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December 29th, 2009 by Luís Reis - Editor TriploG


» Rui Mendes envia:

Apocalipse ou uma nova era? 

Mercado

Publishing Perspectives - 16/12/2009 - M.J. Rose para Publishing PerspectivesTradução de Taynée Mendes

 

Chegamos ao fim de 2009 e a única coisa que se pode concluir sobre o futuro do mercado editorial é que ele continuará a mudar. Goste você ou não, não importa em qual editora você está ou o quanto tenta se apegar ao passado, resistir às mudanças não é apenas fútil, mas também é a pior característica que uma editora pode ter.

 

Fim do livro?

Muitas pessoas ficam alarmadas diante das recentes mudanças:

O Kirkus, lendário jornal norte-americano de resenhas, pode acabar: 54%  das pessoas agora sabem da existência dos livros pelos anúncios online. (Sim, aqueles banners! Não mais pelas resenhas.) E 67% dos compradores de livros não sabem o que vão comprar antes de entrar na livraria. Há milhões de leitores que postam o que estão lendo em seus blogs ou em algum tipo de rede social como Twitter, Facebook ou Goodreads. As pessoas leem e-books em IPhones ou Kindles nos supermercados ou no caminho para casa.

 

A HaperCollins já possui sua rede social chamada Authonomy – onde os autores podem fazer o upload do seu manuscrito ou parte dele para submetê-lo à aprovação de uma comunidade, e os editores só leem aqueles que obtiverem os melhores votos. A Harlequin também está testando uma rede social similar, chamada Carina.

 

E Steven Covey, autor do eterno best seller Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes, acabou de ceder direitos exclusivos de seus e-books para a Amazon e não para sua editora.

 

Livrarias são editoras e autores são editores e editores são livrarias.

 

E ainda, o que todo mundo parece temer mais é a Amazon reduzir os e-books a preço de banana, vendendo-os em segundos.

 

Na última semana, quase todas as principais editoras anunciaram que estariam segurando o lançamento de alguns títulos em e-book em até três ou quatro meses após a publicação da edição impressa.

E agora? O tempo para entrar na era digital no momento certo foi há dois anos atrás quando o Kindle chegou ao mercado. Ou seja, quando a experimentação teria feito algum sentido, quando não havia precedentes estabelecidos. Mas como fazer isso agora? Kassia Krozser, da Book Square, postou em seu blog que agentes e editores estão agindo de forma fetichista: “Eles reverenciam o todo-poderoso livro impresso”, ela escreveu, “sem se preocupar com o real impacto do livro digital para as vendas totais. Sem mesmo considerar o leitor. Mas por que as editoras deveriam levar em consideração o leitor?”

Por quê? Como alguém que passou a vida toda trabalhando com publicidade, realizando infinitas pesquisas sobre o usuário final, continuo chocado com a falta de informação que os editores possuem em relação aos leitores. E ainda pior é esse desleixo.E-books versus livro impresso

 

Há muitas informações sobre leitores que são essenciais para compreender o que o futuro reserva para o mercado do livro. E é preciso prestar atenção a isso. Por exemplo, 40% dos livros ou são revendidos na internet duas ou três vezes ou emprestado a amigos e família duas ou três vezes. Ou ainda, trocado três ou mais vezes. Em nenhuma dessas transações nem o autor nem a editora recebem um centavo.

Já e-books não podem ser revendidos ou emprestados. (Com exceção do Nook, da Barnes & Nobles, que oferece aos editores a opção de emprestar uma única vez, mas poucos editoras permitem isso.) Dessa forma, por um lado, você tem um e-book cujo preço é fixado para vender mais cópias e vende por causa disso. Por outro lado, poucos podem pagar o atual preço do livro impresso, que pode ser relido, revendido ou emprestado várias vezes sem qualquer lucro.

Os editores temem que o baixo preço do e-book “desvalorize” o livro, então encontraram a brilhante solução de segurar o lançamento de e-books até que o livro impresso seja publicado. A agente Nat Sobel, em um apelo aos editores para segurar o lançamentos dos e-books disse: “Em poucos anos vimos que as vendas eletrônicas de best sellers subiram de 2% para 12% a 15% das vendas totais. No próximo ano, podem chegar a 20%. Quem sabe onde isto vai acabar, uma vez que os best sellers podem estar em telefones celulares, Blackberries e outros?”

