INDICEIII - A Fundação do Grande Oriente do Brasil IV - Atuação e Personalidades da Maçonaria V - A Reinstalação do Grande Oriente do Brasil VI - A Maçonaria e a Colonização Alemã no Vale dos Sinos MAÇONS ILUSTRES NO BRASIL, COM GRANDES SERVIÇOS PRESTADOS À PÁTRIA ANEXOS -> TABELA I TABELA II TABELA III |
I - Fatores Pré-existentes (11) |
A independência das colônias inglesas da América, transformadas em Estados Unidos, serviu de inspiração aos líderes da Revolução Francesa como Montesquieu, o Marquês de Lafayete e outros, para implantar o regime democrático no mundo, contestada pela monarquia. O culto da liberdade de consciência, a tolerância religiosa, a difusão dos princípios da filosofia e dos conhecimentos científicos, a idéia nacional e a prática da democracia, com a soberania do povo e a limitação de poderes pelas Constituições, passavam a representar o ideal comum dos povos e, se escondia nas sociedades secretas, disfarçadas em Academias literárias, Arcádias, etc. A Constituição Americana, tendo como preâmbulo a Declaração de Direitos, eram lidos e comentados em segredo pelos grupos iluministas, nas repartições públicas, nos conventos e seminários. Na Declaração de 4 de julho de 1776, escrevera Thomas Jefferson: Quando no curso dos acontecimentos humanos torna-se indispensável a um povo romper os laços políticos que o ligavam a um outro povo, a fim de ocupar entre as potências da terra o lugar separado e igual ao qual as leis de Deus e da natureza lhe dão direitos, o respeito que é devido à opinião dos homens, pede que Ele proclame as causas que determinam essa separação, nós vemos como evidentes por si mesmas, as seguintes verdades: Ø QUE TODOS OS HOMENS SÃO CRIADOS IGUAIS; Ø QUE ELES FORAM DOTADOS PELO SEU CRIADOR COM CERTOS DIREITOS INALIENÁVEIS; Ø QUE ENTRE ESSES DIREITOS SE ENCONTRAM A VIDA, LIBERDADE E A PROCURA DE FELICIDADE; Ø QUE OS GOVERNOS SÃO ESTABELECIDOS ENTRE OS HOMENS, PARA GARANTIR-LHES ESSES DIREITOS E QUE O JUSTO PODER EMANA DO CONSENTIMENTO DOS GOVERNADOS; Ø QUE QUANDO UMA FORMA DE GOVERNO CESSA DE ATINGIR A ESSES FINS, O POVO TEM O DIREITO DE MUDÁ-LO, OU DE ABOLIR E ESTABELECER UM NOVO GOVERNO FUNDADO NESSES PRINCÍPIOS, E ORGANIZANDO O SEU PODER DE TAL FORMA QUE LHE PAREÇA A MAIS CONVENIENTE PARA A SUA SEGURANÇA E FELICIDADE. Ø A PRUDÊNCIA, EM VERDADE, ENSINA QUE OS GOVERNOS ESTABELECIDOS DESDE MUITO TEMPO, NÃO DEVEM SER MUDADOS POR CAUSAS FÚTEIS OU PASSAGEIRAS; Ø E A EXPERIÊNCIA PROVOU QUE OS HOMENS PREFEREM SOFRER, ENQUANTO OS SOFRIMENTOS FOREM SUPORTÁVEIS, A FAZEREM JUSTIÇA POR CONTA PRÓPRIA, ABOLINDO AS FORMAS ÀS QUAIS JÁ SE HAVIA ACOSTUMADO. Ø MAS QUANDO UMA LONGA SÉRIE DE ABUSOS E USURPAÇÕES TENDEM, INVARIAVELMENTE, AO MESMO FIM, PROVA EVIDENTEMENTE, O DESÍGNIO DE REDUZIR UM POVO AO JUGO DE UM DESPOTISMO ABSOLUTO E, ASSIM SENDO, É DO SEU DIREITO E DO SEU DEVER SUBTRAIR-SE A ESSE JUGO E ESTABELECER NOVAS GARANTIAS PARA A SUA SEGURANÇA FUTURA. Ø TAL TEM SIDO A PACIÊNCIA DESTAS COLÔNIAS EM SEUS SOFRIMENTOS E TAL TEM SIDO, AGORA, A NECESSIDADE QUE AS FORÇA A MUDAR O SEU SISTEMA DE GOVERNO. Essas doutrinas trazidas de Coimbra, Montpellier, Paris e Londres, pelos estudantes brasileiros, encontraram em Vila Rica, adeptos para a Inconfidência de Minas Gerais em 1789, confirmado por Luis Antônio Furtado de Mendonça, Visconde de Barbacena e Governador de Minas Gerais em 11 de junho de 1789. Ouro Preto, antiga Vila Rica, se constituía num centro de atividade social, onde se reuniam as melhores famílias e os homens mais ilustres da Capitania de Minas Gerais, governada pelo fidalgo Dom Rodrigo José de Menezes, que