Na Terra a tarefa de julgar o semelhante cabe aos Juízes, e somente a eles. Aqueles que militam direta ou indiretamente na área do Judiciário sabem o quanto é difícil promover e distribuir a verdadeira Justiça. A Equidade, ou seja, a disposição de reconhecer igualmente o direito de cada um, é um dos meios de julgamento do qual o JUIZ pode se valer. Ela possibilita a distribuição correta da Justiça, fazendo a correção do Direito Positivo pelo Natural com a devida igualdade ou Direito Eqüitativo. E ninguém melhor que o Maçom sabe da essencialidade da Justiça, Justiça como idéia e ideal, Justiça como pessoa, Justiça como trabalho, Justiça como Poder. Quão afastado andamos do princípio superior da Justiça! Ser Justo! Eis aí alguma coisa realmente difícil de realizar, pois, Justiça é a faculdade de julgar, segundo o Direito e consoante a consciência do julgador. Se existisse a Justiça perfeita entre os homens, desde há muito a felicidade humana estaria realizada. Os preceitos mais absurdos, as pretensões mais extravagantes, as ambições mais disparatadas seriam completamente banidos da face da Terra, se todos se compenetrassem da Justiça. Nós, Maçons, devemos trabalhar sempre para que a Justiça se torne uma realidade em toda a Terra, pois da Justiça bem compreendida resultam logo a Liberdade, a Igualdade, a Fraternidade, a Harmonia e o Amor, que são os caminhos da VERDADE. Assim, não é acaso que se harmonizem pessoas da Justiça e pessoas da Maçonaria, que uns e outros trabalhem no próprio aperfeiçoamento como em templos de virtudes, abominando tiranias, dilapidando masmorras da iniqüidade. À firmeza do Judiciário é que tem sido assegurado os direitos do trabalhador, a lisura dos pleitos eleitorais, a proteção da infância, o socorro à saúde, o respeito à família, o reconhecimento dos direitos individuais e sociais. Fazer justiça não consiste somente em não fazer mal ao próximo; ela consiste também em defendê-lo quando é atacado injustamente, de reconhecer os direitos de alguém, de atender as suas fundadas reclamações, e, mais ainda, em não pensar, nem falar mal de quem quer que seja. Tudo isto é difícil de praticar e é essa razão que há muito pouca justiça na Terra. A falta de Justiça gera, infalivelmente, outras injustiças e quem for injusto certamente receberá sua paga na mesma moeda. Isto provém de que a Justiça é essencialmente equilibrante e, por pouco que a sua balança penda para um lado, dá-se a reação que há de fazê-la pender para o outro. Mesmo porque, segundo Séneca: “Quem decide um caso sem ouvir a outra parte não pode ser considerado justo, ainda que decida com justiça”. Se fosse absoluto o domínio da Justiça na Terra, não haveria necessidade de atos filantrópicos e caridosos, porque é um dever o auxílio mutuo. O atraso de uns e o egoísmo de outros são as causas determinantes de tantas injustiças que observamos neste mundo. Uma máquina não funciona bem se todas as suas peças não forem bem ajustadas e não estiverem em perfeito estado. Tiremos uma engrenagem qualquer da mais rudimentar das máquinas e veremos que os seus movimentos serão paralisados completamente ou ela funcionará mal. Ora, o organismo social é a mais complicada de todas as máquinas, e enquanto houver nele um só indivíduo, peça componente deste colossal aparelho, que se queixe do seu semelhante ou que seja prejudicado pelas conveniências sociais, não haverá Justiça na Terra. As injustiças dos poderosos geram revoltas dos deserdados da sorte, e estas, por sua vez, pagam seu tributo à lei da compensação, resultando uma época de desassossego, inquietação, sobressalto e falsa segurança, como a que a humanidade atravessa. Só o Iniciado está ao abrigo de semelhante mal, porque, praticando a Justiça, não gera causa de injustiçado, e quando, porventura, seja vítima de uma ato injusto, sabe suportá-lo com paciência e se liberta de seus efeitos pelo saber. De nossos Tribunais Maçônicos, esperamos a aplicação também da verdadeira Justiça, lembrando que esta, deve correr de acordo com as leis vigentes, louvadas na Constituição da Obediência. Estas leis, humanas, são suscetíveis também de erro, já que o homem (maçom) é um ser em busca da perfeição através de seu livre arbítrio, concedido pelo Grande Arquiteto do Universo. Nem sempre, portanto estas leis são dotadas de pleno acerto. Cabe ao JUIZ, com sua sabedoria, atender às circunstâncias concretas para evitar injustiças. O magistrado, além do conhecimento das leis, dos costumes e da jurisprudência, tem a vocação, a benção e a sabedoria que a cada instante lhe assegura o Grande Arquiteto do Universo na tomada de todas as suas decisões, onde julga de acordo com o seu livre arbítrio e a sua consciência, nos limites da divisa de que somente Deus é o nosso único Juiz (DEUS MEUMQUE JUS). No Judiciário, nas mais altas funções trabalham arduamente e com perseverança, Maçons já consagrados na Judicatura do nosso País, e em nossos Tribunais Maçônicos, temos Irmãos que se destacam também no Poder Judiciário profano, fazendo carreira nas lides judiciária, aos quais com este trabalho prestamos as nossas homenagens. Vibremos harmoniosamente os nossos pensamentos, sejamos justos para com os outros, em pensamentos, palavras e obras, pratiquemos a lei do Amor e procuremos a Verdade, para que a nossa evolução e progresso se realizem rapidamente. Só assim conseguiremos a paz e a felicidade perfeitas que nos estão destinadas, e que iremos alcançando à medida que nos elevarmos acima das coisas mesquinhas de nossa existência. Nem sempre , portanto, as leis são dotadas de pleno acerto. Cabe ao JUIZ, com sua sabedoria, atender ás circunstâncias concretas para evitar injustiças. Sabemos, porém que a Justiça Divina, em cujo Tribunal todos nós um dia seremos submetidos a julgamento, é a mais perfeita e sublime, pois é ministrada pelo JUIZ DOS JUÍZES. No momento de dúvida e dificuldade, basta a lembrança de que somente o Grande Arquiteto do Universo é o nosso JUIZ.
Valdemar Sansão
Fontes de Consultas: |
A Justiça entretanto, não reside somente na aplicação das Leis e no regulamentar interesse por uma autoridade judiciária. Ela consiste ainda no dever de dar a cada um a integridade de que lhe é devido... em uma palavra, o cumprimento dos deveres para com a família, a humanidade, à Pátria e, particularmente hoje, a procura e a utilização dos meios eficazes para impedir as guerras, implantando a arbitragem, a fim de obter uma reforma mais completa nas relações entre as nações. (DOS RITUAIS) |
A.'.V.'.C.'.B.'.:: http://www.carbonaria.org/vendas/vendas60.htm |
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