Há quase 42 anos faço piseiro constante em Templos maçônicos, constantemente lendo, procurando aprender e arquivando tudo que cai em minhas mãos sobre Maçonaria. Neste não tão curto tempo observei que, com o passar dos anos, houve um verdadeiro descaso para com a nossa Ordem, motivado pelos mais variados motivos: Desde a preguiça de muitos irmãos, até a ganância desenfreada de outros tantos pelas glórias do poder. Observem as Atas das Lojas mais antigas, com mais de 50 anos de fundadas, e verão uns detalhes bem interessantes. Os Veneráveis Mestres do passado costumavam estavar investidos no Grau 33º, andavam na faixa etária entre os 40 e 50 anos, mais de 10 anos de iniciados, possuíam família estável, tinham uma boa, ou razoável situação financeira, e principalmente tinham tempo integral disponível a serviço da Loja. O cargo, com todos os difíceis encargos, de Venerável era por bem dizer o ápice da carreira maçônica que só era atingido por aqueles que realmente se dedicavam com muito amor à nossa Ordem. Sabemos que para ser Venerável de uma Loja é exigido que o postulante ao cargo já tenha sido Vigilante, Orador ou Secretário, mas no passado (embora nada escrito) era observada a investidura no Grau 33 que dava a Loja a necessária tranqüilidade que o Venerável tinha um sólido conhecimento maçônico. Era por bem dizer, quase uma jurisprudência cumprida fielmente. Conheci dezenas e dezenas de Veneráveis Mestres que, geralmente as 08,00h já estavam em suas Lojas; ficavam lá até às 12,00h, iam tirar uma "soneca" em casa, e lá pelas 12 ou 15,00h já estavam retornando para suas Lojas, onde podiam ficar, quando não tinha sessão, até às 18.00h. Quando não estavam nas Lojas, todos os irmãos sabiam onde os encontrar, e não raro estavam em um barzinho bem próximo (em geral de algum irmão), tomando um refrigerante ou uma "loura suada", em companhia de outros irmãos e conversando os mais variados assuntos de interesse da Loja ou da Maçonaria. Quando não, estavam em seus estabelecimentos comerciais, mas tinham todo o tempo do mundo para atender a qualquer irmão. Eram de uma sincronização perfeita, e raramente falhavam. |
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| Os Veneráveis Mestres do passado também tinham por salutar hábito prestarem a devida atenção aos Livros de Freqüência de suas Lojas, e quando um irmão faltava a mais de duas ou três sessões, eles, os veneráveis, encontravam um tempinho para irem a casa dos faltosos, para se inteirarem do porquê da ausência. Os cargos de 1º, 2º Vigilantes, Orador, Tesoureiro, Secretário, Mestre de Cerimônia e Chanceler, eram exercidos por irmãos que já estavam nos graus filosóficos e a freqüência em Loja era quase a 100%, porque todos faziam questão de não faltarem a uma só sessão. Outro detalhe interessante é que os Troncos de Solidariedade era Troncos mesmo. Hoje, com raríssimas exceções, não passam de "Troncos de Mendicância" que dão até vergonha de serem anunciados, e tilintando com apenas algumas moedas de baixos valores. Muitos Troncos no passado foram usados para comprar alforrias de escravos. Não estou inventando nada. Tais relatórios estão em várias Atas de inúmeras Lojas no passado. De uns 20 anos para cá, a situação foi ficando cada vez mais caótica. O que vemos hoje é uma lamentável e acirrada disputa pelo veneralato, por irmãos interessados na glória do nobre cargo, mas totalmente descompromissados com os encargos do cargo. O que vemos hoje é, com raríssimas exceções, o Venerável tipo "Dono de Loja", metendo os pés pelas mãos; usando expedientes fraudulentos para permanecer o mais tempo possível no cargo; muitos deles dando desfalques no patrimônio das Lojas; agindo com exacerbada truculência que gera o afastamento da maioria dos componentes dos quadros das Lojas; desobediência acintosa aos regulamentos e leis de suas Potências que fatalmente conduzem a necessidade de as colocar sob intervenção. Nesta terrível "Torre de Babel", aqui, ali ou acolá, encontramos também vários tipos de espertalhões que, por possuírem um pouco mais de instrução do que a maioria desatenta e, não raras vezes inculta maçônicamente que, têm verdadeiro horror a se pronunciarem contra os desmandos que saltam à vista de todos. Aqueles que não cobram atitudes legais e sensatas de seus Veneráveis estão pecando por covardia, omissão e conivência perniciosa e passiva, sendo tão ou mais responsáveis do que seus Veneráveis na condução dos destinos de suas Lojas. No passado, as Lojas com mais de 100 irmãos (geralmente uma em cada cidade ou em uma pequena região), agasalhava em seus bojos a nata seleta dos lideres das comunidades. Os Veneráveis Mestres do passado eram realmente líderes de líderes e altamente respeitados, tanto no mundo maçônico, como no não maçônico. Preocupavam-se primordialmente em se darem ao respeito para serem respeitados. O que vemos hoje é o excessivo número de pequenas Lojas, com vários anos de fundadas e que nunca conseguiram ter seus Templos próprios, abancadas por comodismo, e quantas vezes sem colaborar nas mínimas despesas de manutenção dos prédios, energia, água, luz e até telefone, em outras Lojas. Para que servem tais Lojas? Apenas são verdadeiras "Fábricas de Mestres Instalados?". O que vemos hoje, com honrosas e poucas exceções, são Veneráveis com curtíssimo tempo de iniciados, que passaram curtíssimo tempo como Aprendizes e como Companheiros, Mestres Maçons com apenas alguns anos como Mestres prevalecendo apenas a necessidade de um determinado grupo liderado por "Uma Ilustre Qualquer Eminência Parda" que faz e desfaz a seu bel prazer o que bem entende. O que vemos hoje são Lojas com um número tão reduzido de irmãos, que muitas vezes não conseguem fazer a sessão por falta de número legal. Lojas que não produzem absolutamente nada e geralmente compostas por meia dúzia de gatos pingados, sem a mínima formação maçônica. Se tal estado de omissão permanecer, fatalmente a Maçonaria passará muito em breve à história, como uma "Sociedade de Poetas Mortos". Será isto o que realmente queremos para o futuro da Maçonaria? Se for... É LAMENTÁVEL! Em 01 de Fevereiro de 2004 |
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