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Versões do Feminismo na Amazônia brasileira:
Orminda e Eneida
nos contextos nacional e internacional
MARIA LUZIA MIRANDA ÁLVARES

Sumário

Introdução
1. Feminismo e Feministas: entre histórias e movimentos
1.1. Ideologias, conceitos e práticas feministas
1. 2. Os caminhos históricos do feminismo
2. As vertentes brasileiras do feminismo
3. As versões do feminismo Amazônico: entre a corrente liberal-burguesa
e a socialista

3.1. O Feminismo sufragista, na versão da imprensa, no Pará
3.2. O Sufragismo de Orminda Bastos
3.3. Eneida de Morais e sua versão partidária anti-sufragista
3.4. O anti-sufragismo de letrados e letradas paraenses
4. Amarrando alguns tipos... criando conclusões
BIBLIOGRAFIA

INTRODUÇÃO

Os debates sobre o feminismo em Belém (Pa), Região Amazônica, na década de 1920, tomaram a forma de uma história do sufragismo que até então era pouco conhecido. Enlaçadas às correntes teóricas de suas épocas, as versões das paraenses Orminda Ribeiro Bastos e Eneida de Morais desvelam os pressupostos de igualdade que eram parte das discussões de sua geração, pontuando com a dimensão de classe e com uma abordagem anti-feminista e anti-sufragista.

O presente texto abordará alguns aspectos transnacionais, nacionais e locais desta corrente desdobrado entre: o feminismo e sua história mundial; as correntes feministas preponderantes no Brasil; o capítulo Amazônico da trajetória do sufragismo marcando a extensão feminista no Pará, através da escritora Eneida de Moraes e da advogada e jornalista Orminda Bastos; e a versão anti-sufragista de letrados e letradas paraenses.

Estes estudos pontuais sobre o movimento feminista na Amazônia têm sido recentes, emergindo através das pesquisas de ÁLVARES (1990) sobre a participação política e partidária das mulheres no Pará. O tema mulher e as relações de gênero tiveram sua efervescência no Brasil a partir dos anos setenta, repercutindo, nos anos noventa nas Regiões Norte e no Nordeste brasileiros, trazendo contribuições para a formação dos núcleos de estudos e pesquisas nas universidades dessas regiões, propiciando a ampliação da produção científica sobre esse enfoque específico.

Foi possível atualizar informações já delineadas e incorporar, no âmbito das publicações nacionais uma nova leva de estudos que apontam para as experiências vivenciadas pelas mulheres dessas duas regiões, que ainda permaneciam periféricas pelo distanciamento histórico e clássico dos demais centros de estudos do Sul e Sudeste brasileiros.

A trajetória percorrida pelas pesquisadoras e pesquisadores tem sido considerável na recuperação da presença feminina na história e na vida social do espaço amazônico. Os resultados das pesquisas sobre a questão da mulher na Amazônia têm beneficiado a quebra do ocultamento em que se achavam os fatos. Conquistaram um lugar na produção científica incorporando questionamentos ao saber e aos conhecimentos já existentes sobre a história da região, beneficiando o olhar das Ciências Humanas, enriquecida com essa nova postura de visibilidade de uma presença significativa na trama das relações sociais, mas de fora da geração clássica de estudos.

Dessa nova potência de diversidades de abordagens, um tema como o feminismo cria características e formas no espaço de discussão aberto com as análises sobre as identidades de gênero. Emerge no interior de uma discussão rica em modelos de comportamentos esperados de homens e mulheres, comportamentos esses construídos para serem apreendidos e vivenciados como códigos radicais e cristalizados num estatuto padrão permanente advindo das transcrições de regras ditadas pela Metrópole (visto que o Pará integrava-se mais à Lisboa do que ao centro sul brasileiro). Circulando nesse meio percebe-se uma diversidade de versões sobre sufragismo feminista vivenciado pelas mulheres amazônicas enriquecendo o debate em torno dos direitos das mulheres. A imprensa torna-se o veículo das representações que as mulheres fazem delas próprias e do processo social e político que exercitam. Não há heroínas ou ousadas nos contornos dessas imagens construídas. Mas suas opiniões tornam-se turbilhão noticioso, no qual emergem suas especificidades e que apontam para uma multifacetada trajetória de mulheres.

 
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