PREPARAÇÃO
PARA O
VENERALATO
Ir.'. Valdemar Sansão

 

   

Todos se submetem às autoridades constituídas.
Pois não há autoridade que não venha de Deus,
e as existentes foram instituídas por Deus
. (Romanos 13:1)

 

Se não pudermos transformar a humanidade, torná-la feliz, transformemos, pelo menos, nossas Lojas, dentro de um pragmatismo. E um dos caminhos por nós imaginados, passa pela figura do Venerável Mestre.

Poderíamos dizer que é muito pouco, mas se pudéssemos ter em cada uma das Lojas, um Venerável preparado, cônscio de sua responsabilidade, apto à propiciar ao Iniciando , se não ao quadro como um todo - o caminho que leva a Verdadeira Determinante Maçônica, não veríamos, hoje, tantos torneios para melhorar a motivação e a freqüência em Loja e tantas deserções.

Agora que os Veneráveis assumem a direção de suas Lojas, vale a pena recordar algumas recomendações para que sejam bem sucedidos.

Fazemos algumas avaliações necessárias ao aprimoramento do trabalho e para que cada um faça reajustes, imprimindo maior qualidade ao planejamento que realizará, a fim de melhorar continuamente, gerando sempre progresso.

O bom Venerável Mestre não é aquele que sempre resolve os problemas que ocorrem em sua Loja, mas, sim, aquele cujos problemas nunca ocorrem em sua Loja. A posição do Venerável, embora a mais honrosa, é a mais difícil.

Deve ser absolutamente imparcial, não tomando partido nem deixando perceber seus pontos de vista em relação às matérias objeto de debates.

Os membros de uma Loja tem os mesmos direitos e deveres. Ao Venerável cabe a difícil tarefa de manter esse equilíbrio. Deve ater-se, em sua maneira de agir, à uma forma que todos sintam seus direitos respeitados e cumpram seus deveres.

O Venerável tem de exercer constante vigilância no sentido de que nenhuma desavença ocorra entre os Irmãos. Até mesmo os assuntos de ordem pessoal devem preocupá-lo, exigindo pronta ação no sentido de ajudar nas respectivas soluções.

O Venerável não tem por missão impor normas; faz respeitá-las sem que ninguém sinta. Sua missão é sempre impessoal e ele não se impõe pela força. É apenas o condutor dos trabalhos, eqüidistante das facções que no plenário da Loja lutam pelas suas idéias.

Além das atribuições consignadas nos Landmarks, usos e costumes, Rituais e tradições da Maçonaria Simbólica Universal, compete ao Venerável ao assumir o cargo, liderar com inteligência, sabedoria e visão esclarecida para atingir o seu objetivo. Por isso é que se diz que uma Loja é antes de tudo, o retrato de seu próprio Venerável. Que a conduzirá bem ou mal, segundo o seu próprio modelo de vida.

O Venerável Mestre é uma figura que assume destaque e proporções especiais. As suas atribuições se definem em dois planos: o Administrativo e o Esotérico.

 

Plano Administrativo

"Sem objetivos bem definidos,
somente por acaso chegaremos a algum lugar"

Não há ainda um modelo de administração, um vade-mecum, (vade, vai, e mecum, comigo) com esse adjetivo, ou seja, uma cartilha que ensine o "be-a-bá", a "cola" para que o recém-empossado recorra quando em dúvida. Ele haverá de interpretar, sistematizar, por si mesmo.

O Venerável Mestre é o presidente da sociedade civil, que é a Loja. É o seu administrador geral e o seu representante junto à Potência ou Obediência a que a Loja se subordina. Sendo esta uma organização à semelhança das empresas, não deve se distanciar das teorias,  métodos,  técnicas  e  sistemas da moderna administração, para atingir com segurança e eficácia os resultados desejados.

Existem alguns critérios fundamentais que não podem deixar de estar presentes no processo avaliativo, principalmente quando esse se dá numa Loja Maçônica.

