À GLÓRIA DO
GRÃO-MESTRE DO UNIVERSO
E DO NOSSO PROTECTOR
SÃO TEOBALDO

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Um Rito Florestal

Irmãos e Primos se reencontram em um lugar afastado do bosque, vestindo as suas túnicas e o avental dos Carbonários, tamancos de madeira, e cada um com o próprio machado, enquanto os Bons Primos acendem as tochas que, em uníssono, darão vida ao Fogo Sagrado. Em Procissão, lentamente, precedidos pelo Primo Mestre (PM) e como modernas vestais, os Bons Primos se dirigem à floresta, ao lugar convencionado, onde estará a Barraca.

Enquanto o Primo Mestre se posiciona voltado para o Oriente (?), 4 Primos mais idosos ficam posicionados no interior das suas "Cabanas", representadas por toscas construções em madeira para as funções, respectivamente, (partindo do Oriente e girando em sentido horário) de Primo Mercador, Primo Urso, Primo Esperto e Primo Vivandeiro, cada cabana estando localizada nos quatro vértices de um quadrado inscrito na circunferência, com o PM no Oriente (?) e no Ocidente, próximo da entrada da Barraca, os dois Primos Cobridores.

A Barraca se realiza em um Bosque, ou clareira, no interior da mata, de forma circular, com o fogo sagrado no centro, as paredes representadas pela floresta circundante e o teto pelo céu estrelado. No centro, ao lado do fogo, um cepo sobre o qual estão espetados machados, uma bigorna e, um pouco mais distante, um tronco desgalhado.

Enquanto os Primos, ao mesmo tempo, sob uma ordem do PM, acendem o fogo, um dos Primos Cobridores trolha os hóspedes, cada um segundo o seu grau maçônico e, entregando a eles dois bastões de madeira descascados e os convida a sentar. Eles tomam lugar com os outros Primos, em círculo, em volta do fogo.

O PM convida então os presentes a colocar um pequeno pedaço de madeira, ou uma folha, sob as próprias vestes, em contato direto com a pessoa, para simbolizar a união profunda entre o homem e a natureza que se espera realizar no curso da cerimônia, e ordena ao Primo Esperto para traçar o Círculo Mágico, com uma vara apropriada, a uma distância conveniente do exterior do círculo dos presentes. O Primo Esperto executa, deambulando em sentido horário. Os presentes então, iniciando pelo Primo Cobridor do Norte, se dão mutuamente o abraço ritual, semelhante para muitos ao t.f.a. da maçonaria.

O PM inicia em seguida as perguntas necessárias para a abertura da Barraca, de forma similar às perguntas que o VM faz aos dois Vigilantes, só com a diferença de que, na Carbonária, essas são feitas aos dois Primos Cobridores.

Ao final do diálogo e para sancionar a abertura dos trabalhos, o PM ordena aos presentes uma tríplice bateria, que acontece com o batida rítmica dos bastões da maneira como são dados no grau de Mestre.

O Candidato ao primeiro grau (Primo Rachalenha, ou Cousin Fendeur), se apresenta, vendado, à entrada e é admitido nos modos convencionados; é conduzido em seguida, deambulando sempre em sentido horário entorno do fogo e acompanhado pelo Primo Cobridor, até chegar diante do cepo do PM onde, desvendado e de joelhos sobre uma trouxa, presta o mais terrível dos juramentos, rodeado, em semicírculo, pelos Primos e Irmãos.

Continuando a deambulação, o novo iniciado chega à Cabana do Primo Mercante, onde lhe é pedido de rachar um tronco de madeira, em sentido longitudinal, em três partes iguais.

Passando então diante da Cabana do Primo Urso, ele vem a ser furiosamente atacado pelo animal - instante de tensão suprema - até que o animal, por si só, a esta altura próximo das costas do desventurado, seja posto a correr pelo esforço conjunto de todos os Bons Primos, que, brandindo os seus machados, se arremessam todos juntos em defesa do novo Primo, lançando gritos assustadores.

Ele alcança então, e novamente se ajoelha sobre a trouxa que está na sua frente, a cabana do Primo esperto, onde é purificado e batizado sob uma bátega de água fresca.

Após essas três provas, é a vez do Primo Vivandeiro, que, enquadrando a circunferência, fortifica o iniciado com uma copo de vinho e o acompanha finalmente ao seu próprio cepo, saudado por uma tríplice bateria pelos Primos.

Segue a leitura de uma ata, realizada deambulando no modo convencionado em torno do fogo.

No final da Barraca, o PM faz uma série de perguntas rituais aos Primos, as quais são respondidas com gestos, toques e palavras especiais próprias daquele rito.

Importa, porém, entender que a primeira parte de tal catecismo é do tipo, digamos assim, "de reconhecimento" e "formal"; com a segunda parte, ao contrário, é mais propriamente simbólica e filosófica, com menções a particularidades peculiares do mundo florestal e céltico.

Segue-se o encerramento dos trabalhos, caracterizado por uma ulterior tríplice bateria, a extinção do círculo mágico e a consumação ritual do pão e do vinho por parte dos presentes.

O Rito Florestal parece nascer como híbrido entre o elemento operativo, representado pela base maçônica "Carbonária" e o especulativo da veneração da Grande Mãe, a deusa céltica Dana. Sobre este aspecto, se percebe, ao menos do ponto de vista maçônico, a ainda não perfeita harmonia, no âmago do rito, entre os resquícios druídas iniciais nos quais a ascensão do fogo sagrado da parte do elemento feminino (as sacerdotizas druidas) e o traçado do círculo mágico, com o prosseguimento da cerimônia, de natureza estritamente maçônica tradicional e simbólica.

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