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Estela Guedes - Editor TriploG
NOTÍCIAS DA STORM
Junho 2006
Estamos a preparar a nova edição da Storm, o número 29. que estará em
destaque nos meses de Junho, Julho e Agosto. Entretanto, a edição de
Abril-Maio, 2006 continua on-line, bem como edições anteriores, à disposição
dos leitores, em Arquivo.
“Friday was nice/ Friday was nice, and we were friends/ If only he had
been a woman!”
“Edgar Allan Poe & The Jukebox” Elizabeth Bishop
As escolhas da STORM
TELEVISÃO: A nossa “Câmara Clara”
É difícil fazer programas culturais na televisão. Muito difícil. Temos
finalmente, em Portugal, um Programa – na RTP2, sextas-feiras, às 22:30 h
- trata de CULTURA e CULTURAS e, também, faz Cultura.
http://www.dois.tv/programas/camaraclara/index.shtm
O título “Câmara Clara”…………………
… é perfeito. Um verdadeiro “achado”, simples e esclarecedor. Evoca
luminosidade e abertura, com um piscar de olho a “essa câmara”, ou caixa,
que é a televisão. E em “Câmara Clara” é possível observar o salto, que
certamente os seus realizadores quiseram – e souberam - dar, ao
esquivarem-se à facilidade de uma mera “agenda”, ao mesmo tempo que evitaram
a chatice – nada própria para televisão – de grandes tiradas intelectuais,
fechadas e herméticas. Os convidados desta primeira edição , no passado dia
26 de Maio – Dalila Rodrigues (Directora do Museu Nacional de Arte Antiga),
Nuno Nabais (Professor de Filosofia da Universidade de Lisboa) e Jorge Silva
Melo (Encenador, Artistas Unidos) - fizeram a festa da melhor maneira,
falando de coisas complicadas, ousadas e importantes de uma forma simples,
hábil e inteligente e, sobretudo, bem disposta. Esperamos que esta
verdadeira “chuva de estrelas” possa revelar, a todos os que irão certamente
marcar presença em frente da televisão às sextas-feiras, às 22:30 h, os
“ídolos” do pensamento e da comunicação, em Portugal. Por Paula Moura
Pinheiro e o seu team terem sabido começar pelos chamados CLÁSSICOS (um
“gancho” exemplar), entre outras matérias, ovacionamos, de pé, este
Programa. No próximo, já no dia 2 de Junho, às 22:30H na Dois, destaque para
autores brasileiros editados em Portugal, Festas Populares e cultura POP.
Não percam.
Os ditos Clássicos estão agora, felizmente, editados e (re) editados em
profusão no nosso País – vejam o programa para saberem tudo e… visitem as
várias Feiras do Livro do País bem como, no âmbito da Pintura, o Museu de
Arte Antiga em Lisboa, que mostra “Grandes Mestres da Pintura Europeia: de
Fra Angélico a Bonnard. Colecção Gustav Rau” –
O título “Câmara Clara” e, segundo nos parece, o conceito do programa
remetem-nos significativamente para Roland Barthes que escreveu um ensaio
dedicado a fotografia com o mesmo nome.
Aproveitamos para recomendar uma (re)leitura da obra de Roland Barthes…………..
… que morreu prematuramente em 1980, deixando, no entanto, um legado que já
faz parte intrínseca da nossa vivência. Lembramos que se passou um quarto de
século sobre a data em que Michel Foucault propôs Barthes para o Collège de
France para ocupar a cátedra de Semiologia Literária. Atenção às novas
edições em Portugal e também em França, onde surgiram, também, novas
edições com as suas célebres aulas: “Comment Vivre Ensemble” – 1976-1977;
“Le Neutre” 1977-1978; “La Préparation du Roman I et II” 1978-1979- 1980.
Todos com a chancela da Ed. Seuil. O autor de “Mitologias”, de “O Sistema
da Moda” e de “O Grau Zero da Escrita” está amplamente publicado em
português. Aqui, temos as velhinhas edições da Dom Quixote e de Edições 70.
