INDICEIII - A Fundação do Grande Oriente do Brasil IV - Atuação e Personalidades da Maçonaria V - A Reinstalação do Grande Oriente do Brasil VI - A Maçonaria e a Colonização Alemã no Vale dos Sinos MAÇONS ILUSTRES NO BRASIL, COM GRANDES SERVIÇOS PRESTADOS À PÁTRIA ANEXOS -> TABELA I TABELA II TABELA III |
IV - Atuação e Personalidades da Maçonaria |
"Os maçons brasileiros são detentores de informações estratégicas dos acontecimentos da Independência do Brasil, pelo fato de a maçonaria da época estar imbricada com o desenrolar íntimo dos acontecimentos. Em linguagem moderna, pode-se afirmar que a maçonaria era a vanguarda do movimento da Independência do Brasil. Com a inexistência de partidos políticos para articular, coordenar e mobilizar o povo e as elites, a maçonaria agiu, individual e institucionalmente, como um verdadeiro partido político da Independência. Os maçons daquela época juravam, ao ingressar na maçonaria, além dos juramentos de praxe, o de realizar a independência do Brasil".(8) Um dos maiores vultos no movimento de emancipação e preservação da unidade nacional brasileira, foi, sem sombra de dúvidas, JOSÉ BONIFÁCIO DE ANDRADA E SILVA, embora muitos "pesquisadores" tenham publicado obras tendenciosas com o objetivo de enaltecer a obra de Joaquim Gonçalves Ledo, em detrimento dos valores político, científico e moral de José Bonifácio - O Patriarca da Independência - verdadeiro herói nacional. José Bonifácio nasceu em Santos, província de São Paulo, a 13 de junho de 1763. Aos 20 anos de idade se matriculou na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, onde fez também os cursos de Matemática e Filosofia Natural. Defendia a liberdade e a tolerância, mas não admitia um governo exercido pelo povo inculto. Inteligente, culto e poliglota, falando e escrevendo, correntemente, latim, grego, francês, inglês e alemão, adquiriu conhecimentos de Mineralogia, considerado o Mestre da Ciência, pelo cientista alemão Humboldt, foi o primeiro catedrático de Metalurgia da Universidade de Coimbra (1801) e pertenceu a diversas entidades científicas européias. Em 1819, aos 56 anos de idade, regressou ao Brasil, iniciando a sua fase de atuação política, contribuindo para a independência do Brasil. Vice-presidente da Junta Governativa de São Paulo (1821) e ministro todo-poderoso do Reino e de Estrangeiros (Interior e Exterior). Em janeiro de 1822, sete dias depois do episódio do FICO, quando D. Pedro resolveu ficar no Brasil, desobedecendo às ordens das Cortes, para regressar à Europa, a princesa Leopoldina juntamente com José Bonifácio, serviram de baluarte na condução política seguida por D. Pedro. Nos dias que antecederam a independência, ele era o Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil, o qual ajudara a fundar, a 17 de junho de 1822; voltando a dirigi-la, quando de sua reinstalação, após a abdicação de D. Pedro I, em 1831. Em 1823, quando do fechamento da Assembléia Nacional Constituinte pelo imperador, José Bonifácio foi preso e deportado para a França, onde ficaria até 1829, voltando à sua cidade de Santos. As idéias avançadas para a época, levantavam os protestos das classes conservadoras ligadas a Gonçalves Ledo, José Clemente Pereira, Januário da Cunha Barbosa, Domingos Alves Branco e outros. Ledo e seus sequazes ambicionavam o poder junto ao príncipe e conquistar o prestígio que José Bonifácio desfrutava junto a ele. Preparou um golpe, em sessão particular da Gr\L\para que D. Pedro assumisse o Grão-Mestrado, sem avisar a José Bonifácio. No dia 14 de setembro de 1822, durante a posse de D. Pedro no Grão-Mestrado, o discurso de Domingos Alves Branco foi uma crítica direta ao grupo de José Bonifácio. Atacado, violentamente, pelos seus detratores e inimigos, encastelados no Grande Oriente, sob o comando de Ledo, José Bonifácio esperava, depois da independência, um passo em falso deles, para atacá-los. Isso aconteceu, quando soube que Clemente Pereira, Nóbrega e Ledo haviam exigido, do imperador, três assinaturas em branco e o prévio juramento à Constituição que a Assembléia Constituinte aprovasse. José Bonifácio se aproveitou disso, para instigar D. Pedro a fechar o Grande Oriente, a 25 de outubro de 1822. Em conseqüência, Clemente Pereira, Alves Branco e outros foram deportados, sendo que Ledo solicitava passaporte para se retirar para Inglaterra, mas na realidade, fugiu para a Argentina. A coroação do imperador D. Pedro ocorreu em 1º de dezembro de 1822; ao mesmo tempo, começou a preparar um programa de governo e a elaborar o projeto de Constituição, cuja Assembléia Nacional Constituinte se instalara a três de maio de 1823. Em face da oposição à reforma agrária, à causa da escravatura e, principalmente a inimizade de Domitila de Castro (futura marquesa de Santos), amante do imperador, forçaram a demissão de José Bonifácio a 15 de julho de 1823. Essa Constituinte foi dissolvida por D. Pedro I em 12 de novembro de 1823. Na ocasião foram presos os três Andradas (José Bonifácio, Antônio Carlos e Martim Francisco), além de Francisco Gê de Acaiaba Montezuma (futuro visconde de Jequitinhonha e fundador do Supremo Conselho do Rito Escocês para o Brasil, em 1832), Belchior Pinheiro e José Joaquim da Rocha e os dois irmãos Menezes de Drumond, foram, depois, deportados para a França. Em 1824, D. Pedro havia declarado que José Bonifácio era "perfeitamente inocente", embora não o tivesse chamado de volta. Somente em julho de 1829 ele conseguiu voltar ao Brasil, com 66 anos de idade e, tendo enviuvado nesse mesmo ano. Em 7 de abril de 1831 o imperador abdicou do trono e nomeou-o tutor dos filhos, principalmente aquele que viria a ser o imperador, D. Pedro II, com um decreto: "Tendo refletido sobre a posição política deste Império, conhecendo quando se faz necessária a minha abdicação e não desejando nada neste mundo senão glória para mim e felicidade para a minha pátria: hei por bem, usando do direito que a Constituição me concede no capítulo 5º, artigo 130, nomear, como por este meu imperial decreto nomeio, tutor de meus amados e prezados filhos ao muito probo, honrado e patriótico cidadão José Bonifácio de Andrada e Silva, meu verdadeiro amigo". Temendo que José Bonifácio recusasse esse encargo, como já recusara o título de Marquês, em 1822, D. Pedro escreve-lhe, insistindo: "Amicus certus in re incerta cernitur". "É chegada a ocasião de me dar mais uma prova de amizade, tomando conta da educação de meu muito amado e prezado filho, seu imperador. Eu delego, em tão patriótico cidadão, a tutoria de meu querido filho e espero que, educado naqueles sentimentos de honra e patriotismo com que devem ser educados todos os soberanos, para serem dignos de reinar, ele venha um dia a fazer a fortuna do Brasil, de que me retiro saudoso. Eu espero que me faça este obséquio, acreditando que, a não mo fazer, eu viverei sempre atormentado". Seu amigo constante, Pedro. Destituído da tutoria em 1833. Ele pregava a união brasílico-lusa de países autônomos e não admitia a escravidão dos negros. Foi o primeiro a pugnar por uma reforma agrária de base. |
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