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Revista TriploV de Artes, Religiões e Ciências

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Tempo Comum

October 30th, 2006 by Estela Guedes - Editor TriploG


XXXI Domingo do tempo Comum
Irmã Deolinda Serralheiro


A Palavra deste domingo, celebrada na liturgia, é incisiva na afirmação de que Deus é único e que além dele não há outro deus. Afirma, ainda, que o primeiro e maior mandamento, que nos foi entregue desde os tempos mais antigos, é o de amar a Deus acima de tudo, com todo o coração, com toda a alma, com todo o entendimento e com todas as forças que possuímos, isto é, um amor interior e exterior, afectivo, cognitivo e prático.

         A primeira leitura apresenta-nos a lei fundamental para todo o ser humano, que consiste em amar a Deus de todo o coração e acima de todas as coisas, como condição de uma vida longa e feliz. Tão importante foi esta lei para o povo judeu que ele a inseriu na sua oração diária. Chamou-se-lhe “Credo histórico de Israel” ou Chemá, porque encerra uma verdadeira profissão de fé do crente hebreu. Este credo era rezado diariamente pelos judeus, quer na liturgia, quer nas sinagogas, quer nas orações privadas. Amar a Deus em primeiro lugar e acima de tudo, é o princípio absoluto do Antigo Testamento, o qual foi elevado à perfeição por Jesus.

         O evangelho oferece-nos uma leitura actualizada do texto da primeira leitura. Mas acrescenta uma segunda parte, ou seja, um segundo mandamento que completa o primeiro e que, em conjunto, resumem toda a lei. Este refere-se ao amor do próximo. Jesus esclarece o escriba, que o interroga, que não é possível cumprir o primeiro mandamento sem o segundo. Mais tarde o apóstolo João vai dizer-nos que quem afirma amar a Deus, que não vê, e não ama o próximo que vê, é um mentiroso. Logo, os dois mandamentos se abraçam e se completam. Este é o modelo que o próprio evangelho nos apresenta na relação amistosa entre Jesus e o escriba, pois ambos se elogiam reciprocamente. Nisto consiste o amor: no reconhecimento de uma recíproca igualdade e numa mútua e perpétua fidelidade. É assim com amor: dá e recebe como Jesus.  

         A segunda leitura continua o tema anterior do sacerdócio de Jesus, afirmando que este sacerdócio é eterno. Por isso, Jesus é o incessante mediador entre Deus e nós e intercede perduravelmente por nós. Todo o sacerdócio da Antiga Lei claudicou diante de tão grande sumo-sacerdote, que é Jesus, porque Ele se ofereceu a si mesmo, de uma vez por todas, e continua em perene oblação, à qual nos unimos sempre que nós próprios nos oferecemos a Deus e, de modo particular, sempre que nos oferecemos com Ele na liturgia eucarística. Jesus é a proximidade do amor de Deus. Nele encontramos a salvação, a eterna permanência do perdão e da paz que Deus nos outorga. Amar a Deus e ao próximo é ser e fazer como Jesus até à entrega das nossas vidas no quotidiano da nossa existência.

         Diante da Palavra de Vida deste domingo hei-de interrogar-me a mim mesmo sobre o primado do meu amor e sobre a indissolubilidade dos dois mandamentos de amor: a Deus e ao próximo. Para mim, Deus está acima de tudo e de todos? Dedico-lhe todas as energias do meu ser? Estou consciente, na prática cristã, que não posso estar a bem com Deus se menosprezo, ignoro, ofendo e não amo o meu próximo?

 

Leituras do XXXI Domingo Comum – Ano B

Deut 6,2-6; Sl 18 (17); Heb 7,23-28; Mc 12,28b-34

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O grão de mostarda retoma convosco a partilha de reflexões que podem constituir pistas durante a semana para levarmos à prática o projecto do nosso irmão Jesus no nosso quotidiano, muitas vezes apressado e   excessivamente submerso de «inutilidades».

Depois de uma pausa voltamos hoje com uma reflexão sobre “O que significa ‘acolher o Reino de Deus como uma criança’”, um texto retirado da Carta de Taizé, a comunidade ecuménica fundada pelo pastor protestante Roger Schutz , e que ao fim de sessenta anos permanece como parábola do mistério infinito do Amor de Deus, a quem Jesus chamou Abba, paizinho.

 

Em tempos de reivindicações de uma soberania única, por parte de tantos que se dizem seguidores de Deus; em tempos de confrontação e de medos por causa das reivindicações em nome do mistério do Absoluto, o grão de mostarda propõe a reflexão do livro de Andrés Torres Queiruga sobre o diálogo inter-religioso, uma proposta inovadora que nos leva a não deixar ninguém de fora do mistério amoroso do paizinho.

 

Não será que é tempo de acreditarmos que o nosso relacionamento com o Abba passa pela atitude responsável de sermos como crianças? É a interrogação que a leitura do ANEXO nos faz para a semana que hoje começa.

 

Não deixem de buscar a paz interior, a única capaz de «mover montanhas».

 

Fraternalmente

grão de mostarda

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Diálogo com os Anjos

 

Um livro que relata uma experiência espiritual de extrema intensidade vivida por quatro artistas húngaros em plena segunda Guerra Mundial. Estes jovens recebem através de um deles – Hanna – mensagens que eles identificam como vindas de Anjos. Gitta Mallasz, a única sobrevivente publica em França em 1976 essas mensagens e desde então foram traduzidas em várias línguas e tocaram milhares de leitores.

 

O livro, editado pela Estrela- Polar, será apresentado no dia

9 de Novembro às 18h e 30 por frei Bento Domingues e Isabel Sales Henriques na Fnac-Colombo, em Lisboa.

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