É só ir à(s) Feira(s) do Livro e repensar Barthes, mergulhando nos seus
textos. Quando se fala e lê Barthes trata-se do “Prazer do Texto” (1973).
E já que estamos em maré de CLÁSSICOS, desta feita não os gregos e romanos….
Tornar fácil o que é difícil é tarefa complexa e nem sempre se vêm os
resultados. No que toca a Literatura “é suposto” que certas obras sejam
consideradas quase inexpugnáveis para quem não se dedica à leitura a tempo
inteiro. É o caso já paradigmático de “Ulisses” de James Joyce, para dar só
um exemplo. O professor Arnold Weinstein resolveu demonstrar em “Recovering
your Story: Proust,Joyce, Woolf, Faulkner, Morrison” (Ed. Random House )
que é possível entender estes autores sem um esforço desesperado. Uma obra
para ler e aprender.
Efemérides:
Rimbaud……………..
: passaram-se 150 anos sobre o seu nascimento. Ler, reler, mergulhar em
“Une saison en Enfer” e “Illuminations”
Manifesto Surrealista de André Breton ……..
– oitenta anos depois.
Oswald de Andrade……….
– morreu há cinquenta anos.
Dino Buzzati………………
Nasceu há cem anos. 1906 – 1972. Escritor, jornalista e pintor italiano. O
crítico brasileiro Moacir Amâncio na revista CULT fala da “monotonia
intrigante” da sua obra e recomenda “O Deserto dos Tártaros” como um dos
grandes romances do século XX: “uma fábula sobre o quotidiano escrita com um
nível narrativo que lembra Tolstoi.” A influência de Kafka também é visível
num universo que lembra as telas de De Chirico.
Futebol: ………………..
sabia que…
… o Nobel Albert Camus jogou no Racing Universitaire de Argel?
…Alejandro Dolina em “Apuntes de Fútbol” escreveu que “num jogo de futebol
cabe um número infinito de episódios romanescos”?
… Pablo Neruda, Gabriel Garcia Marquez, Camilo José Cela, Kenzaburo Oé,
Günter Grass, Naguib Mahfouz, Rafael Alberti, Mario Vargas llosa, Vladimir
Nabokov, Umberto Eco e Manuel Vázquez Montalban, entre outros, escreveram
sobre futebol?
… que Shakespeare põe o conde de Kent em “O Rei Lear” a dizer… “ Tu, vil
futebolista!” , o que lhe dá uma certa “paternidade” em relação ao termo?
… que o grande poeta Vinicius de Morais tem um poema dedicado ao génio do
futebol, Garrincha?
Saiu recentemente:
“Futebol Sol e Sombra” Eduardo Galleano, prefácio de Jorge Marmelo, Ed.
Livros da Areia, Editores. www.livrosdeareia.com
“fado, futebol e farpas”, Luis Graça, Ed. autor… mordaz e delirante… como o
próprio futebol
Futebol e Filosofia na obra do francês Laurent Jaffro………
…professor na Universidade de Clermont-Ferrand e especialista em metafísica
inglesa. A moral inglesa do século XVIII – com base na obra do filósofo
marginal Anthony Ashley Cooper, Earl of Shaftesbury (1671-1713) – é o tema
central de “Éthique de la comunication et art d’écrire”. Jaffro explica que
“no estudo da moral, a razão e a paixão disputam a bola da vontade… o que
chamamos aqui de futebol moral não é o jogo formalizado, com todas as suas
regras, um campo, arbitragem, etc., mas algo mais rudimentar, como dois ou
três garotos disputando uma bola. Os garotos seriam a razão e a paixão,
disputando a bola da vontade”. (in revista Cult)
“Futebol e a Guerra” por Andy Dougan……………
– a história de os jogadores do Dínamo de Kiev, quando a Ucrânia estava
ocupada pelos nazis. Através do futebol eles conseguiram fazer frente à
Wermacht quando Hitler, depois de “limpar” 30 mil judeus ucranianos, se
preparava para invadir a União Soviética. Os ucranianos, sem equipamento,
mal alimentados e sem preparação venceram os “impecáveis” alemães, em
excelente forma física.