assumiu em 20 de fevereiro de 1780. Figuras de cultura vastíssima como Inácio José de Alvarenga; Dr. José Vieira Freire de Moura; o Ouvidor do Sêrro Dr. Joaquim Antônio Gonzaga, primo de Thomas Antônio Gonzaga; o padre José Correia da Silva, de Sabará e padre Carlos Correia de Toledo, de São José; padre Martinho de Freitas Guimarães, historiador de quem, infelizmente, se perderam as obras. Por outro lado, Dom Rodrigo de Menezes, parecia também empolgado pelas belezas da terra e interessado pela sua prosperidade, contrastando com o anterior - Dom Antonio Noronha - que só se preocupava com a arrecadação, sem cuidar do desenvolvimento e bem-estar dos moradores. No término do terceiro ano de governo foi removido para São Paulo, por recomendação de Martinho de Melo e Castro - Ministro da Marinha e Ultramar, que dominava as resoluções do reinado de Dona Maria. Seu sucessor foi o coronel de infantaria Luís da Cunha Menezes, arrogante, grosseiro e desonesto, conhecido como Fanfarrão Minésio. Diante da resistência que passou a sentir em torno dos seus desmandos, resolveu a procurar apóio da força e a comprar, com favores, o que não podia conquistar pela justiça. Enquanto isso, o povo da Capitania das Minas Gerais continuava as conversações sobre os ideais que haviam levado as colônias da América Inglesa à independência. A conspiração cada vez mais generalizada, devido aos distúrbios, grosserias, crueldades e patifarias de Cunha Menezes e seus sequazes, trataram os maçons do Rio de Janeiro, instruídos pelos seus sócios de Minas, de destacar o filho de um deles que se encontrava estudando em Coimbra, para procurar, na França, o ministro americano Thomas Jerfferson, autor da Declaração de Direitos, que tanto empolgava o espírito dos conjurados brasileiros. Esse enviado foi o estudante José Joaquim da Maia, que fazia parte de um grupo de doze brasileiros na Universidade de Coimbra, disposto a trabalhar pela independência de sua pátria, e solicitara orientação a Thomas Jefferson em 2 de outubro de 1786 "... é vossa nação que nós acreditamos ser a mais indicada para nos dar socorro, não só porque ela nos deu o exemplo, mas também porque a natureza nos fez habitantes de um mesmo continente e, por conseqüência, de alguma maneira compatriota. De nossa parte, estamos dispostos a dar todo o dinheiro que for necessário e testemunharemos em todo o tempo, nosso reconhecimento para com nossos benfeitores". Jefferson respondeu a carta de Maia, aceitando o encontro junto das ruínas de um templo romano em Nimes. Assim o fez, com o resumo das informações: "O Brasil contém o mesmo número de habitantes que Portugal. São eles portugueses, brancos naturais do país, negros e pardos cativos, e índios selvagens ou civilizados. Os portugueses, poucos em número, quase todos casados na terra, têm perdido a lembrança do solo pátrio e o desejo de voltar a ele; estão por isso dispostos a abraçar a independência. Os brancos naturais do país formam o corpo da nação. Os escravos são em número igual aos homens livres. Os índios domesticados são destituídos de energia e os selvagens nenhum partido tomarão neste negócio... Os sacerdotes são em parte portugueses e em parte brasileiros e não parece que tomem grande parte na contenda... O Quinto, que o rei cobra do produto de Minas, e só ele tem o direito de explorar as minas de diamantes e das outras pedras preciosas, deve montar a dez milhões de dólares por ano...". Nesse encontro entre Jefferson e Maia, estava certo de que os Estados Unidos dariam socorro ao Brasil na luta contra os portugueses. Alguns meses depois desse encontro, morria