» Comunicado de imprensa
Luís Reis - Editor TriploG
Pelo reconhecimento ilimitado das Resoluções do Concílio Vaticano II
54104 assinaturas pela petição a nível mundial sobre o Concílio Vaticano II, porém a Congregação para a Doutrina da Fé não se disponibilizou a recebê-las
54104 pessoas de todos os continentes assinaram a petição “por um reconhecimento ilimitado das decisões do Concílio Vaticano II”, na Internet e em listas de assinaturas.
No entanto, a Congregação para a Doutrina da Fé não esteve disponível para receber a petição e as assinaturas, e assim entrar em diálogo com os(as) iniciadores(as) da petição. Até os esforços de mediação do Núncio Apostólico na Alemanha foram em vão.
Os(as) iniciadores(as) desta petição sentem-se na obrigação de dar a conhecer estes factos ao grande público assim como a todos(as) que a assinaram. Esta recusa ao diálogo por parte da Congregação para a Doutrina da Fé é vista como um sinal dum crescimento de tendências fundamentalistas assim como a confirmação do receio apresentado na “Petição Vaticano II“ (www.petition-vaticanum2.org) de uma exclusão total da modernidade por algumas partes da igreja apostólica romana.
Num “acto de compaixão”, o Papa Bento XVI vira-se para a Fraternidade de Pio X, uma minoria fundamentalista e revisionista que recusa toda e qualquer reforma e rejeita as decisões centrais do Concílio Vaticano II – ao mesmo tempo que parece considerar impensável ir ao encontro das forças que em todo o mundo lutam por uma reforma da igreja católica.
A recusa ao diálogo por parte da Congregação para a Doutrina da Fé mostra uma falta de consideração pelo empenho religioso de mais de 50000 católicos(as), entre eles, em grande número, muitos padres, professores de Teologia, voluntários(as) e funcionários(as) nas actividades pastorais e em diversos grémios da igreja, professores de Religião, religiosos(as), assim como diversos membros de Associações Católicas (na Alemanha, BDKJ, KDFB, KFD, Kolping etc.). Inúmeros conventos femininos deram quase por completo as suas assinaturas. A recusa ao diálogo por parte de Roma é um sinal dum estilo autoritário, que não se preocupa com os (ainda) fiéis e com os seus membros (ainda) empenhados mas emancipados e que não estão dispostos a uma subordinação incondicional.
A petição que se expandiu para além das fronteiras da região de língua alemã – que reuniu quase o dobro das assinaturas da acção „Sim a Bento”, iniciada ao mesmo tempo – mostra a esperança numa igreja aberta a questões actuais sem esquecer o significado central de Deus que se fez Homem e que se mantém viva num „Aggiornamento“. Os esforços para a realização das reformas começadas no Concílio do Vaticano II continuam a ter grande apoio dentro da igreja apostólica romana tanto a nível de conteúdos como a nível de números. As assinaturas da petição, que foi traduzida para 14 línguas, vêm de 80 países e de todos os continentes.
Uma grande consequência da petição do concílio é ter trazido de novo para a ordem do dia o Concílio Vaticano II, as suas resoluções e assim de todo o seu espírito reformador. O Concílio foi inaugurado em 1962 pelo Papa João XXIII e terminado em 1965 pelo Papa Paulo VI.
Celebramos em breve o 50º aniversário deste concílio reformador, e perante os inúmeros problemas pastorais urgentes, muitos
católicos(as) de todo o mundo mostram-se disponíveis num espírito de “communio” para uma renovação da investigação teológica e da prática pastoral nascida do espírito reformador do Concílio. Fazem-no sentindo o chamamento do Papa Paulo VI para que se concretizem as reformas iniciadas neste mesmo espírito, a que se referiu no seu discurso de encerramento do Concílio a 8 de Dezembro de 1965.
Antecedentes e cronologia
A 24 de Janeiro de 2009 veio a público o levantamento sem condições da excomunhão de quatro bispos da Fraternidade de Pio X, entre os quais se encontra o bispo negacionista do Holocausto Richard Williamson. Tal facto foi o ponto de partida para a formulação da petição.
A 29 de Janeiro de 2009 um grupo de teólogos(as) e língua alemã iniciou a petição “Por um reconhecimento ilimitado das decisões do Concílio Vaticano II” (www.petition-vaticanum2.org). Mais tarde, o Movimento Internacional Nós Somos Igreja deu apoio logístico à petição.
A base legal é o parágrafo 212 § 3. do Código do Direito Canónico (Codex Iuris Canonici). De acordo com este parágrafo, os fiéis têm “o direito e até o dever de comunicar a sua opinião em relação à igreja aos pastores espirituais […] e aos demais fiéis.”
A 3 de Março de 2009 foi entregue à Conferência Episcopal Alemã, durante o seu plenário da Primavera em Hamburgo um relatório
intermédio da petição (36300 assinaturas).
Até 9 de Abril de 2009, a data limite para a recolha de assinaturas, assinaram a petição 54104 pessoas.
A 25 de Março de 2009, os(as) iniciadores(as) pediram ao Núncio Apostólico em Berlim, Monsenhor Jean-Claude Périsset, uma audiência para a entrega pessoal da petição à Congregação para a Doutrina da Fé em Roma.
A 2 de Abril de 2009, o Núncio respondeu se não seria “mais prático”* *entregar a petição com todas as assinaturas à Congregação para a Doutrina da Fé através da Nunciatura em Berlim.
A 7 de Abril de 2009, os(as) iniciadores(as) renovaram o pedido para uma entrega pessoal em Roma tendo em consideração a ressonância internacional e o significa da petição.
A 29 de Maio de 2009, o Núncio em Berlim informou que a Congregação para a Doutrina da Fé não “achava necessário receber os iniciadores da petição, cujo conteúdo lhe é conhecido e cujo conteúdo irá ser tido em consideração no futuro”.
A 15 de Junho de 2009, seguindo o conselho do Núncio, os(as) iniciadores(as) dirigiram-se directamente à Congregação para a
Doutrina da Fé, mencionando que uma recusa ao diálogo não iria ser compreendida pelos peticionários uma vez que a entrega da recolha de assinaturas “Sim a Bento”, com 33000 assinaturas pôde ser entregue no âmbito duma audiência geral a que o Papa respondeu com uma carta de agradecimento.
A 20 de Julho de 2009, os(as) iniciadores(as) dirigiram-se de novo à Congregação para a Doutrina da Fé, pois não receberam até à data nenhuma resposta ao pedido de entrega pessoal da petição em Roma.
Hiperligações:
Texto da petição: “Pelo reconhecimento ilimitado das Resoluções do Concílio Vaticano II” www.petition-vaticanum2.org
Prof. Dr. Norbert Mette:
Por um curso da igreja apostólica romana no sentido do Concílio. Uma avaliação da “Petition Vaticanum 2” do ponto de vista prático-teológico - www.petition-vaticanum2.org/mediapool/77/772478/data/METTE_Petition_Einschaetzung.pdf
Nós Somos Igreja: 50º aniversário do Concílio Vaticano II - www.wir-sind-kirche.de/index.php?id=527
Contacto para questões de conteúdo:Prof. Dr. Norbert Scholl - norbert_scholl@arcor.de
Contacto para a imprensa e organização:
Christian Weisner - +49 (0)172-5184082 - presse@petition-vaticanum2.org
Sigrid Grabmeier - +49 (0)991- 29 79 585 - sigrid@grabmeier.net
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