“A Season with Verona” Tim Parks…. Uma temporada com um clube, alegrias e
misérias.
DANÇA:………….
Na revista brasileira Bravo, o coreógrafo Henrique Rodovalho escolheu
quatro coreógrafos que “fazem a diferença”: Merce Cunningham,
norte-americano ( 1919 - ) director da Merce Cunningham Dance Company; Pina
Bausch, alemã (1940-) directora do Tanztheater Wuppertal; William Forsythe,
norte –americano (1949-) director da Forsythe Company; Jérôme Bel, francês
(1964-) artista do Centre National de la Danse.
E quanto a Portugal?
Quem serão, segundo os nossos leitores, os melhores coreógrafos que
trabalham em Portugal?
Aceitamos sugestões….
NOVOS LIVROS:……………….
Parece que já está pronto o próximo John LeCarré – de seguida, deve
aparecer o filme – Trata-se de “The Mission Song”, Ed. Plaza&Janés
“Everyman” de Philip Roth – Ed Houghton Mifflin. Autobiográfico? Certamente,
como é costume. A história de um homem comum? Sim, com eco das “mystery
plays” medievais. Mas com o selo de Roth…
“Digging to America” Anne Tyler - Ed. Knopf. Os choques de culturas estão na
ordem do dia. Mas esta excelente escritora tem mais uma história para
contar. Escavar o terreno dos sentimentos americanos pode ser perigoso. E
cómico.
“Theft: a Love Story”, Peter Carey – Ed. Knopf. A saga de uma família,
centrada na relação de dois irmão, Hugh e Butcher , com cenas na Austrália,
Japão e Nova Iorque. Atenção à linguagem da escrita. É excelente. Por alguma
razão o autor já ganhou o Man Booker Prize for Fiction com “Óscar e
Lucinda”. Ed. Port. Dom Quixote.
“Telegraph Days” Larry McMurty - Simon & Schuster A partir de 30 Maio, 06 –
a mitologia e a realidade do oeste selvagem – de novo.
“A Passo de Gambero – Guerre Calde e Populismo Mediatico” , Umberto Eco. Não
descobrimos o nome da editora. Sabemos que é sobre a influência da era
Berlusconi numa crítica mordaz e pessimista da nossa era muito
“apocalíptica” e pouco “integrada”.
POESIA:
“District and Circle” do Nobel Seamus Heane, o bardo irlandês com quarenta
anos de carreira
“Edgar Allan Poe & The Jukebox” Elizabeth Bishop (19111-1979). Edição de
Farrar, Straus and Giroux. É já considerado o sucesso do ano de 2006.
Trata-se de inéditos – poesias, fragmentos, notas, apontamentos, poemas
inacabados. Bishop produzia pouco mas trabalhava até à perfeição. Uma edição
de Alice Quinn que já está a fazer história.
A Storm revela um excerto:
De “Crusoe in England”
“Just when I thought I couldn´t stand it
Another minute longer, Friday came.
(Accounts of that have everything all wrong.)
Friday was nice
Friday was nice, and we were friends.
If only he had been a woman!”
JORNALISMO, VELHOS LIVROS… e um debate:
O que é jornalismo, até onde pode ir a liberdade do jornalista, o que quer
dizer “manipulação da verdade”, “aproveitamento da imagem”, “defesa da
privacidade”, etc? O livro do Professor Manuel Maria Carrilho, “Sob o Signo
da Verdade” Ed. Dom Quixote propõe-se analisar as questões deontológicas da
informação e a ética da comunicação. Uma proposta louvável que se perdeu na
avalanche transbordante de conversas sobre detalhes. É caso para dizer: “não
oiça…leia.”
No que diz respeito às questões que se colocam em relação ao que é verdade e
o que é ficção, o que é real e o que é manipulado, o que separa facto e
ficção, em jornalismo recomendamos a (re)leitura de:
John Hersey e o seu livro “Hiroshima”, escrito em 1946 – uma reportagem
para o New Yorker em torno dos testemunhos de seis sobreviventes da
catástrofe provocada pela BOMBA.
