X Festival Internacional de Teatro de Tema Clássico associa-se às Festas de Coimbra e da Rainha Santa Isabel
O X Festival Internacional de Teatro de Tema Clássico integra a programação oficial das Festas de Coimbra e da Rainha Santa Isabel com dois espectáculos a realizar a 3 e 8 de Julho, no Páteo da Universidade.
Assim, na quinta feira, dia 3 de Julho, pelas 21h30, o Grupo de Teatro Clássico ESAD (Escuela Superior de Arte Dramático), de Málaga, Espanha, apresenta a peça “As Bacantes” de Eurípides.
No dia 8 de Junho, terça feira, também pelas 21h30, será a vez do Grupo Thíasos do IEC, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, apresentar a peça “As Vespas” de Aristófanes.
Recorde-se que em 2008 o FESTEA comemora a décima edição dos Festivais cujo carácter itinerante é uma das suas principais marcas. Daí que, em obediência a um esforço continuado de descentralização, o X Festival Internacional de Teatro de Tema Clássico prossiga até 20 de Julho com espectáculos em Braga, Penela, Conímbriga, Ansião, Fundão e Castelo Novo.
PROGRAMA E SINOPSES:
Dia 3 de Julho de 2008 (5.ª feira), 21h30, Coimbra (Páteo da UC)
Grupo de Teatro Clássico ESAD – Málaga (Escuela Superior de Arte Dramático),
As Bacantes de Eurípides
Dia 5 de Julho de 2008 (sábado), 21h30, Braga (Museu D. Diogo de Sousa)
Grupo de Teatro Clássico ESAD – Málaga (Escuela Superior de Arte Dramático),
As Bacantes de Eurípides
Dia 6 de Julho de 2008 (domingo), 21h30, Braga (Museu D. Diogo de Sousa)
Grupo Thíasos do IEC, As Vespas de Aristófanes
Dia 8 de Julho de 2008 (3.ª feira), 21h30, Coimbra (Páteo da UC)
Grupo Thíasos do IEC, As Vespas de Aristófanes
Dia 10 de Julho de 2008 (5.ª feira), 21h30, Penela (Castelo)
Grupo Les Enfants de Nysa (Paris, E.S.R.A.), La Guerre est jolie (peça baseada em
textos antigos sobre a Paz). Espectáculo montado no quadro de colaboração europeia
entre o FESTEA e o Festival Européen Latin Grec (FELG), pela parte francesa
Dia 11 de Julho de 2008 (6.ª feira), 21h30, Conimbriga
Grupo Les Enfants de Nysa (Paris, E.S.R.A.), La Guerre est jolie (peça baseada em
textos antigos sobre a Paz). Espectáculo montado no quadro de colaboração europeia
entre o FESTEA e o Festival Européen Latin Grec (FELG), pela parte francesa
Dia 13 de Julho de 2008 (domingo), 21h30, Ansião (Centro Cultural)
Grupo Thíasos do IEC, As Vespas de Aristófanes
Dia 18 de Julho de 2008 (6.ª feira), 21h30, Penela (Castelo)
Grupo Thíasos do IEC, As Suplicantes de Eurípides
Dia 19 de Julho de 2008 (sábado), 21h30, Fundão (Parque das Tílias)
Grupo Thíasos, As Suplicantes de Eurípides
Dia 20 de Julho de 2008 (domingo), 21h30, Castelo Novo (Quinta do Ervedal)
Grupo Thíasos, As Vespas de Aristófanes
Eurípides, AS BACANTES
Escuela Superior de Arte Dramatica de Málaga, em colaboração com
A.C.U.T.E.M.A. (Asociación Cultural de Teatro Griego y Romano)
Sinopse
Estamos perante uma peça repleta de contradições que, à margem da sua encenação, provoca uma série de dúvidas.
Trata-se da última das obras conservadas de Eurípides, representada já depois da sua morte, que, nas palavras de Julio Pallí Bonet, “pode considerar-se um canto de cisne.” O antagonismo entre a tradição e os costumes do homem racional, na figura de Penteu, e a rebelião contra esta tradição, na figura de um deus Diónisos muito ambíguo, marca o contraponto da tragédia.
Os acentuados contrastes do texto agudizam-se com a metamorfose de Diónisos, de carácter divino, e o transformismo de Penteu, numa tentativa artificial de mudar a realidade, mas, de qualquer modo, tudo está ao serviço da representação, com o objectivo de difundir a mensagem, não do deus mas do próprio autor, por via da máscra teatral, ou seja, do metateatro como técnica dramática.
O tema e o argumento pertencem ao culto dionisíaco e dizem respeito à introdução destes ritos na Grécia. O deus Diónisos chega a Tebas para introduzir o seu culto, mas depara-se com a oposição do rei Penteu, defensor das tradições antigas. Diónisos deixa-se prender, mas logo se escapa de forma prodigiosa, e convence o rei a, vestido de mulher, ir ao monte espiar as bacantes, entre as quais se encontra Agave, a sua mãe. Descuberto pelas mulheres, Penteu é desmembrado por elas e a sua cabeça é levada pela mãe, como troféu, até à cidade.