José Joaquim Maia, sem deixar de si outras informações além dessa missão histórica, revelada pelo inconfidente Domingos Vidal de Barbosa. As atividades subversivas desses rapazes em Coimbra chegaram aos ouvidos de uma freira do Convento de Santa Clara, Dona Joana de Menezes, que se alarmando com a notícia da eclosão de uma revolução sangrenta no Brasil, escreveu uma carta a seu primo, o sargento-mor Joaquim Pedro da Câmara, em São João Del-Rei, aconselhando-o a fugir do Brasil para não ser morto pelos patriotas. Entre os pensadores da Inconfidência, Cláudio Manuel da Costa, com seu espírito poético e humorístico, criticava os desatinos administrativos e morais do governador Luis da Cunha Menezes, nas "Cartas Chilenas". Tomás Antonio Gonzaga, como ouvidor, opôs-se com coragem as violências do governador e enfrentou com apoio unânime das classes mais cultas da Capitania, aos distúrbios que promovia Cunha Menezes, sendo por isso, perseguido e caluniado nas Instruções ao Visconde de Barbacena, quando este veio governar a Capitania, em substituição ao Fanfarrão Minésio. Joaquim Silvério dos Reis, desde o começo de sua vida no Brasil, deixou logo entrever as falhas do seu caráter e a dureza de seu coração, velhaco e agiota era sócio em negócios escusos do sargento-mor José Vasconcelos Parada e Sousa. Mercador de negros e sonegador de Quintos. Inácio Corrêa Pamplona era abastado fazendeiro por ocasião da conjuração de Tiradentes. Sabia de tudo e conspirou também. Quando soube do fracasso do levante e da impossibilidade de arrumar-se dentro das páginas da Devassa, correu a delatar o que soubera em confiança e aceitou, o papel de secreta do Visconde de Barbacena. Até na infâmia foi medíocre e esteve muito abaixo de Joaquim Silvério e Brito Malheiro. Joaquim José da Silva Xavier nasceu em 1746 e pouco se sabe dos primeiros anos de vida. Em 1767 trabalhava como comissário comercial por conta própria, fazendo viagens entre as Vilas de São João e de São José e o Rio de Janeiro, levando e trazendo mercadorias. Foi como dentista e médico habilíssimo que ficou conhecido - "tirava dentes com a mais sutil ligeireza e ornava a boca de novos dentes, feitos por ele mesmo, que pareciam naturais". Conhecedor dos caminhos, muito vivo e loquaz, viu-se em sérias dificuldades financeiras, resolveu assentar praça na Companhia de Dragões de Vila Rica, em 1769. Passou nove anos nos postos de cabo, furriel e sargento, sendo promovido a alferes em 1776, quando foi criado o Regimento de Cavalaria Regular. Acompanhou Dom Rodrigo de Menezes em suas expedições através da Capitania. "Iniciado" (?) na maçonaria tomava parte nas reuniões desta, no Rio de Janeiro e pregava as suas doutrinas onde quer que se encontre. Fascinado pelos acontecimentos dos Estados Unidos da América, pregava abertamente um levante para a libertação do Brasil do jugo da Coroa portuguesa. Eloqüente na pregação de suas idéias defendeu-as até a morte, sem recuar delas por nenhuma conveniência. Nem torturas de fome, sede e frio nos cárceres; nem as ameaças de castigos físicos que ele enfrentou sem abater-se, nada o deteve nessa escalada para a glória que se consagrou na sua alcunha de "o Tiradentes". Sobre sua conduta nos dias da conspiração, escreveu o Visconde de Barbacena, na carta de 11 de junho de 1789 a Martinho de Melo e Castro, Ministro da Marinha e Ultramar, de Portugal: "O alferes Joaquim José da Silva Xavier era o principal motor da projetada sublevação, o que mostrava o maior empenho e eficácia na execução dela e o que amotinava o povo e pretendia corromper a tropa, já com enganosas