A obra de Norman Mailer , o homem que procurou um equilíbrio entre a ficção
e o jornalismo.
A obra de Tom Wolfe, o pai do “radical chique” . Como um jornalista, tem
ditado modas que penetram no tecido social. Agora, já nem tanto. Mudam-se os
tempos, mudam-se as vontades.
A obra de Gay Talese – o jornalista que defende uma abordagem “sensacional”
dos factos mais banais. É celebre a sua reportagem sobre o boxeur Joe Louis
publicada na Esquire, 1962
O mais radical: Hunter S. Thomson: o pai do chamado “jornalismo
fora-da-lei”. Repórter da revista Rolling Stone, baseava o seu trabalho num
conceito: desobedecer aos padrões. Ganhou notoriedade com uma peça sobre os
célebres “Hell’s Angels”. Escrevia sob o efeito de narcóticos ( Ai!Ai!) e
especializou-se em rock ’n roll, política e desporto. Se fosse agora,
linchavam-no…O “politicamente correcto” assestou-lhe um rude golpe.
DESESPERADAMENTE À PROCURA DE UMA LITERATURA: FRANÇA
A cena literária francesa não tem propriamente grande peso no panorama da
literatura contemporânea. Mas alguns escritores estão a fazer por isso. Aqui
vão as sugestões de nomes e obras, a seguir com uma certa atenção:
Os já veteranos Michel Houellebecq, Pierre Mérot e Olivier Rolin
Jean Echenoz – Editado pela Editions de Minuit – ganhou o Goncourt em 1999
Antoine Volodine (n. 1950) Editions du Seuil
Pierre Bergonioux – livros editados por Ed. Fiohic, Gallimard e Verdier
Mehdi Belhaj Kacem Editado por Ed. Tristam e ed. Denoël
Curiosamente, na área da nova Filosofia, os nomes são de mulheres:………….
Barbara Cassim – dedica-se ao estudo dos antigos filósofos no Centre
national de la Recherche Scientifique na Université de Paris
Monique Canto-Sperber – estudos da Política e da Moral. Directora de estudos
da ècole de Hautes Études en Sciences Sociales, Paris
Françoise Héritier – antropóloga, seguidora de Lévi-Strauss, professora
honorária do Collége de France
PARA VER NA WEB…….
Em desenvolvimento desde 2003, a Edit on Web –
www.editonweb.com ……………………….
Edição Ciência e Cultura, Lda - apresenta-se agora online com um projecto
editorial e redactorial que promove, em larga escala, o trabalho do autor e
o processo criativo inerente à escrita e ao desenvolvimento do conhecimento,
relacionando-o com o universo da criação literária, da produção científica e
da interacção com o leitor. A actividade da Edit on Web consiste na criação
de informação, publicação e divulgação de conhecimento nas áreas da
Literatura lusófona, Língua portuguesa, Biotecnologia, Saúde, Ambiente,
História, entre outras, para o público especialista e não-especialista.
Este projecto visa ainda dar visibilidade sobre a informação e o
conhecimento desenvolvido no universo de Leitores, Autores, Investigadores e
Mercado Empresarial, de Portugal, Brasil e PALOP. Sedeada no Porto, esta
empresa é dirigida por Carlos Figueiredo, engenheiro de formação, que
assegura que entre as vantagens deste novo projecto está a qualidade do
acervo de informação que será disponibilizado em áreas fulcrais para o
conhecimento, a multidisciplinaridade das temáticas e dos conteúdos, as
ferramentas de interacção com os autores e leitores, e os novos produtos
disponíveis (desde material informativo, até livros de novíssimos autores)”.
Sandra Rodrigues
(sandra.rodrigues@editonweb.com)
Edit on web | Edição Ciência e Cultura, Lda
Rua Miguel Bombarda, 214, 3F
4050-377 Porto
Tel: 222.030.249
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Dr. Laura Di Gregorio
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O CONFLITO SEXUAL NO SEU AUGE E O MEDO DE OUSAR, de SÉRGIO VITORINO.
Com ilustração de JOANNA LATKA
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