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MARIA AZENHA
A chuva nos espelhos
A CHUVA NOS ESPELHOS - INDEX

um biombo de açucenas para os espelhos

agora,
entre as duas,
um biombo de açucenas
percorre mil jardinzinhos
no sangue
do
nosso coração.

o espelho da lua partiu-se.

os teus olhos
são ainda
mil
espelhos
floridos em pleno verão.

o teu amor diminuto
foi-se-me
soltando pelos dedos...


ah,
minha alma ferida,
minha chaga
de neve fundida,
junto à flor singela
de um campo de cedros
enfurecido!
as alamedas escrevem por um raio de Sol,
trarei bosques de púrpura
em um combóio de estrelas,
entornando
a mais pura luz branca... sobre o mar do teu coração...
trago-te viva.

ouves os repuxos falando sozinhos?

quantos pássaros de lírios pousam nos choupos,
e um peixe em minha fronte
com dois mares em volta
cantando...

como é difícil
fazer chegar aos teus ouvidos,
búzios!


em nossa casa há uma figueira que grita!
em tua cabeça arde uma estrela magoada ...

livra-me do suplício de te ver florir
em minha mão.

como é difícil cantar no ceptro do chão!

sou uma manta de água que te vai cobrindo
com o arco-íris dos barcos...

ouve, filha,...

logo virão as chuvas,
logo virão... e tu passeando
sobre ramos brancos de neve
com esse traje de mágoa
ante a mágica e viva flor dos lírios...


porque nascemos entre mil espelhos?

ouve,
nas avenidas há uma fonte
alumiando o sol e as estrelas...

o nosso coração arde muito longe...