O baralho dos provérbios
Vamos no metro e mais de metade dos viajantes, sentados ou em pé, velhos ou novos, abisma-se no mistério dos telemóveis. Cada vez mais sofisticados, cada vez mais nos sorvem atenção, vontade e alma. Sem nenhum pudor, costumo espreitar, gosto de saber em que se ocupa a mente dos meus semelhantes. Na maior parte, correm com os dedos textos compridos, num repúdio de afirmações sobre a pouca leitura dos nossos dias. O que os textos dizem, não sei, é outro assunto. Muitos verificam posts de FaceBook e semelhantes, e uma grande parte entretém-se com jogos.

Eu também jogo, quem não passa tempo a fazer paciências? Sem isso não seria capaz de em meia hora preparar algo para pôr em linha, como esta notícia. As paciências servem para nos concentrarmos noutra coisa diferente delas, tal como os jogos antigos, tradicionais, como os de cartas, servem para nos concentrarmos nos outros jogadores, os nossos amigos e familiares.

O baralho dos provérbios, de Natali Nascimento, é a aplicação prática de uma tese de mestrado a que Fernanda Frazão deu substância, na sua editora Apenas Livros. É muito mais social do que os telemóveis! Não gaste fortunas com prendas de Natal que criam vícios narcísicos e anti-sociais, ofereça objetos que são elos de ligação entre pessoas, que criam afetos e a necessidade de falarmos uns com os outros e ainda por cima divertem e ensinam, como este belo Baralho dos provérbios!

Maria Estela Guedes . Odivelas . 30.11.2016
 
NATALI NASCIMENTO
O baralho dos provérbios
Lisboa, Apenas Livros, 2016
APENAS LIVROS EDITORA
http://www.apenas-livros.com
apenaslivros@oninetspeed.pt

 



 



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