Sê humilde se queres adquirir sabedoria;
Sê mais humilde ainda, quando a tiveres adquirido.
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Um jovem Aprendiz não estava contente com suas limitações no topo da Coluna do Norte. Consumiu tantos anos de sua vida profana em bancos escolares, completou com distinção seu curso Universitário, fez mestrado, M. B. A., etc. Aprendera a atribuir um valor hierárquico a tudo o que existe. Queria competir e mostrar logo tudo o que sabia. Mas não fazia a menor idéia de quantas coisas não sabia. Não se convencia de que o Maçom tem o culto da Liberdade, da Igualdade e da Fraternidade, sobre tudo...
Tanto reclamou que seu padrinho interferiu: Você é jovem e tem uma vida pela frente. Não há nada de errado em ser ambicioso na vida, mas como maçom, você se impõe pela ética na busca de sua ambição. Todos os Aprendizes começam simbolicamente "quebrando pedra". Somos todos "pedras brutas", cheios de vícios, de defeitos. Após algum tempo transformam-na numa Pedra Cúbica, polida, lisa, destituída de arestas - um Maçom. Essa é a função da Maçonaria, essa é a finalidade da Pedra Bruta, esse é o seu mais profundo significado.
- A Pedra Bruta representa a natureza humana, bruta, rude, não trabalhada, simboliza a imperfeição. Por que vive reclamando?
Não percebia que em Maçonaria não existe plano de carreira, porém ensina, ajuda os homens a modificar pensamentos, palavras e hábitos, a trabalhar sem se preocupar com celebridade e glória.
- Não é justo eu não ter a oportunidade de crescer rapidamente, disse o Aprendiz.
- Não se impaciente. O tempo é que faz a maturação ocorrer para que cada um possa ser cada vez melhor. Nossos instintos ainda não sublimados procuram pela recompensa imediata, levando-nos à revolta, mas nós somos responsáveis por nós mesmos - disse-lhe o padrinho.
Preocupado, o padrinho fazia em suas preces apelo às forças benéficas do Universo, a ajuda para que seu protegido reclamão não terminasse abandonando a Ordem, julgando-se desde já possuidor de todas as boas qualidades. O conceito exagerado de si próprio, a necessidade de poder, já o faziam se considerar Justo e Perfeito.
Numa noite o Aprendiz adormeceu e sonhou. Sonhou que de repente uma forma sutil e luminosa sobressaía de sua intimidade. Identificando-se como seu "EGO", ou personalidade, juízo crítico ou alma; Olhando para o Aprendiz no fundo dos olhos, disse: Sou seu "EGO". Tenho por função a comprovação da realidade e a aceitação de seus desejos e exigências, só penso no seu próprio beneficio, por isso o tornei Maçom, passo inicial para fortificar seu caráter para suportar tudo com dignidade e evitar no futuro conseqüências indesejáveis.
Nisso, o Aprendiz despertou bastante assustado. Mas as lembranças do ocorrido em sonho não o abandonaram. No dia seguinte voltou a adormecer e foi repentinamente acometido de uma sensação estranha de indizível alegria, um misto de euforia, ansiedade e esperança, enfim algo impossível de melhor caracterizar no momento. Foi neste instante que o "EGO" reapareceu e disse:
- Façamos uma experiência, provavelmente, a primeira de sua vida de Maçom. A Maçonaria dota seus adeptos do poder místico de tocar os corações, de facilitar o encontro com o seu "EU" e de abrir olhos para belezas da existência.
Num gesto de profunda meditação rogava a uma dimensão superior que naquele momento o ajudasse. Inspirado por uma Luz que vinha do alto disse:
- Nem sempre encontramos a real compreensão de nossa missão junto à Humanidade. Para seu aprendizado tudo que você quiser, dentro da Ordem, peça agora e lhe será concedido. Mas não esqueça, o que distribuímos, recebemos; o que, por conveniências, ignoramos, viveremos; o que plantamos, colhemos; o que colhemos, consumiremos; o que construímos dará os contornos do nosso Espírito.
No mesmo momento, o Aprendiz se viu sentado na Coluna do Meio-Dia e descer a abeta de seu avental sendo elevado ao grau de Companheiro. A pergunta indócil: Por que não fui exaltado diretamente ao grau de Mestre? Eu me acho apto para entrar na Câmara do Meio.
- Será? - murmurou o "EGO".
Mesmo assim, o Companheiro se viu revestido do avental de Mestre Maçom. O "EGO", notando que, como Mestre do povo maçônico, ainda não aparentava satisfação, falou:
- Que mais você deseja?
A resposta não tardou:
- Vejo que, acima de mim, ainda há o Venerável Mestre, cargo que almejo, por que não? Cá entre nós, meu "EGO", por que não posso ser o Venerável? Este deve ser o meu destino...
- Pois sê-lo-á! - exclamou o "EGO", escondendo sua tristeza diante de tanta ambição.
E ele se viu sentado no "trono de Salomão", como era o seu desejo. De lá, admirado com o seu grande poder, acariciava seu Avental, ajeitava o colar, era presidente de sua Loja. Olhava orgulhoso e gostava de ver os obreiros da Oficina, alinhados nas Colunas, olhando-o com respeito.
- Agora - disse-lhe o "EGO" - acha que realizou seu sonho?
- Não. Sou o Venerável Mestre - gritou, com o malhete em punho - mas quero seguir adiante...
- Não me diga que você quer continuar até ser Grão-Mestre...
- Sim, por que não? Quero ser Grão-Mestre. Se outros podem, por que não eu?
- E sê-lo-á - exclamou o "EGO".
Cada um de nós tem idéias que acaricia, mas não podemos esquecer de que, possua o grau que for, tenha o conhecimento profano ou maçônico que tiver, será sempre um Aprendiz de Maçonaria. Nisso, do Oriente, observou um vulto com os paramentos de Grão-Mestre, frente à Mesa do 1º Vigilante, segurando o cinzel na mão esquerda e empunhando com a direita o maço, que golpeava a "Pedra Bruta". Firme e impassível, a rocha continuava em seu lugar. A cada batida, a cada golpe do maço, o Aprendiz sentia uma lancetada aguda em suas entranhas de pedra, seguida de uma dor profunda, como se uma parte de seu corpo de granito estivesse sendo dilacerada. E a pedra continuava em seu lugar. O Aprendiz, travestido de Venerável Mestre, enquanto ouvia os golpes surdos, insistentes, como se o cinzel estivesse dilacerando seu coração de pedra, sussurrava:
- Livre-me desse pesadelo, meu coração não mais suporta.
Acordou sobressaltado. Meu Deus quero continuar Aprendiz, quero voltar a não ter menor idéia de quanto eu não sei praticamente. Nunca devo colocar minha ambição à frente de meus Irmãos, de minha Loja e da Ordem. Seria muito utópico, pensar que uma Instituição tão antiga, tradicional e sábia, não houvesse preparado um ensino adequado para seus Aprendizes, num processo de evolução, independente de sua cultura, mas com certeza por aquilo que são e não pelo conceito exagerado de si mesmos.
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