Então que deveríamos punir esses novos e animados leitores? E se fizermos isso, você acha que eles não notariam? O consumidor não é estúpido. Ele sabe a diferença entre o livro impresso, o mercado de massa e um arquivo digital. Ele sabe quando você está segurando uma determinada versão para lucrar com outra. Além disso, em uma perspectiva de mercado, não é nada inteligente fazer o consumidor esperar três ou quatro meses para comprar um e-book, porque o leitor de e-book é parte de umbusiness dos mais potentes.

Os consumidores são também os primeiros a falar de um produto ou serviço, neste caso, um livro. É por isso que as empresas de cinema têm sessões gratuitas. É por isso que os editores sempre gastaram muitas cópias para a imprensa à procura de resenhas. Mas hoje a mídia está fragmentada.

Há atualmente 60% a menos de resenhas do que havia há cinco anos. Até Oprah está deixando de ser referência. Os pequenos grupos que definiam tendências em matéria de livros, filmes, restaurantes, etc estão sendo substituídos por centenas de milhares de consumidores super-inteligentes.

 

E-readers fazem barulho

 

As pessoas que lêem e-books não estão apenas seguindo moda. Elas são ativas e hábeis usuárias de redes sociais, além de espalhar novidades de forma viral, o que acaba fazendo muito barulho. E barulho vende livros.

Numa época em que o dólar está em baixa e somente alguns livros recebem uma publicidade significativa, podemos nos dar ao luxo de manter o mercado calmo por quatro meses?

Além disso, se você retardar o lançamento dos e-books, seria necessário fazer o marketing do livro impresso por si só e, quatro meses depois, anunciar os e-books para, em seguida, refazer o marketing do livro impresso novamente, porque sabemos que não se pode contar que o leitor se lembre de livros de que ouviu falar na semana passada, muito menos há três meses.

Minha empresa, Authorbuzz.com, recentemente conduziu uma pesquisa com 200 pessoas que possuem algum tipo de e-readers. A maioria relatou que estava comprando pelo menos duas vezes mais livros. Alguns relataram um aumento de 300%.Sei que sou ruim em matemática, mas tenho certeza de que vender 3.000 livros a U$ 10 é melhor do que vender 300 livros a U$ 25. Não queremos que mais pessoas possam ler mais livros?

 

Não tenha medo

 

O grande paradigma do business no século 21, de acordo com o criador e CEO do site BookTour.com, Kevin Smokler, é dar ao consumidor o que ele quer: “Há mais deles do que você imagina. Você escolheria tornar o caminho mais difícil para seus próprios objetivos? Os consumidores irão simplesmente rejeitar o que você está oferecendo.”

 

Sim, é um momento assustador. Se lançamos um livro hoje e esperamos um ano para a edição de bolso chegar ao mercado, com certeza essa demora pode afetar nossos avanços. Mas levando em consideração o marketing que os autores estão fazendo para seus próprios livros, algumas medidas precisam ser reajustadas assim como os royalties.

Como Mike Shatzkin disse em seu blog, os escritores precisam perceber que o mundo digital oferece canais alternativos de vendas que não envolve o publishing tradicional – especialmente em um momento que o publishing tradicional não é tão tradicional assim e os editores têm expectativas em relação ao marketing feito pelo próprio autor.

Mas as pessoas não pararam de ler. Elas estão apenas abraçando novas formas de ler a palavra escrita – seja em tinta comum seja em “e-tinta”. E nada importa mais que isso.

Não estamos enfrentando o apocalipse como dizem por aí, mas é preciso acolher as mudanças e encontrar um jeito de trabalhar com elas. Estamos condenados se nos apegarmos aos antigos modelos simplesmente porque sempre funcionaram dessa forma.Sou a fundadora da ITW (International Thriller Writers) e, em 2007, um dos membros do conselho, o escritor David Hewson, sugeriu abolir as cotas e achar outro meio de sustentar a organização financeiramente. No início, o conselho ficou boquiaberto. Nunca uma organização de escritores sobreviveu sem quotas. E sempre foi assim. Como poderíamos fazer uma loucura como essa?

A resposta de Hewson se tornou o lema da ITW: “Quando imitamos, fracassamos. Mas quando inovamos, prosperamos.” A ITW está prosperando e o mercado de livros também pode prosperar, isso se não tentarmos preservar o passado às custas do futuro.

Em 1998, MJ Rose foi a primeira escritora a utilizar a Internet para lançar um e-book. Ela também é dona da agência publicitária Authorbuzz.com. A série Past Life, que estreia em fevereiro na Fox, é baseada em seu romance best seller nos Estados Unidos The Reincarnationist.

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