Pelo fato de não estarmos numa empresa produzindo algum tipo de produto, não iremos avaliar a qualidade e nem a quantidade com que este é produzido. Logo, precisaremos estar atentos a alguns indicadores de qualidade que serão objeto da avaliação na Loja Maçônica.

As falhas diagnosticadas permitirão uma reflexão e uma tomada de atitudes que conduzam todos ao crescimento. Avaliar-se não é sinônimo de punir, mas de reorientar e promover.

A confiança em si próprio, em sua intuição, e em seu Deus interno, não permitirá que percorra o caminho ao sabor das opiniões e pensamentos alheios, sejam de quem forem.

Um só pensamento ele deve alimentar: como servir melhor, em cada momento do dia, promovendo as condições para auxiliar os outros e torná-los melhores. Os ensinamentos só podem dar frutos se os vivermos.

- O comprometimento de todos os obreiros possibilitará o crescimento da Loja, na busca objetiva de metas que tenham sido traçadas por todos os envolvidos. Impedirá o imobilismo e gerará uma "inquietude necessária", mobilizadora, transformadora, capaz de aproximar e reunir os que acreditam e trabalham pelo progresso;

Embora não existam receitas prontas, as experiências de outras Lojas que estejam desenvolvendo e sistematizando uma ou diversas práticas administrativas poderão ser bastante úteis, conhecidas e "adaptadas" à realidade de cada Loja;

- Tentar resolver as questões no âmbito da administração, baseando as decisões apenas no empirismo (experiência pessoal), é tão nocivo quanto empreender um trabalho doutrinário sem conhecer bem o Ritual.

- O que não se concebe mais é que percebendo os erros nada façamos para corrigí-los e sabendo que podemos fazer mais e melhor, ainda façamos menos e nos conformemos com os parcos resultados alcançados.

Plano Esotérico

"Quando o discípulo está pronto, o mestre aparece"

 

No plano esotérico, o Venerável Mestre adquire a condição de guia espiritual dos Obreiros, transformando-se num verdadeiro sacerdote da Ordem.

O Venerável é especialmente quem deve "iluminar" a Loja com sua Sabedoria e o reto julgamento que simbolicamente representa, dirigindo construtivamente sua atividade.

Como presidente da Oficina, ele tem uma tarefa extremamente pesada: é dele que dependem, em grande parte, a orientação espiritual de sua Oficina e os trabalhos que ai são feitos.

Existe uma força que impulsiona o homem para realizar, construir, fazer.

Essa força não deve ser bloqueada em nós próprios ou nos outros em razão das responsabilidades intrínsecas, ao contrário, deve ser bem orientada e direcionada. Para o espírito esclarecido não basta apenas fazer, mas fazer bem, o melhor possível .

Referindo-nos às qualidades essenciais que credenciam os Irmãos a abraçarem a grande tarefa destacamos:

- O Grande Arquiteto do Universo chama todos os filhos à cooperação em sua obra augusta, mas somente os devotados, persistentes, operosos e fiéis constroem qualidades eternas que os tornam dignos de grandes tarefas. E, reconhecendo-se que as qualidades são frutos de construções nossas, nunca poderemos esquecer que a escolha divina começará pelo esforço de cada um;

O Venerável tem à sua disposição forças poderosas, sem fugir do Rito e da liturgia. É preciso que elas sejam projetadas para que se tornem edificantes, para que todos tenham a inabalável certeza e sintam em seus corações toda a vibração e plenitude do que é ser um verdadeiro Irmão.

Não será um bom Venerável Mestre o Obreiro quem não tiver condições de reunir toda esta fórmula e, assim sendo, não terá possibilidades de conduzir a sua Loja por destinos gloriosos.

Entretanto, as dificuldades desaparecerão se o amor fraterno for revelado. O nível superior, o mais sublime é o amor fraterno. Amamos a todos os Irmãos porque amamos o Grande Arquiteto do Universo e porque sabemos que Ele ama indistintamente a todos. O amor é paciente, é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha.

