivamente, Equinócio Vernal e Equinócio Outonal. 3º - Equinócio Vernal, quando o Sol entra no signo de Aires em 21 de março e Equinócio Outonal quando entra no signo de Libra em 22 de Setembro. 4º - No REAA, os equinócios e bem assim como os solstícios, marcam as datas em que reúnem, ordinariamente os Consistórios dos Príncipes do Real Segredo. 5º - A morte e glorificação de deuses, heróis ou instrutores e inclui-se Hiram Abiff, era e é comemorado em data variável, próximo a 25 de março. (Equinócio Vernal) Solstícios 1º - Os pontos da eclíptica, em que o Sol está em sua distância máxima ao norte ou ao Sul do Equador e que são assim chamados porque então parece estar esse astro parado. 2º - No hemisfério norte o solstício de verão ocorre quando o Sol está a 0º de Câncer, cerca de 21 de junho. 3º - O solstício de inverno, a 0º de Capricórnio cerca de 21 de dezembro. 4º - A exemplo das religiões mais antigas, o culto cristão está distribuído segundo a marcha do Sol e da Lua. O nascimento de Cristo coincide com o Solstício de inverno. 5º - Ambos os Solstícios ocorrem quatro dias antes das datas consagradas pelos cristãos às suas festas de Natividade e João Batista devido à precessão dos equinócios. |
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