Cenografia: Pilar Jiménez
Desenho de Luzes: Eun Kyung Kang
Figurinos: Andreu
Música: José Manuel Padilla
Canção de Tebas: Juan Carlos Vilaseca
Revisão do texto: Raúl Caballero
Asistente de Coreografia: Rebeca Ríos
Confecção do guarda-roupa: Pilar Jiménez, Andreu
Realização de cenografia: Héctor Morales
Director de cena: Emma Muñoz
Chefe da equipa técnica: Emilio Martínez
Assistente de direcção: Emma Muñoz
Adaptação e encenação: Andreu
Sonoplastia: Germán Benítez Leiva
Luminotecnia: Eun Kyung
Com: Chico García (Penteu), Luis Alcedo (Diónisos), Raquel Pérez (Agave),
Fran Martín (Cadmo), Emilio Martínez (Capitão), Frank Vélez (Pastor), Lucas
Ortiz (Tirésias), Fran Millán (Soldado), May Melero (Autónoe), Irina Baños
(Ino). Coro: Irina Baños, Tamara Gómez, Laura Molina, Carmen Melero, Emilia
Moreno, Noelia Navarro, Marta Pavón, Amanda Ríos, Rebeca Ríos, Beatriz
Saavedra, Marina Sánchez, Vanesa Serrano.
Aristófanes, AS VESPAS
Grupo Thíasos do IEC
Sinopse
Apresentadas pela primeira vez em 422 a.C., no contexto da Guerra do Peloponeso, e obra de um Aristófanes já firmemente posicionado no panorama cómico ateniense, Vespas procura testar as diversas iguarias de cómico, entre a tradição e a novidade, e tem de ser entendida como reacção ao desaire que constituiu, para o seu autor, o não reconhecimento do mérito da comédia apresentada no ano anterior, Nuvens.
No comum cenário do exterior de uma casa de Atenas, Aristófanes procura satirizar o mau funcionamento das instituições democráticas, centrando-se, sobretudo, nos tribunais, que apresenta, na pessoa de Filócleon e do próprio coro, como uma obsessão dos cidadãos mais envelhecidos, que só aí encontram a sua fonte de rendimento. Recriando-se em cena um tribunal doméstico, onde arguido e acusado são dois cães – porém representativos de dois políticos da ribalta, nesse tempo bem conhecidos –, torna-se a cada passo manifesta a corrupção que domina as instituições jurídicas do tempo.
Tradução do grego: Carlos A. Martins de Jesus
Encenação: Carlos A. Martins de Jesus
Figurinos: Luisa de Nazaré Ferreira e Maria Valente
Composição musical: Paulo Pedrosa e José Luís Brandão
Selecção musical: Carlos Jesus
Sonoplastia: Carla Cerqueira
Luminotecnia: Rodolfo Lopes e Carlos Santos
Cenografia: Carlos Santos, José Luís Brandão e Carla Braz
Com: José Luís Brandão (Filócleon), Carlos Jesus (Bdelícleon), Artur
Magalhães (Xântias), Mário Gomes Pais (Sósias), Susana Bastos, (Mírtia), Carla
Correia (Dárdanis), Ângela Leão (Cão Cidateneu), Bruno Fernandes, (Corifeu),
Mariana Matias, Ândrea Seiça, Nélson Henrique, Carla Rosa, Nilce Carvalho,
Susana Rosa, Amélia Álvaro de Campos, Miguel Sena.
Chantal Collion, A GUERRA É DOCE
Les Enfants de Nysa
Sinopse
Como é doce a guerra… é uma obra ficcional, concebida no âmbito do Festival Europeu de Latim e Grego, para o Festival Internacional de Tema Clássico, a realizar em Portugal. A única directriz que recebi foi a de criar uma montagem de textos gregos e latinos para apresentar em Coimbra um espectáculo que facilmente se inscrevesse no tema geral do festival de 2008: “Os exploradores do mundo: o turismo, a guerra, a ciência”.
O nome de Erasmo (1467-1536), todos o conhecemos, mas a sua obra, considerada demasiado austera e digna somente da curiosidade dos historiadores, tem sido negligenciada ao longo dos tempos. Quando citamos um título de Erasmo, referimo-nos normalmente à sua obra O Elogio da Loucura. Uma vez cognominado “Príncipe dos Humanistas”, colocámo-lo num pedestal, esquecendo o ser apaixonado que, apesar “da pequena estatura, adoentada e delicada” e, mais tarde, “enfraquecida pela idade, pela fadiga de viagens esgotantes e de constantes esforços intelectuais”(palavras do próprio Erasmo ao descrever-se, numa carta escrita em 1518 a Beatus Rhenatus (1485-1547), escritor, editor e advogado, amigo e editor de Erasmo), trabalhou com afinco determinado no renascimento da cultura greco-latina, sobretudo depois da sua fascinante descoberta da língua grega, quando contava já mais de trinta anos.
