RODRIGO PETRÔNIO PREMIADO
Estela Guedes - Editor TriploG
POETA PAULISTA É O VENCEDOR DO PRÊMIO ALB/BRASKEM DE POESIA 2008
Academia de Letras da Bahia - Divulgação
A Academia de Letras da Bahia e a Brakem acabam de divulgar o vencedor do Prêmio ALB/Braskem de Poesia de 2008, que saiu para o escritor paulista Rodrigo Petronio, com o livro “Venho de uma país selvagem”.
Dentre os 177 concorrentes de todo o país, os jurados Antonio Carlos Secchin, Carlos Ribeiro e Aleilton Fonseca destacaram o livro pela “originalidade, a inventividade imagística, a coesão formal e temática, num fluxo poético insubmisso e desenvolto, e por se tratar de um canto que vem mesmo de ‘um país selvagem’, ou seja, o país da poesia, num consistente e ousado discurso lírico”, conforme consta no parecer final.
Rodrigo Petronio receberá o prêmio em dinheiro, na solenidade de abertura do ano acadêmico da ALB, em Salvador, no início de março.
O seu livro será publicado por uma editora de porte nacional, com tiragem de 2 mil exemplares. O livro terá distribuição comercial e o seu lançamento está previsto para março de 2009, na sede da ALB, em Salvador. O prêmio da ALB é patrocinado pela Braskem e, anualmente, destaca e publica uma obra inédita de autor brasileiro, revezando os gêneros: poesia, conto, romance e ensaio. Para Petronio, este prêmio vem como mais um estímulo e reconhecimento de um trabalho que vem sendo feito nos últimos anos, abrangendo a criação ficional, a poesia e o ensaio. Em 2007, o prêmio destacou o gênero ensaio e teve como vencedor o escritor baiano Jorge de Souza Araújo, com o livro “Floração de imaginários. O romance baiano no século XX”, que será lançado na ALB, no próximo mês de março.
Palavras do autor premiado
1) O que representa para você este prêmio?
Estimo muito o valor dos prêmios, por mais que alguns escritores queiram enfatizar a relatividade de seus resultados. No meu caso, ganhei alguns prêmios, de regiões diferentes do Brasil, com jurados bastante heterogêneos. Isso é uma felicidade, pois representa que há um valor objetivo no que escrevo. Não quer dizer que o seu valor seja inquestionável, de maneira alguma. Mas que há algo de aferível objetivamente. Sinto-me recompensado por anos de dedicação irrestrita à literatura.
2) Como é sua relação com a poesia?
Decidi que queria ser escritor aos 16 anos. Não sabia exatamente o que vinha a ser isso. Mas já tinha essa vontade definida. Desde então venho perseguindo esse objetivo, com todas as dificuldades e mazelas que tal opção acarreta à vida prática. Na verdade este foi apenas um reconhecimento de algo que era inexorável. A literatura não é uma escolha. É uma fatalidade.
3) Qual o sentido e o lugar da literatura no mundo de hoje?
É um sentido bastante estranho e um lugar bastante pulverizado. Sua visibilidade tem se ampliado na mídia e ela tem se inserido cada vez mais em um ritmo de mercado (o que não acho nenhum demérito). Entretanto, o aspecto crítico, negativo e insubmisso que, a meu ver, caracteriza toda grande literatura moderna, tem se tornado um objeto de museu, é cada vez menos valorizado entre estudiosos, formadores de opinião e, curiosamente, entre os próprios escritores. Além disso, há uma coisa bastante grave: estamos vivendo a morte do leitor. Um fenômeno obstruso, absurdo, quase cômico. Há um grande aumento da produção de escrita e de escritores, sobretudo na internet, mas um crescente vazio de leitores interessados no discurso literário e em suas implicações estéticas, filosóficas e existenciais. Se esse paradoxo não for resolvido, a literatura vai se transformar em um parque temático a céu aberto, com um monte de dinossauros invisíveis.
4) O que é a poesia para você?
A poesia é o grau mais terrível da inocência.
Artigo intitulado “O livro mudo do mundo”, de Marcelo Coelho, sobre Pedra de Luz, de Rodrigo Petronio:
http://marcelocoelho.folha.blog.uol.com.br/arch2007-12-30_2008-01-05.html
Posted in TriploG |
