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Em Marrocos, ataque à Imprensa

January 25th, 2007 by Estela Guedes - Editor TriploG
Na verdade, «clericalismo» será sempre e em toda a parte — e independentemente da religião de quem o favorece e/ou o exerce — o exercício de um poder autoritário e arbitrário que, sustentado num discurso dogmático, fechado sobre si mesmo, atenta contra a liberdade de pensamento e de expressão do pensamento dos indivíduos dentro de uma sociedade.
De modo idêntico, mas em sentido oposto, «laicismo» — e a sua expressão concreta: a «laicidade» – será sempre e em toda a parte a garantia da «liberdade» de todos os indivíduos de uma dada sociedade face a toda e qualquer tentativa de apropriação totalitária do seu «espaço público comum».
Distraídos que andámos nessa «coisa francamente bacoca» que foi a «campanha-anti-campanha-anti-natal» nem nos apercebemos de que, aqui mesmo ao lado, em Marrocos, uma revista semanal — «Nichane», escrita em língua árabe – estava a ser vítima de uma intervenção policial/judicial motivada pela pressão de grupos clericalistas de um islamismo fundamentalista que, também aí, à força — como é usual, já que «razão» e «clericalismo» são coisas que nunca andam juntas… –, tenta impor (manter e reforçar) o seu discurso totalitário a toda uma sociedade onde uma franca aspiração à modernidade é já uma bem visível e luminosa perspectiva.
A estória teve um seu (primeiro) desfecho há poucos dias — uma decisão judicial que suspende a publicação da revista por dois meses e aplica 3 anos de pena suspensa com multa de 7.500 euros a cada um dos jornalistas envolvidos — mas a «pena leve» (!?) que recaíu sobre aquele semanário e dois dos seus jornalistas pode muito (mesmo muito) facilmente suscitar outros (e mais trágicos) desenvolvimentos.
Urge, portanto, que cada um de nós tome uma posição clara sobre este assunto e a manifeste junto das autoridades marroquinas, pelo que aqui fica a informação mais relevante para o fazer.
O relato do que se passou está aqui:
uma petição (on-line) está aqui:
e uma sugestão de carta a enviar (pode ser por e-mail) ao Embaixador de Marrocos em Portugal está aqui:
Aqui ficam as minhas
saudações republicanas e laicas
Luis Mateus

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