O que não se pode perder de vista é a necessidade de nos auto-examinarmos, com o devido cuidado para não sermos severos com os outros e extremamente indulgentes conosco.

Aquele que está de posse do Primeiro Malhete, não existe para si mesmo, mas para os outros; esquece a si próprio para poder servi-los.

A sabedoria que o torna capaz de ajudar, a vontade que dirige a sabedoria, o amor que inspira a vontade - tais são as qualidades requeridas. Vontade, Sabedoria e Amor são os três aspectos que devem expressar o condutor de Irmãos.

Finalmente, a muita coisa a ocupar-lhe seus afazeres como guia de seus Irmãos.

Com certeza o Grande Arquiteto do Universo estará com ele em todos os trabalhos, em todas as reuniões e em toda sua vida. Quando chamar por Ele, Ele virá, derramará sobre si Seu amor e o fortalecerá. E lhe dará a coragem necessária para progredir. A fonte da força está em sua fé Nele. Porque Fé é força.

 

O QUE SE ESPERA

"A quem muito se deu, dele muito exigirá;
e a quem muito se entregar, muito lhe pedirá. Lucas 14:28)
 

Aquele que tem um cargo de comando deve estar ciente de que comandar é a arte de "mandar com". Para ser exercido com sucesso nos ambientes maçônicos, onde o consenso será sempre buscado, mesmo entre Irmãos que possuem pontos de vista diferentes, sugerimos evitar melindres, rivalidades, suspeitas, que todos os procedimentos passem primeiro pela Câmara do Meio, onde em exaustivas discussões, o dirigente procure ir sensibilizando a todos e definindo melhor o que, como, quando, por que e para que, e de que forma, poder-se-á começar novas experiências.

Para isso há que enfrentar resistências, sobretudo aquelas existentes em seu próprio coração.

Ao Venerável cabe interpretar os fatos, direcionar a ação, tomar as decisões mais eficazes e fomentar a cooperação entre todos.

Se ninguém fizer nada (lei do menor esforço), tudo continuará como está (lei da inércia) e acabará na desordem (lei da entropia).

Sempre existirão diferentes formas de se compreender e solucionar um problema ou melhorar alguma coisa. Basta trilhar o caminho que conduz à Verdade a ao Bem, que não faltarão os recursos necessários!

É preciso buscar a solução que satisfaça aos objetivos fixados, às necessidades do momento e a opinião sensata dos Mestres e da maioria dos envolvidos. Cooperar com todos para todos serem beneficiados; com o cuidado para não enveredar pelo caminho do individualismo - valorizando as qualidades individuais - suas e também dos outros, lembrando, porém, que juntas elas adquirem mais força. É difícil ter o mesmo critério para julgar o próximo e a nós mesmos. Já que não podemos resolver os problemas de todos, devemos procurar resolver pelo menos os nossos.

Não há lugar para ditaduras, submissão cega e veneração nos ambientes maçônicos, onde o consenso será sempre buscado, mesmo entre Irmãos que possuam pontos de vista diferentes;

O Venerável Mestre, sabendo o que tem a fazer, tentará fazê-lo de modo sensato, compreendendo que todos somos Um, e que, portanto, só aquilo que o UNO quer, pode, realmente, ser agradável a todos.

Assim como o Grande Arquiteto do Universo colocou o malhete em sua mão, você deve conduzir seus Irmãos para que todos de Sua mão recebam alegria semelhante.

O segredo do sucesso de um Veneralato está em preparar-se para aproveitar cada dia de sua gestão. A eternidade não faz retroceder os minutos que já passaram.

Daqui em diante você terá de percorrer a estrada do Veneralato sozinho. Nós cumprimos nossa missão. Ad majorem Dei gloriam (Para a maior glória de Deus).

Rogamos desse modo que trabalhe em nome d'Ele, e que dê a você e a todos os Irmãos de sua Loja, um ano repleto de paz, harmonia, felicidade, amor, alegria e beleza que Ele nunca nos negou.

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