Este combate de toda uma vida é o suficiente para justificar a imagem que criámos de Erasmo como o herói do dia, neste festival consagrado à promoção da língua latina e grega. E mais: o cosmopolitismo da personagem que se dizia “cidadão do mundo” e “compatriota de todos”, destinava-o naturalmente a honrar com a sua presença, póstuma e dramatizada, os dois festivais europeus. O seu pacifismo resoluto e intransigente, pode ajudar a aclarar a nossa própria reflexão sobre o tema da exploração do mundo pela guerra. Aqui está como Erasmo se tornou herói de Como é doce a guerra… e a sua obra o fio condutor desta fantasia dramática que, desta forma, se impõe claramente para além de um simples jogo literário, como um verdadeiro manifesto humanista.
Embora se trate de um texto lúdico, Como é doce a guerra… não deixa de estar recheado de intenções didácticas e pode ser abordado como um jogo de pistas, onde cada espectador deverá descobrir o autor que se esconde por detrás de cada réplica. Concedo ao leitor algumas indicações no início de cada quadro em pequenos textos-miniatura que não fazem parte do corpus dramático propriamente dito, mas que serão projectados em vídeo durante a representação, com o intuito de guiar os espectadores. Proponho a todos aqueles que desejam saber mais para nos encontrarmos no posfácio…mas só depois de terem visto o espectáculo ou lido a peça!
Chantal Collion
Encenação: Tiphaine Renard
Cenografia: luz: Kevin Lafargue, Som: Jean Amanieu
Assistente de encenação: Benjamin Guicheteau
Cenários: Yohan Chemmoul, Julia Delprat
Música: Niels Prayer
Coreografia: Kiyoshi Yamamoto
Guarda-roupa e maquilhagem: Palmyre Roigt, Joséphine Mathis, Dounia Khellaf
Fotografia: Aurélie Larnicol
Realização, vídeo: Michaël Ayach, Kevin Lafargue
Grafismo: Julia Diérickx-Brax
Com: Damien Sartran (Caronte), Michaël Ayach (Alastor), Guillaume Sorel (Erasmo),
Alias Issa (Trigeu / Ésquilo), Clément Paillette (Hermes), Joséphine Mathis (Paz),
Aurélie Larnicol (Lisístrata / Corifeu), Dounia Khellaf (Calonice), Lucie Stern
(Mírrina), Chloé Désiré (Lâmpito), Palmyre Roigt (Moça / Andrómaca), David
Martinez (Príamo), Kevin Lafargue (Arquíloco), Jean Amanieu (Saint-Exupéry), Maïa
(Criança da Paz).
Eurípides, AS SUPLICANTES
Grupo Thíasos do IEC
Sinopse
As Suplicantes de Eurípides, representadas no contexto da Guerra do Peloponeso (431-404 a.C.), resulta numa acutilante e sofrida reflexão sobre as consequências da guerra, de todos os tempos. O coro que dá o título à peça é constituído pelas mães dos sete generais que pereceram no cerco de Tebas, aliados de Polinices quando este pretendeu recuperar o poder ao irmão Etéocles. Em termos mitológicos, portanto, a peça vem no seguimento directo dos Sete Contra Tebas de Ésquilo, do Édipo em Colono de Sófocles e das Fenícias de Eurípides, tratando tema idêntico ao da Antígona de Sófocles – o dever de prestar honras fúnebres aos mortos.
O pano de fundo da peça é o santuário de Elêusis, ao qual se deslocam Adrasto, velho rei dos Argivos, e as sete mães suplicantes, para pedir a Etra que convença o filho Teseu a reclamar junto de Creonte os corpos mortos dos sete generais. Relutante a início, Teseu aceita a tarefa. Chega entretanto um arauto tebano que conta a vontade contrária de Creonte, o que leva o rei de Atenas a partir para Tebas com um exército, que sai vitorioso. Os cadáveres entram depois em cena e, quando as mães os depositam na pira, surge Evadne, viúva de Capaneu, que, em delírio de bacante, deseja morrer com o marido. Apesar dos pedidos do pai, ela acaba por se suicidar e arder com o marido, nas chamas que considera o seu leito nupcial. Num happy end tipicamente euripidiano, surge ex machina a deusa Atena, formalizando o pacto de amizade entre Argivos e Atenienses.
A guerra (justa e injusta), a morte, o amor e a defesa da Democracia, são estes os grandes temas que Eurípides apresenta e discute em Suplicantes. Uma peça nem sempre fácil de colocar em cena, mas cuja mensagem – grande mérito da tragédia clássica – é de todos os tempos.
Encenação: Carla Braz, Carlos Jesus
Tradução: José Ribeiro Ferreira
Consultor: José Luís Brandão
Figurinos: Maria João Antunes, Inês Santos
Sonoplastia: Luís Albuquerque
Cenografia: Carlos Santos
Luminotecnia: Carlos Santos
Com: Ângela Leão (Etra), Luís Marques Cruz (Teseu), Artur Magalhães
(Adrasto), Carlos Jesus, Vitor Teixeira, Nélson Ferreira, Carla Braz (Corifeu),
Susana Bastos, Ândrea Seiça, Patrícia Ligeiro, Carla Rosa, Carla Correia.