esperanças adequadas aos interesses de cada um e do público, no que se portava com um ardil muito proporcionado ao objeto de suas diligências e superior aos talentos que se lhe reconheciam". Em agosto de 1788, chegava ao Rio de Janeiro, de regresso da Universidade de Coimbra, de uma larga viagem por alguns paises da Europa, entre eles a Inglaterra, o jovem José Álvares Maciel, que se filiara à maçonaria e que participara das conversações para que se obtivesse o apoio de alguns países para o levante do Brasil. Convivera com José Joaquim da Maia, emissário dos maçons do Rio de Janeiro, e provavelmente teria sido o assessor dele nos encontros com Thomas Jefferson. Em outubro de 1788 Maciel conseguira que Francisco de Paula Freire assumisse o comando da organização da luta e todos os conspiradores haviam concordado em que se adiantassem os acontecimentos, pois estava anunciada uma Derrama, e seria conveniente que se aproveitassem dessa ocasião para excitarem o povo. As reuniões decisivas foram realizadas em casa do tenente-coronel Francisco de Paula, com a presença de José Álvares Maciel, Coronel Inácio José de Alvarenga, do padre Carlos Corrêa de Toledo e do alferes Joaquim José. Afinal, assentaram todos com a perfeita anuência dos diversos grupos, que fosse começada a ação do levante, logo que se publicasse o Bando lançado a Derrama. Outras reuniões tiveram lugar em casa de Cláudio Manuel da Costa. A capital da nova república seria a Vila de São João Del-Rei, enquanto em Vila Rica se estabeleceria uma Universidade. Montar-se-iam fábricas de tecidos de algodão e forjas para ferro, assim como fábricas de pólvora. As mulheres que tivessem muitos filhos teriam pensão do Estado. Seria estabelecida uma Casa de Moeda onde se recolheria o ouro, ficando em circulação o papel moeda, que o representaria, tendo a oitava o valor de mil e quinhentos. Não haveria cobrança de Dízimos pelo poder civil e os diamantes ficariam livres para extração de quem os quisesse buscar. Em meado de março de 1789 o alferes Joaquim José ia à altura da estalagem das Bananeiras, parou para repousar do sol quente, deitando-se debaixo de uma árvore, quando aí chegou Joaquim Silvério que cruzava com ele, vindo do Rio das Mortes. Tiradentes, com a melhor boa-fé confirmou o levante. No dia seguinte Joaquim Silvério dos Reis transmitia ao Visconde de Barbacena. Em 25 de março despachava um enviado ao vice-rei Luís de Vasconcelos, pedindo-lhe que mandasse tropas para ocupar Vila Rica e diversas partes da Capitania. No dia 15 de abril Tiradentes foi cercado pelos soldados da guarda do vice-rei, sob o comando do alferes Francisco Vidigal Pereira, dando-lhe ordem de prisão. Algemado, desceu com seus guardas as escadas da casa de Domingos Fernandes e conduzido através das ruas desertas em torno de dez e meia da noite até a prisão, nos baixos do palácio, de onde seria levado, alguns dias depois ao calabouço da fortaleza de São José, na Ilha das Cobras. Foram presos também Domingos Fernandes, seus dois escravos e o capitão Manuel Pinto Rego Fortes e Manuel Fernandes de Miranda, que haviam tentado dar fuga ao Tiradentes. Em 19 e 20 de abril, mais dois delatores - Basílio de Brito Malheiro e Inácio Correia Pamplona, respectivamente - confirmaram o levante junto ao visconde de Barbacena. Estava destruída a revolução de 1789, mas, iniciava-se a glorificação das idéias de liberdade e independência, que se encarnavam nesse alferes de Minas Gerais, que começava a subir os primeiros degraus do patíbulo, para ascender aos píncaros da glória. |
A.'.V.'.C.'.B.'.:: http://www.carbonaria.org |
| |
|
|