Miguel d’Hera
Estela Guedes - Editor TriploG
Uma viagem pelo universo artístico de Miguel d’Hera
Excerto de uma entrevista pela jornalista Carla Reis
visite o site do artista!
A arte não é verdadeira. Consiste numa espécie de mentira que nos pode conduzir à verdade do mundo que nos rodeia. Estas são palavras de Pablo Picasso que reflectem a importância que a arte pode ter enquanto pedra basilar do questionamento humano.
Para Miguel d’Hera, a paixão pelas artes plásticas manifestou-se desde muito cedo. Por isso diz: “o que seria do Mundo (e de nós) sem a maravilhosa dimensão da arte!?”. Na sua opinião, “se não fosse – talvez – artista, teria que ser galerista, coleccionador ou qualquer coisa do género. Concluindo: estar em arte é uma espécie de sacerdócio”.
Miguel d’Hera é um heterónimo de Ângelo Rodrigues que o sustenta dividindo-se em várias actividades, sendo a principal a de docente do Ensino Secundário na área da Filosofia e da Psicologia. Eles influenciam-se mutuamente e torna-se impossível separá-los. “Trata-se de uma necessidade da minha personalidade inquieta, perplexa, insatisfeita, dispersante e múltipla. Há vários em mim e o Miguel d’Hera é mais um. Sendo o Ângelo Rodrigues tão diferente (em muitos aspectos) do Miguel d’Hera, este apareceu quase que naturalmente, pela necessidade de compreender e “pensar-sentindo” o Mundo a partir da perspectiva plástica”.
Para Miguel d’Hera, definir o seu próprio trabalho é uma tarefa quase impossível de realizar. Considera que quando o conseguir fazer, deixará de ser artista. A razão: não consegue arrumar a arte em definições nem em categorias, por muito interessantes que estas possam ser. No entanto, “alguém disse que a Arte começa quando acaba a técnica. Já me categorizaram como «surrealista pós-contemporâneo» mas esta categoria de arrumação, dirá sempre muito pouco sobre o meu trabalho e a intencionalidade do mesmo. Eu sou essencialmente uma eterna-criança e a minha Arte é assumidamente e deliberadamente infantil”. E aqui reside talvez o seu maior fascínio…
Até agora, a reacção do público ao seu trabalho tem sido positiva. “Nunca tive uma crítica menos elegante – antes pelo contrário – têm-me “estragado” o ego com mimos o que é sempre um estímulo e uma motivação. Contudo, mesmo que o meu trabalho não seja absolutamente compreendido por agora (ou até mesmo que seja insultado a partir dele), isso continuará a ser um grande estímulo e será uma força para continuar a desbravar novos caminhos. Eu gosto de espicaçar mas também gosto de ser espicaçado. Humildemente, terei que me comparar ao grande Sócrates quando ele dizia de si próprio: «sou uma espécie de moscardo que espicaça as consciências adormecidas no sono fácil das ideais feitas»”.
Depois de várias experiências na área do desenho, aguarela e colagem, por agora, Miguel d’Hera decidiu concentrar-se apenas numa técnica de expressão: a pintura (em tela).
E planos para o futuro? “Pintar, continuar a expor individualmente e colectivamente sempre que for convidado, publicar, perturbar e deixar que me perturbem, espicaçar, alertar, inquietar…”
Contactos:
Tm 965065213
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